ISSN 1806-9312  
Segunda, 27 de Maio de 2024
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294 - Vol. 3 / Edição 4 / Período: Julho - Agosto de 1935
Seção: Revista das Revistas Páginas: 397 a 417
REVISTA DAS REVISTAS - PARTE 2
Autor(es):
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PASSOW-SCHAEFER-BEITRAEGE
Vol. 31 - Caderno 6 -Março 1934. (Berlim )

OLGA GANGL e JOHS. ZANGE (Graz) - Meningite otogenica - Pag. 369.

Os AA. desenvolvem longamente a questão da meningite otogenica e, quanto ao tratamento, que é importante, fica no conhecido:

a) - erradicação do foco inicial; b) - punções raquidianas sucessivas; c) - urotropina e sais similares; d) - drenagem da cisterna magna, etc. As estatisticas apresentadas não melhoraram a situação. Quanto mais cedo a intervenção cirurgica, eliminando o fóco, tanto maiores as probabilidades de cura.

As otites agúdas produzem meningites mais graves que as cronicas. Os abcessos do cerebro são, na opinião dos AA., em grande numero de casos, a causa inicial do surto meningêo.

KURT ERICH STIX (Würzburg) - Estado da pneumatisação da mastoide nas diferentes molestias do ouvido médio dos meninos - Pag. 475.

Albrecht e Steurer demonstraram que nas otites médias agúdas dos adultos, uma pneumatisação normal da apofise mastoide, favorece a cura no sentido de um decurso sem complicações referentes á cronicidade da otite e a fusão da propria mastoide. Nestas condições os casos raramente operados curam-se em pouco tempo e sem outras complicações post-operatorias.

Segundo o A., com as crianças as cousas passam-se de outro modo, quanto melhor fôr a pneumatisação, tanto mais provavel será a complicação da otite média agúda no sentido de uma mastoidite, com osteite da mastoide. Neste grupo devem estar os casos de meningites otogenicas em crianças, com pneumatisação quasi ideal da mastoide. Deve-se, por isto considerar, com grande cuidado, as radiografias dos casos em que uma destruição ossea não esteja claramente reconhecivel, no ponto de vista do prognostico. Quanto peior fôr a pneumatisação, tanto maior o tempo de decurso da otíte. Nas otites médias cronicas não se póde, só pela pneumatisação, que não existe na maioria dos casos ou pelo menos apresenta-se paralisada, dizer como para os casos de otites médias agúdas, se se deve ou não esperar um discurso complicado da molestia.
Nestes casos uma indicação radiografica só deverá ser tida em consideração, quando da existencia de sinais de destruição ossea ou de cavidades de colesteatomas.

PETER GOERG (Würzburg) - Sobre deiscências do canal osseo do facial - Pag. 483.

O A. resume o seu trabalho:

1) - Em mais ou menos a metade dos casos (examinou 60 crâneos), o canal osseo do facial apresenta-se deiscênte.

2) - Mais ou menos 415 das deiscências do canal do facial, estão situadas em seu decurso pelo cavum timpanico.

3) - As deiscências existem em qualquer idade.

4) - São mais frequentes entre 1 e 4 anos.

M. O. R.


ARCHIV FOR OHREN-, NASEN- UND KEHLKOPFHEILKUNDE Vol. 139 - Fascículo 1 e 2 - 1935. (Berlim).

DR. BRUNO GRIESSMANN (Nürnberg) - Perigos da anestesia local e um meio de evitá-los - Pag. 109.

O A. pensa que as canulas de injeções até agora utilisadas, cujas aberturas seguem os eixos das mesmas, são instrumentos incompletos. Ao penetrar estas pontas em bisel, cortam o tecido na fórma da abertura e formam, assim, um retalho obturador que bloqueia o lume da agulha. Este bloqueio poderá produzir erros graves, tais como não se saber que a ponta da agulha esteja ou não no interior de um vaso; o ser injetado neste mesmo vaso, ocasionando uma obturação embolica do mesmo. Caso este pedaço de tecido seja injetado, perturbações locais, e mais tarde gerais, serão possiveis (abcessos e flegmões, abcessos pulmonares e infartos embolicos). O A. descreve uma nova agulha para injeções, que afasta os tecidos e cujo orifício de saída, do liquido a injetar, é lateral e daí não poder ser obstruida.

