ISSN 1806-9312  
Quinta, 24 de Outubro de 2019
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4515 - Vol. 79 / Edição 6 / Período: Novembro - Dezembro de 2013
Seção: Editorial Páginas: 654 a 654
Campanha Nacional da Voz - 2012
Autor(es):
Gustavo Korn

DOI: 10.5935/1808-8694.20130122

A 14ª edição da Campanha Nacional da Voz, realizada entre os dias 16 e 20 de abril de 2012, contou com a exposição da laringe gigante no Parque do Ibirapuera (São Paulo) e com o atendimento médico à população.

Os números da Campanha foram gratificantes. Na exposição do inflável, participaram mais de 70 residentes de diversos serviços e mais de 10.000 visitantes. Em relação ao atendimento médico, mais de 80 serviços credenciados por todo o país, entre clínicas públicas e particulares, participaram do evento. Vale destacar que quase um terço dos atendimentos foi realizado no Hospital das Clínicas da FMUSP, com o grande auxílio da Dra. Adriana Hachiya (Diretora da ABLV e Coordenadora Local da Campanha da Voz).

Por meio das informações obtidas de 1.800 fichas de atendimento, elaboramos uma análise descritiva, apresentada a seguir. Para comparar cada um dos achados do exame em relação ao gênero e faixa etária, foi utilizado o teste Qui-quadrado e, quando necessário, o teste Exato de Fisher.

A maioria dos atendimentos foi na Região Sudeste (64,2% de 1.399), seguido da Região Norte (18,4% de 1.399) e Nordeste (12,5% de 1.399). O Estado de São Paulo contou com 61,5% dos atendimentos. Houve predomínio do gênero feminino (67,6% de 1.784), e a média de idade de 48,6 anos (desvio padrão de 16,7 anos, de 1.692). Entre as queixas, observamos rouquidão/ voz alterada (15,4%), disfagia (9,4%), pigarro (4,1%), dor de garganta (3,6%), outras queixas (5,3%), e 50,4% da amostra com mais de uma queixa. Apenas 11,7% não apresentaram queixas. Em relação à duração dos sintomas, de 1.203, a maioria tinha duração de mais de 1 ano (53,9%), 13,9% com duração entre 6 meses e 1 ano, e 27,6% entre 15 dias e 6 meses. Apenas 4,7% com menos de 15 dias de queixas. A maioria da amostra declarou-se não tabagista (61,5% de 1.151) e não etilista (70,1% de 857). Praticamente um terço da amostra referiu uso profissional da voz (36,1% de 1358).

A avaliação da laringe foi realizada em 1.598 pacientes. O refluxo foi o principal achado (40,9%) seguido de nódulos de pregas vocais (6,8%), alterações estruturais mínimas (4,9%), edema de Reinke (4,3%), e pólipos (3%). A suspeita de lesão tumoral representou 1,6% da amostra. Exame normal, excetuando as alterações estruturais mínimas, foi verificado em 28,54%.

Na comparação dos dados, observou-se predomínio de nódulos de pregas vocais, edema de Reinke, e cisto no gênero feminino. Presença de leucoplasia e lesão tumoral predominaram no gênero masculino. Achados como nódulos, pólipos, cistos e alterações estruturais mínimas predominaram na faixa etária até os 60 anos, e os achados como leucoplasia, paralisia, e lesão tumoral predominaram na faixa acima dos 60 anos.

Deve-se atentar para a presença do refluxo, identificado em mais de um terço da população avaliada. Também merece destaque a suspeita de lesão tumoral em 1,6% da amostra, ou seja, 25 pacientes. Uma das principais preocupações da Campanha da Voz é a identificação de câncer de laringe se possível em uma fase precoce. Nesse levantamento, esses pacientes puderam ter a suspeita levantada e serem direcionados para avaliação e tratamento.

É importante citar três limitações deste levantamento:

1. A maioria dos pacientes atendidos apresentou alguma queixa vocal (aproximadamente 88%);

2. Muitas fichas retornaram com preenchimento incompleto dos dados;

3. A sistematização da avaliação não foi uniforme (alguns colegas usaram nasofibrolaringoscopia, outros a telelaringoscopia rígida e alguns a estroboscopia).


Esse é o primeiro levantamento em âmbito nacional da Campanha da Voz e estes dados são de grande importância para a Academia Brasileira de Laringe e Voz e a ABORL-CCF poderem utilizar quando pleitear alguma colaboração no Ministério da Saúde. Esperamos no futuro repetir esse levantamento e poder contar com essa valorosa e gentil contribuição de um número maior de colegas. Da mesma forma, esse levantamento pode servir de base para a elaboração de um projeto de pesquisa epidemiológico, em nível nacional ou internacional.

Por fim, deixo a minha grande gratidão a todos que colaboraram nessa Campanha como os médicos e serviços que participaram na exposição no Ibirapuera e que participaram dos atendimentos, todo o staff da ABORL-CCF, da Sintonia, e a Diretoria da ABLV, capitaneada pelo Dr. José Eduardo de Sá Pedroso.

Gustavo Korn,
Mestre e Doutor pelo Departamento de Otorrinolaringologia e Cirurgia de Cabeça e Pescoço da Universidade Federal de São Paulo. Diretor da Academia Brasileira de Laringologia e Voz (ABLV) e Coordenador Nacional da Campanha da Voz 2012-2013.
Indexações: MEDLINE, Exerpta Medica, Lilacs (Index Medicus Latinoamericano), SciELO (Scientific Electronic Library Online)
Classificação CAPES: Qualis Nacional A, Qualis Internacional C


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