ISSN 1806-9312  
Quinta, 18 de Julho de 2024
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3409 - Vol. 72 / Edição 4 / Período: Julho - Agosto de 2006
Seção: Relato de Caso Páginas: 574 a
Hemangioma laríngeo
Autor(es):
Regina Helena Garcia Martins1, Arlindo Cardoso Lima Neto2, Graziela Semenzate3, Renan Lapate4

Palavras-chave: disfonia, hemangioma, laringe.

Keywords: dysphonia, hemangioma, larynx.

INTRODUÇÃO

Hemangioma é o tumor vascular mais comum, acomete a região da cabeça e pescoço em 60% dos casos, sendo raro na laringe. Na criança, é mais freqüente na subglote, ocasionando estridor e dispnéia1,2. No adulto, a região supraglica é o local mais acometido e os sintomas estão ausentes ou restritos aos quadros leves de disfonia ou disfagia. Muitas vezes o hemangioma supraglótico é achado endoscópico3,4.

APRESENTAÇÃO DOS CASOS

Os pacientes deste estudo pertenciam ao HC da Faculdade de Medicina de Botucatu (Unesp).

Caso 1

29 anos, feminina, rouca desce criança. Apresentava voz áspera, baixa, soprosa e diplofônica. À telescopia observou-se a presença de um tumor violáceo e séssil na prega ariepiglótica esquerda, de 2,5cm de diâmetro, pregas vocais atróficas e fenda fusiforme à fonação. (Figura 1a e b).

Caso 2

34 anos, masculino, rouco em situações de abuso vocal há cinco anos. Há um mês, durante exame de endoscopia digestiva alta, verificou-se uma "mancha azulada na laringe". À telescopia, observou-se a presença de um tumor azulado, séssil, envolvendo a prega vestibular esquerda, a prega vocal e a base de língua. A prega vocal esquerda encontrava-se irregular e atrófica (Figura 1c e d).

Em ambos os casos apresentados acima, os pacientes não referiam sintomas respiratórios, adotando-se a conduta expectante.


Figura 1. Hemangioma laríngeo (setas).


DISCUSSÃO

Quando assintomáticos, os hemangiomas laríngeos podem ser diagnosticados por outros especialistas, durante exames endoscópicos, como ocorreu no caso 2 deste texto, sem que o paciente apresentasse sintomas vocais relevantes nas atividades diárias.

Tanto no caso 1 como no 2, as pregas vocais apresentavam-se alteradas. No caso 1 encontravam-se atróficas, com diminuição da onda glótica e com fenda fusiforme, sinais estes indicativos de provável sulco vocal. Pontes et al.5, ao descreverem as lesões estruturais mínimas, ressaltaram a possibilidade de associação destas em um mesmo paciente, devido às peculiaridades embriogênicas da laringe. Neste caso, a confirmação do diagnóstico seria conseguida por meio da laringoscopia direta, procedimento este rejeitado pelo paciente.

A endoscopia quase sempre é suficiente para o diagnóstico de hemangioma, reservando-se os exames complementares, como ressonância nuclear magnética contrastada e angiografia aos tumores volumosos e aos pacientes cirúrgicos, com sintomas respiratórios. A biópsia é contra-indicada devido ao risco de grave sangramento2,3,4,6.

COMENTÁRIOS FINAIS

O hemangioma laríngeo pode ou não causar sintomas e, pela possível extensão às estruturas adjacentes e associação com outras lesões laríngeas, o exame endoscópico deverá ser minucioso e realizado com cautela.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

1. Gontijo B, Silva CMR, Pereira LB: Hemangioma da infância. An Bras Dermatol 2003;86:651-73.

2. Van Aalst JA, Bhuller A, Sadove AM: Pediatric vascular lesions - J Craniofac Surg 2003;14:566-83.

3. Shpitzer T, Noyek AM, Witterick I, Kassel T, Ichise M, Gullane P, Neligan P, Freeman J: Noncutaneous hemangiomas of the head and neck. Am J Otolaryngol 1997;18:367-74.

4. Gutiérrez HA, Dias MAD, Nieto S, Arzadun AH: Hemangioma cavernoso laríngeo del adulto. ORL-DIPS 2003;30:142-4.

5. Pontes P, Behlau M, Gonçalves J. Alterações estruturais mínimas da laringe: considerações básicas. Acta Awho 1994;13:2-6.

6. Rahbar R, Nicollas R, Roger G, Triglia JM, Garabedian EN, McGill TJ, Healy GB: The biology and management of subglottic hemangioma: past, present, future. Laryngoscope 2004;114:1880-91.

1 Professora Assistente, Doutora em Cirurgia pela Faculdade de Medicina de Botucatu - Unesp. Responsável pelo ambulatório de foniatria e voz. Docente da Disciplina de Otorrinolaringologia da Universidade Estadual Paulista-Unesp, Campus de Botucatu.
2 Médico residente da disciplina de otorrinolaringologia da Faculdade de Medicina de Botucatu - UNESP.
3 Médica residente da disciplina de otorrinolaringologia da Faculdade de Medicina de Botucatu - UNESP.
4 Acadêmico do curso de Medicina da Universidade Estadual Paulista (Unesp), Campus de Botucatu.
Disciplina de Otorrinolaringologia da Faculdade de Medicina de Botucatu (UNESP).
Endereço para correspondência: Regina Helena Garcia Martins - Disciplina de Otorrinolaringologia, Departamento de Oftalmologia, Otorrinolaringologia e Cirurgia de Cabeça e Pescoço da Faculdade de Medicina de Botucatu, Distrito de Rubião Junior, Botucatu (SP). 18618-970
Fone/Fax: (0xx14) 3811-6256 - E-mail: rmartins@fmb.unesp.br.
Este artigo foi submetido no SGP (Sistema de Gestão de Publicações) da RBORL em 2 de setembro de 2005.
Artigo aceito em 11 de maio de 2006.
Indexações: MEDLINE, Exerpta Medica, Lilacs (Index Medicus Latinoamericano), SciELO (Scientific Electronic Library Online)
Classificação CAPES: Qualis Nacional A, Qualis Internacional C


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