Não penso que estejam, só na fórma da agulha, os perigos decorrentes da anestesia local, outros existem que são do conhecimento de todos que praticam esta fórma de anestesia e que, em sua maioria, quasi absoluta, poderão ser evitados.

DR. VICTOR FRÜHWOLD (Viena) - Consequencias do fechamento unilateral do nariz sobre a mucosa olfativa, sobre o bulbus e tractus olfatorius - Pag. 153.

Resumindo, diz o A. que o impedimento da respiração nasal, nos individuos jovens, ocasiona uma redução da mucosa olfativa, ao passo que o mesmo fato, em adultos, produz perturbações degenerativas desta mesma mucosa. Em ambos os casos, pôde-se seguir a atrofia da mucosa olfativa até o bulbus, onde cessa com o aparecimento dos primeiros neuronios. Correspondentes ás modificações da mucosa olfativa, principalmente nos individuos jovens, encontram-se modificações quantitativas puras no bulbus, conforme mostram os estudos do A., ao passo que para os adultos têm lugar modificações degenerativas deste mesmo bulbus, de acôrdo com os estudos de Brunner. O autor, estudando se só seriam os fatores inflamatorios os responsaveis por esta extraordinaria sensibilidade da mucosa olfativa, ou se a oclusão nasal não gozaria, tambem, de papel preponderante nas queixas frequentes dos pacientes, sobre diminuições do olfáto ou mesmo sua ausencia, como nos portadores de desvios do septo nasal, hipertrofia dos cornetos, isto é, de obstruções nasais uni ou bilaterais, achou que, de fáto, estas ultimas causas entram, tambem, na constituição da anosmía, e isto de acórdo com o grau, maior ou menor, de modificações degenerativas da mucosa olfativa, que alcançam tanta maior extensão quanto datem dos primeiros anos de vida do portador. Estes fatos são confirmados pela volta do olfáto, após as intervenções praticadas com o fito de melhorar a respiração nasal ou a obstrução. Restaria, ainda, a questão, até agora insoluvel, de como a falta da passagem do ar, pelo nariz, produziria atrofia do epitelio olfativo, quando é sabido que o ar apenas toca a rima olfativa. Este ponto, as experiencias do autor não resolveu.

M. O. R.

MONATSSCHRIFT FÜR OHRENHEILKUNDE UND LARYNGORHINOLOGIE.
Vol. 68 - Novembro de 1934 (Viena).

H. BRUNNER - O comportamento do temporal nos tumores do acustico - Pag. 1279.

Existe uma grande quantidade de trabalhos sobre a clinica dos tumores do acustico e sua anatomia e não ha ainda unidade de vista sobre sua histologia. Assim tambem nessas infatigaveis pesquisas, tem ficado o estudo do temporal, em face desses tumores, em um segundo plano.
O A. divide os tumores em dois grupos. O primeiro é constituido por tumores de grande tamanho, que conduzem o conduto auditivo interno a um extraordinario alargamento. No ouvido interno encontra-se nitida atrofia degenerativa do aparelho neuro-ganglionar, no qual a haste do coclear é mais comprometida que a do vestibular, além da formação de secreção sorosa ou soro-fibrinosa nos espaços vasios do ouvido interno. Os pontos terminais do sentido são encontrados ora degenerados, ora normais; este ultimo caso justifica a reserva que certos autores emprestam ás celular de cabelo do órgão de Corti. Clinicamente, nesses tumores, ha surdez e inexcitabilidade do labirinto. O segundo grupo de tumores compõe-se de pequenas formações do acustico, que não provocam alargamento algum do conduto e que na maioria das vezes constituem verdadeiros achados de autopsia. E tambem o aparelho neuro-ganglionar é encontrado intacto. Clinicamente não se observa nem surdez, nem inexcitabilidade do labirinto.
Este ligeiro golpe de vista mostra que nossos conhecimentos a respeito do comportamento do ouvido interno, em face dos tumores do acustico podem ser considerados como suficientes. Isto é porém apenas aparente, porque na maioria dos casos os exames têm sido insuficientes; ora falta o exame clinico, ora o diagnostico histologico do tumor, assim como o exame do temporal do lado doente e do lado são.

