ABORLccfRevista Brasileira de Otorrinolaringologia

Relato de Caso

Lipoma da Laringe.
Lipoma of the Larynx.

Autores:

tiago fernandes ferraz melo (residente) residente

Otávio Marambaia (Especialista ORL-ABORL) Coordenador do estágio de Otorrinolaringologia do INOOA, Professor da Disciplina de Otorrinolaringologia da Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública-EBMSP

Amaury Gomes (Título de especialista em ORL_ABORL) Preceptor do serviço de Otorrinolaringologia do INOOA

Epifânio Pereira Filho (Título de Especialista de ORL-ABORL) Preceptor do serviço de Otorrinolaringologia do INOOA

Pablo Marambaia (título de especialista de ORL-ABORL) Médico assistente do serviço de Otorrinolaringologia

Palavras-Chave
Lipoma, Laringe

Resumo
Lipomas de laringe são tumores bastante raros. Existem aproximadamente 114 casos descritos na literatura. Os autores apresentam 1 caso de lipoma laríngeo supraglótico, no qual o paciente cursava com dispnéia em decúbito lateral, disfagia e disfonia, sendo tratado por via endoscópica.

Keywords
Lioma, Larynx

Abstract
Lipoma of the larynx are very rare tumors. Up today approximately 114 have been described in literature. The authors present a case of laryngeal lipoma in the supraglottic, in a patient complaining of dyspnea in lateral decubitus, dysphagia and hoarseness, treated by endoscopically surgery.

 

Instituição: INOOA - Instituto de Otorrinolaringologia Otorrinos Associados

Suporte Financeiro:

Introdução:

 

Lipomas são tumores benignos, de origem mesenquimal, bastante raros na laringe¹. Menos de 0,6% de tumores benignos da laringe são compostos por lipomas².  Existem aproximadamente 114 casos descritos na literatura³.  Pode-se classificar os lipomas laríngeos(LL) em intrínseco e extrínseco. A localização mais freqüente dos tumores intrínsecos são as pregas ventriculares (supraglote), pela presença de tecido adiposo em  quantidade nesta região². Tumores glóticos são mais raros. Os lipomas podem apresentar-se anatomicamente como submucosos ou pediculados. O tratamento para o LL é cirúrgico, podendo ser realizado por via endoscópica ou externa.

 

Caso clínico:

 

 D.F.S., masculino, 66 anos, com quadro de disfonia de longa data, insidiosa, associado a dispnéia em decúbito lateral direito, evoluindo nos últimos 6 meses com disfagia a líquidos e sólidos. Realizou cirurgia de lipoma em região dorsal há 6 anos. Relatava HAS e tabagismo durante 30 anos, abstêmio há 5 anos. Paciente foi atendido na "Semana da Voz" no Inooa entre 10 a 13 de abril de 2006. Ao exame físico apresentava lipomatose em região cervical e dorsal além de disfonia.. Foi realizado exame endoscópico da laringe, visualizando-se tumor pediculado em região de prega ventricular esquerda, com mobilização durante respiração, sendo feito  suspeita de larigocele. Foi solicitado então uma Tomografia Computadorizada, que evidenciou tumor de aproximadamente 1,7cm, em prega ventricular esquerda, encapsulado, hipodenso, sugestivo de lipoma. O paciente foi então encaminhado a cirurgia após realização de exames pré-operatórios, optando-se pela  via endoscópica. O diagnóstico anátomo-patológico confirmou-se tratar de LL. O paciente após 9 meses encontra-se assintomático, fazendo revisões trimestrais ambulatorialmente.

 


Fig 1. Tomografia Computadorizada (corte Axial)

 

 

 

Discussão:

 

Lipomas são tumores comuns em homens, em  razão de homens para mulheres de 5:1, ocorrendo entre sexta e sétima décadas de vida. Podemos classificar os LL em intrínsecos e extrínsecos, sendo os intrínsecos mais incomuns, surgindo em regiões como pregas ariepiglóticas e ventriculares, e epiglote¹,4. Essas áreas onde os lipomas são mais freqüentes, possuem a maior parte do tecido adiposo da laringe². Os tumores glóticos são raros de acontecer¹²³.

O sintoma mais comum do LL é a obstrução de vias aéreas, associado a sensação de globus faríngeo, disfonia e disfagia¹,²,³,4. Nosso paciente apresentava todos estes sintomas.

O diagnóstico de lipoma deve ser suspeitado baseado nos achados dos exames endoscópicos e radiológicos. Tumores de origem lipogênica possuem baixa atenuação à tomografia computadorizada¹,², em contraste com outros  tumores benignos como: leiomioma, condroma, neurofibroma e papiloma. Deve-se diferenciar o lipoma do lipossarcoma bem diferenciado, principalmente pelo caráter infiltrativo do último¹.

O tratamento do LL é eminentemente cirúrgico. Podem ser utilizados tanto a via endoscópica quanto a via externa, sendo que o fator que irá indicar qual delas deve se utilizar é o tamanho do tumor. Yanagisawa e Hausfeld¹ sugerem que apenas tumores pediculados devem ser removidos por endoscopia. Yoskovitch et al¹ indicam remoção por via externa para tumores maiores que 2 cm. Nosso paciente foi submetido a procedimento de exérese do tumor por via endoscópica, ocorrendo completa remoção do tumor.

 

Considerações finais:

O LL é uma patologia bastante rara, mas que sempre deve constar no diagnóstico diferencial de tumores laríngeos.

 

Monte aqui o seu manuscrito

Lipoma de laringe

Tomografia Computadorizada

Suplemento
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