ISSN 1806-9312  
Sexta, 14 de Junho de 2024
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3661 - Vol. 74 / Edição 3 / Período: Maio - Junho de 2008
Seção: Carta ao Editor Páginas: 327 a 327
Uma nova proposta de nomenclatura:
Autor(es):
Fábio Tadeu Moura Lorenzetti1, Gilberto Guanaes Simões Formigoni2, Michel Burihan Cahali3

Palavras-chave: apnéia do sono tipo obstrutiva, escleroterapia, ronco, terapia

Keywords: obstructive sleep apnea, sclerotherapy, snoring, therapy

Prezado Editor,

Um dos temas que tem aparecido com freqüência nos últimos congressos de nossa especialidade é a escleroterapia do palato mole para o tratamento do ronco e dos distúrbios respiratórios do sono (DRS), por ser uma promissora opção de terapia ambulatorial, com pouca dificuldade técnica e baixo custo. Apesar de este assunto ser abordado rotineiramente, falta uma padronização em relação à sua nomenclatura. Nossa proposta é sugerir um novo termo para designar este tipo de tratamento: "Injeção Roncoplástica".

Na área médica, o termo escleroterapia é consagrado para denominar o tratamento estético de varizes e telangiectasias, mas pode ser utilizado para descrever inúmeros tipos de terapias distintas, como no tratamento de: cistos tireoidianos, hidroceles, higromas císticos, hemangiomas, malformações venosas, varizes esofagianas, hemorróidas, dentre outros.

Mesmo quando este assunto é abordado em artigos e congressos de otorrinolaringologia, não existe uma denominação padrão para o uso de esclerosantes no tratamento do ronco, podendo gerar confusão. O mesmo tema pode ser descrito como: Escleroterapia para tratamento do ronco, Injeção de substâncias esclerosantes para tratamento do ronco, Tratamento do palato mole com substâncias esclerosantes, Terapia intersticial para o ronco, etc.

Embora Straus (1943) tenha sido o primeiro a utilizar a escleroterapia para o tratamento do ronco, foram Brietzke e Mair os responsáveis pelos principais estudos envolvendo esta modalidade terapêutica1-3. Publicaram estudos em 2001 e 2003, nos quais injetaram Sotradecol® (tetradecil sulfato de sódio) no palato mole de humanos, mostrando excelentes resultados clínicos para tratamento do ronco: 75 a 92% de sucesso com seguimento de 12 a 19 meses1,2. Em 2004, Brietzke e Mair desenvolveram um estudo comparativo entre diferentes tipos de substâncias esclerosantes para o tratamento do ronco. Notaram que o Etanol 50% foi o que apresentou eficácia mais semelhante ao Sotradecol®, com potencial discretamente maior para complicações3. Ainda existem poucos artigos na literatura sobre a escleroterapia para o tratamento do ronco, porém todos os existentes mostram resultados favoráveis1-6.

No Brasil, há pouquíssimos estudos nesta área. Em 2002, Lopes et al. injetaram Ethamolin® (oleato de monoetanolamina) na base da língua de suínos. Fizeram posterior análise histológica dos locais de injeção e observaram compactação e espessamento do colágeno, com formação de fibrose tecidual, significativamente aumentada em relação aos controles6. Atualmente, conduzimos um estudo envolvendo escleroterapia em palato mole de humanos para o tratamento do ronco e dos DRS: estamos comparando a injeção de Etanol 50% com a de Ethamolin®. Os resultados parciais têm sido bastante favoráveis e esperamos publicá-los em breve.

O termo escleroterapia é consagrado e amplamente difundido para designar inúmeros tratamentos médicos distintos, especialmente esclerose de varizes e telangiectasias. Desta maneira, nossa proposta é que o termo "Injeção Roncoplástica" seja utilizado para designar especificamente a aplicação de substâncias esclerosantes no palato mole para tratamento do ronco e dos DRS. Acreditamos que este termo seja mais adequado, pois além de ser distinto e auto-explicativo, é o que mais se aproxima do inglês "Injection Snoreplasty".


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

1. Brietzke SE, Mair EA. Injection snoreplasty: how to treat snoring without all the pain and expense. Otolaryngol Head Neck Surg 2001;124(5):503-10.

2. Brietzke SE, Mair EA. Injection snoreplasty: extended follow-up and new objective data. Otolaryngol Head Neck Surg 2003;128(5):605-15.

3. Brietzke SE, Mair EA. Injection snoreplasty: investigation of alternative sclerotherapy agents. Otolaryngol Head Neck Surg 2004;130(1):47-57.

4. Iseri M, Balcioglu O. Radiofrequency versus injection snoreplasty in simple snoring. Otolaryngol Head Neck Surg 2005;133:224-8.

5. Poyrazoglu E, Dogru S, Saat B, Gungor A, Cekin E, Cincik H. Histologic effects of injection snoreplasty and radiofrequency in the rat soft palate. Otolaryngol Head Neck Surg 2006;135(4):561-4.

6. Lopes RP, Gomes LG, Ramos D, Jamur MC, Oliveira JAA, Fomin DS. Injeção de substância esclerosante na base da língua: modelo experimental para tratamento da SAOS. Rev Bras Otorrinolaringol 2002;68(6):834-7.










Título de Especialista pela Associação Brasileira de Doutor em Ciências pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). Médico Supervisor da Divisão de Otorrinolaringologia do Hospital das Clínicas da FMUSP.
Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.
Endereço para correspondência: Fábio Tadeu Moura Lorenzetti - Av. Pres. Juscelino Kubitschek de Oliveira 789 Sala 28 Vergueiro 18035-060 Sorocaba SP. E-mail: drfabiootorrino@yahoo.com.br
Este artigo foi submetido no SGP (Sistema de Gestão de Publicações) da RBORL em 26 de novembro de 2007. cod. 5597
Artigo aceito em 1 de fevereiro de 2008.
Indexações: MEDLINE, Exerpta Medica, Lilacs (Index Medicus Latinoamericano), SciELO (Scientific Electronic Library Online)
Classificação CAPES: Qualis Nacional A, Qualis Internacional C


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