Analisa o A. com toda a minucia dois casos de tumor, sendo um do angulo ponto e outro do acustico. O tumor do angulo ponto tinha o tamanho de um ovo de galinha, que comprimia o hemisferio cerebeloso direito e a ponte. O trigêmeu comprimido, o facial achatado e o inter-
mediario como um fino cordão. O VIII.º do mesmo modo comprimido. A biópsia deu o seguinte resultado: netrinoma cistico do VIII.º. Segue-se o exame microscopico do temporal, que é observado em todas as suas partes, anotadas as lesões encontradas.
O segundo caso é o de um tumor do acustico esquerdo. Tratava-se de tumor duro assestado no porus acusticus. Na base do cerebro, á esquerda da ponte, um tumor oval do tamanho de 4 cent. O exame histologico revelou: neurinoma.

CARCHAK - Utilização do diagnostico local na oto-neurologia Pag. 1324.

Nos ultimos decenios a oto-laringologia tem crescido extraordinariamente. Não ha agora quasi especialidade alguma, na qual a oto-laringologia não facilite o diagnostico e não indique o tratamento adequado. A oto-neurologia especialmente, após os trabalhos de Barany, contribúe para esse fim. Dá ela frequentemente possibilidade para um diagnostico exato independente do neurologista e reforçado por ele. Nós temos, por assim dizer, a possibilidade de ver o cerebro através do ouvido. O A. aproveita o material interessante sob o ponto de vista do diagnostico tópico, descreve o seu metodo gráfico, que consegue surpreender perturbações da coordenação dos movimentos, que de outra forma não seria possivel.

O A. apresenta a seguir uma série muito interessante de doentes, portadores de afecções diversas, quer do labirinto, quer do sistema nervoso central, nos quais o diagnostico do otologista foi cotejado com o do neuriatra. Em alguns desses casos os exames mostravam-se negativos mas o sinal do indicador, pelo processo do A., evidenciou lesão que de outra forma não seria possivel suspeitar.

PAVEL ZAVISKA - Lesões do ouvido por intoxicação pela carne - Pag. 1333.

O quadro clinico da intoxicação é o seguinte: cefaléas, vertigens, diversos sintomas para o lado dos nervos crâneanos, como midríase, perturbações da acomodação, perturbações dos musculos óculo-motores com diplopia, raras paralisias das extremidades.

Dos oito doentes observados pelo A. cinco apresentavam tambem lesão do coclear e em pequena escala. Em nenhum houve surdez. O acometimento do coclear retrocedeu mais prontamente que o do vestibular. Com relação á localização da doença, trata-se de um processo retro-labirintico. O agente causador é o bacilo botulino.

Recomenda o autor o tratamento pela proteina, que abrevia o decurso dos sinais vestibulares; empregou o yatren-caseina e tambem o polysan. Este ultimo é um hidroxido de magnesio coloidal, que atúa tambem como proteina, além de sua ação coloidal, eleva o numero dos leucocitos, tendo o A. feito experiencias em pessoas sans.

BELA FIALOWSKY - Paralisia facial coom causa de ruidos objetivos do ouvido - Pag. 1339.

Não é muito conhecido o fato de que a paralisia facial ocasino incomodo do ouvido. Tambem aquelas tidas como reumaticas iniciam-se com otalgia, o que se explica com o compromentimento do trigêmeu. A paralisia facial perturba a função do ouvido, tanto a cóclea como o vestibulo, em vista da interrupção da inervação do musculo estapediano. O A. relata um caso de paralisia facial, no qual o médico, por meio do otoscopio, ouvia os ruidos que eram acusados pelo doente, principalmente ao mastigar, engulir e bocejar. Com a regressão da paralisia, cessaram os fenomenos observados. Os ruidos objetivos são classificados em três grupos: 1 - ligados aos grupos musculares; 2 - ruidos vasculares; 3 - ligados á abertura da trompa.

TIBOR V. BAJKAJ - Contribuição á cirurgia do antro frontal - Pag. 1341.

Quando os sintomas são ameaçadores não se deve adiar a intervenção e esta deve ser ampla. Quando não houver complicações, o empiema deve ser tratado de modo conservador. Este compõe-se de lavagens, que nem sempre se consegue. A causa desse insucesso reside ora no nariz, ora no antro. As causas nasais são os embaraços mecanicos, que podem ser operados; as causas entrais são provenientes do tamanho exagerado do antro ou espessamento da mucosa que atapeta o antro.

Quando o tratamento endo-nasal não consegue fazer cessar a supuração, Hajek espera semanas e até meses; Jacques 6 semanas, Botey 6 a 9 meses. Uffenorde opera externamente quando sobrevêm cefaléas e vertigens; Bruegmann opera quando, após 2 ou 3 semanas de lavagens, o pús apresenta-se fétido e ha cefaléa.

Outros autores ligam a indicação á flora microbiana: difteria, estreptococo hemolitico e mucoso são elementos para certos autores indicarem a operação. O que é necessario é obter uma ótima drenagem entre o antro e a cavidade nasal; por isso é necessario evitar a formação de estenoses por meio de sondas de metal e cauterizar as granulações com sol. de nitrato de prata a 10 %.

Segue o A. a regra geral de retirar completamente a mucosa do antro, por que qualquer resto que permaneça, pode ser causa de abcessos, cistos e recidivas. A escolha do processo operatorio depende das modificações ósseas, fistulas, complicações cerebrais ou orbitarias, etc. Deve tambem ser levado em conta a forma, a extensão do antro, seus recessos e localização do septo inter-antral. O A. tem empregado os processos de Kuhn-Taptas, Killian, Jansen-Ritter e Riedel. Os casos bilaterais são operados em uma só sessão e pelo mesmo processo.

Quando ha tambem comprometimento do maxilar, o A. recomenda intervir primeiro neste ultimo, o que ás vezes basta para fazer regredir a inflamação do frontal.

As complicações cerebrais são: meningite serosa ou purulenta, abcesso extradural, abcesso do cerebro e trombose do seio longitudinal ou cavernoso. Nos casos de meningite faz o A. punção lombar ou do ventriculo e remove a parede cerebral do antro. Se não houver melhora, trata-se de abcesso. Neste caso, punção e esvasiamento. Pensa em sinustrombose quando aparece piemia em operado sem complicações. Quando ha flegmão da órbita é necessaria operação radical imediata e abertura do flegmão. A osteomielite é tambem uma perigosa complicação e por isso deve-se operar rapidamente, logo que se observe uma flutuação, retirando-se o osso afetado.

Recidivas devidas a recessos mal curetados, ou a interrupção da comunicação entre o antro e o nariz, são reoperadas e refeito o alargamento do canal naso-frontal.

Nos casos de mucocele é obrigatoria a operação por via externa. Os osteomas devem ser operados pelo, processo de Moure e Kuhnt. Os tumores malignos metastaticos ou primitivos são operados radicalmente e a seguir irradiados.

EMIL WESSELY - Sobre as irradiações fracionadas e protraidas dos tumores da laringe e faringe (Coutard) - Pag. 1351.

1) A constituição particular da laringe e sua localização no cruzamento dos tratos respiratorio e digestivo, ocasiona graves riscos durante e após a roentgenterapia segundo Coutard. 2) A irradiação é, pela formação da radioepitelite, comparavel a uma operação grave e justifica uma seleção dos casos, com limite de indicação, como o proprio Coutard recomenda. As contraindicações baseiam-se sobretudo em processos latentes ou morosos de tuberculose, idade avançada e estado geral caquetico ou enfraquecido. Finalmente doença adiantada do coração e rins. 3) Para a tolerancia de super-doses no territorio irradiado, deve-se evitar a possibilidade de infecções. Devem ser extraidas as raizes cariadas e o tartaro dentario, bem como feito o tratamento da boca. 4) A irradiação deve ser suspensa: a) quando apenas um campo cutanio pode ser usado e com o emprego da dose maxima não se obtem resultado; b) çuando em vez de uma irratação normal geral se observam sinais de uma verdadeira caquexia; c) febre alta, porque esta denuncia possivelmente uma pneumonia ou uma complicação local. 5) A irradiação deve ser interrompida e proseguida com dose diminuida quando as reações locais da mucosa aparecem muito cedo ou muito tempestuosas. 6) A utilização da reação da mucosa como garantia para o gráu da ação sobre o tumor, não nos parece muito segura e sob muitos aspectos por demais confiante. 7) E preciso tambem considerar, debaixo de certas circunstancias, que no caso de resistencia á irradiação, não se pode recorrer logo á operação e que meses de espera fazem perder tempo precioso. Ao contrario, após a operação, é possivel a irradiação, idéa que Coutard claramente enunciou.

A roentgenterapia dos tumores malignos na laringe e faringe pelo Regaud-Coutard, significa um verdadeiro progresso da terapeutica dos tumores malignos. As diversas dificuldades de aplicação e as reações individuais são vencidas unicamente com a estreita colaboração entre o radioterapeuta e o laringologista. Só se pode julgar como cura quando decorreram cinco anos após o regresso do tumor.

DR. ROBERTO OLIVA


Vol. 68 - Dezembro de 1934. (Viena).

HAJEK E FELLER - Decurso raro de ferimento do esofago por corpo estranho - Pag. 1407.

Os AA. descrevem o caso tipico de artéria subclavia dextra lusoria, que, como sempre, corre entre o esofago e a coluna em direcção ao membro superior.

Tratava-se de uma mulher hipertonica, na qual o cruzamento do vaso anomalo, provocou no esofago um embaraço, de modo que, engasgando-se com um osso de galinha, (6 semanas e 4 dias antes da morte), este permaneceu no ponto atresiado.

Uma inflamação circunscrita da parede do esofago, no ponto de petração do osso, provocou 8 formação de aneurisma perfurado, o que ocasionou hemorragia mortal. Na literatura, só foi encontrado um caso análogo.

O interesse desta comunicação reside não só na raridade do caso, como também na indicação de importancia pratica nessa variedade arterial tipica, tão frequente, como é a arteria subclavia lusoria.

EGBERT ERTL - Sobre a clinica e patologia das tonsilites e o estado de irritação dos nichos tonsilares - Pag. 1419.

As modificações caracteristicas descritas por Dietrich para as tonsilites cronicas, encontram-se também em casos em que a anamnese é completamente negativa e que nenhum outro sintoma clinico apresentam, alem de coleção, nas lacunas, de massas de detritos com leucocitos.

Mesmo quando os processos patologicos, nas tonsilites cronicas, são muito intensos, não é sempre possivel uma distinção das duas especies de doença (i. é da tonsilite e do processo á distancia), quanto ao numera e propagação das variações patologicos.

Um augmento dos leucocitos nos esfregaços das criptas, é prova de que nelas existem processos patologicos, que nem sempre vêm registrados na anamnese. Encontram-se também em exames clinicos de individuos portadores de amigdalas tidas como sans, sem nenhuma inflamação manifesta, um aumento dos leucocitos no conteúdo das criptas em 71 % dos casos.

Os metodos clinicos de exame não demonstram, em todos os casos, um aumento de leucocitos nas lacunas.

As inflamações existentes nas lacunas, têm sua causa na retenção de restos celulares e posteriormente de bacterias e cogumelos.

A retenção é por sua vez entretida pela dificuldade de limpeza da cripta, que é ocasionada por processos cicatriciais opôs inflamações das lacunas.

Nenhuma conclusão se pode tirar da existencia, no esfregaço, de leucocitos e linfocitos, com relação a sintomas á distancia (por ex. reumatismo), pois esse comportamento misto pode aparecer em diversos pacientes, com o mesmo quadro clinico, enquanto que em outros pode falhar mesmo em pesquisas repetidas.

JEAN TARNEAUD - Congestão da corda vocal, unilateral, de fundo vasomotor (monocordite vaso-motora) - Pag. 1440.

A congestão de uma corda vocal pode se produzir em seguida a perturbação vasomotora de natureza reflexa e constituir a sindrome simpatico-vocal.

A inflamação demorada transforma-se em estado atrofico da corda vocal. Nas observações do A. a paralisia vascular teve origem intestinal e ovariana, favorecida pela atividade vocal. A etiologia desta monocordite, ligá-se pois a uma perturbação organica do territorio homolateral do simpatico.

JANNULIS - Contribuição ao estudo do comprometimento do vestibular (Dissociação da reação calorica e rotatoria no parkinsonismo - Pag. 1510.

Após varias doenças que provocam o parkinsonismo, é observado um comprometimento constante da reação calorica. Em um caso foi o dengue a causa do parkinsonismo.

Nos casos benignos é observado o comprometimento unilateral e frequentemente do lado oposto ao da extremidade afetada.

Nos casos graves o comprometimento é bilateral.

Após melhora do estado geral pôde-se afirmar diminuição do comprometimento; de que lado a reação calorica se restabeleceu em primeiro lugar, não se poude verificar.

Em um caso de dengue houve também lesão do coclear.

Em um caso de transplantação de substancia cerebral, não houve resultado seguro. Do exame tirou-se a conclusão de que a reação calorica e a coclear devem ser ligadas a uma perturbação do quimismo da endolinfa, justamente como acontece nos processos inflamatorios; quando apenas o vestibular for atacado, então se poderá ligar a lesão ás modificações hidrodinamicas, ou aos centros altos, que se acham antes do cruzamento, na altura das fibras arcuadas. Estes ultimos processos são passiveis de uma regressão mais rapida. E' notavel que nos parkinsonianos a substancia negra mostre uma alteração que é descrita como tonus-frenadora e constitúe também uma doença das fibras palido-fugais.

SCHLANDER - Paralisía bilateral das cordas vocais por lesão unilateral do vago - Pag. 1521.

O A. é obrigado a pinçar de urgencia a jugular de um doente, que anteriormente sofrêra a ligadura desse vaso. Esse pinçamento englobou também a carótida e o vago, o que foi verificado, quando, sob anestesia geral, a ligadura foi refeita. Imediatamente após o pinçamento o doente fica rouco e o exame da laringe mostra uma fixação de ambas as cordas vocais em abdução. E' preciso notar que o doente apresentava laringe normal.

A paralisia direita é facilmente explicavel pelo trauma. Dificil, se possivel, é a explicação da paralisia da corda esquerda. O A. pensa em uma lesão central, mas o acometimento imediato da corda, após o pinçamento, fala contra essa gênese. Assim também é posta de lado a idéa de artrite das aritenoides, anomalia dos pósticus, etc. Na discussão deste caso, Hirsch opina por lesão central pois a corotida primitiva foi pinçada. Hutter pensa em hematoma, que tenha comprimido os recurrentes.

DR. ROBERTO OLIVA


BOLLETTINO.DELLE MALATTIE DELL'ORECCHIO, DELLA GOLA, DEL NASO.
An. LVIII - N.° 1- Janeiro 1935 (Florença).

PROF. G. BORGHEGGIANI - Sobre um caso de abcesso peri-faringêo por oto-mastoidite, devido provavel alteração e difusão das celulas peri-tubarias - Pag. 5.

Neste artigo, relata o A. a observação de um menino de 11 anos, que tendo tido uma otite media agúda esquerda, com ruptura espontanea da membrana timpanica no 4.° dia, evoluiu a mesma para uma mastoidite, sendo operado no fim de um mês. Quinze dias depois da antrotomía, ha bruscamente uma recrudescencia da otite, acompanada de cefaléa, vomitos, temperatura elevada, fotofobía e nevralgía no territorio do 1.° e 2.° ramos do trigemio. Proteinoterapía, sem resultado apreciavel. Operação radical: exposição ampla da meninge da fossa crâneana média e, macroscopicamente, não foram encontrados sinais de paquimeningite externa ou de abcesso extra-dural. Decurso operatorio bom, com desapa-
recimento da cefaléa e da fotofobía e remissão da febre no 2.° dia. Mas, alguns dias depois, queixa-se a creança de disfagía, localisando as dores na região latero-cervical esquerda, correspondente á loja amigdaliana. Aumento progressivo da tumefação peri-tonsilar, que tambem vae se extendendo ao longo do musculo esterno-cleido-mastoidêo. Uma punção exploradora da loja amigdaliana, deu resultado negativo. Acentuando-se os fenomenos gerais (temperatura 39°) e locais e, receiando-se edema do laringe, foi feita uma intervenção para o lado do pescoço, prolongando-se para baixo a incisão da mastoide e seguindo-se o bordo posterior do esterno-cleido: não saíu pus da loja latero-faringéa, nem da retro-visceral. Pela palpação combinada do oro-faringe e da parte profunda da ferida operatoria, tinha-se a sensação de uma massa arredondada muito resistente, entre a loja tonsilar e o feixe vasculo-nervoso do pescoço. Mantinha-se o caso nesse estado estacionario, quando no 4.° dia após a ultima intervenção, ao ser retirada a gaze da ferida operatoria retro-mastoidéa, deu-se a saída de grande quantidade de pus. Regressão rapida da tumefação faringéa e cura um mês depois.

O A. pensa que o abcesso peri-faringeo do seu caso, teve por origem uma osteite difusa das células peri-tubarias. A infecção foi-se propagando pelas paredes da trompa e ducto do musculo do martelo, até a loja para-estiloidéa ou espaço sub-glandular anterior de Sebileau que, embaixo, corresponde a região para-tonsilar.

PROF. L. BELLUCCI (Siena) - Sobre a patogenía da ozena (prioridade de idéa) - Pag. 11.

O A. chama para si a prioridade da idéa de ser a ozena considerada como uma eventualidade patogénica oriunda de uma insuficiencia paratiroideana. Em 1928 afirmára, em comunicação apresentada na "R. Academía dei Fisiocritici de Siena", a estreita relação existente entre a disfunção paratiroideana e as lesões da mucosa das primeiras vias respiratorias, e ao mesmo tempo chamava a atenção dos otorinolaringologistas sobre o interesse que podia ter o estudo do equilibrio electrolitico (calcemía) c da ação do hormonio paratiroideano (parathormonio de Collip) nos ozenosos, estudos esses feitos posteriormente por Briani, que confirmaram o ponto de vista do A.

PROF. A. BRONZINI (Pisa) - Apresentação de uma operada de adenoma da hipófise Pag. 15.

O A. apresenta uma operada de adenoma da hipófise, pelo método de Cávina (rinotomia lateral esquerda). Seis meses depois da intervenção, a doente apresentava notavel melhora: a sonolência tinha desaparecido, aumento do campo visual, diminuição de 8 quilos no peso; os sinais de acromegalía estavam atenuados.

O A., 45 dias depois da intervenção, fez a doente submeter-se á uma serie de aplicações de raios X.

Aconselha o A. a intervenção precóce para tais casos, antes do comprometimento dos nervos óticos.

P. NATALE (Taranto) - Tuberculóse do laringe clinicamente simulando um blastoma - Pag. 21.

O A. estuda detalhadamente, sob o ponto de vista clinico e histopatologico, um caso de tuberculoma do laringe, clinicamente simulado um blastoma. Tratava-se de um homem de 42 anos, com epiglóte bilobada no centro de seu bordo livre e três vezes mais espessa que normalmente, pela presença, na sua face interna, de uma massa carnosa, vermelha escura, com a sua extremidade inferior implantada ao nível da comissura anterior. Uma outra neoformação, um pouco maior que a precedente, estava implantada por fino pediculo, abaixo da comissura posterior. Ausencia de b de Koch no escárro. Wassermann negativo. Ablação das massas tumorais, que pelo exame histopatologico, mostraram ser de natureza tuberculosa (tuberculoma), e não maligna, como se suspeitava.

H. C.

An. LIII - N.° 2 - Fevereiro 1935. (Florença)

PROF. S. TRAINA (Pisa) - Sindrome palidez-hipertermía em uma creança operada de mastoidite; cura - Pag. 57.

O A. relata o caso de uma creança de dois anos, operada ás 19 horas de mastoidite (narcóse pelo éter) e que durante a noite tornou-se muito pálida, temperatura 40°, 5, pulso 170, miósis, opistótonos, globos oculares voltados para cima, dando a impressão de morte iminente. Injeções canforadas, cafeína, adrenalina (X gotas por via oral). As 9 horas do dia seguinte: punção lombar sem resultado imediato, injeção de 1/2 cc. de adrenalina. Melhora; injeções de 200 cc. de sôro glicosado; injeção de esparteína, de digaleno e de oleo canforado; ás 22 horas: 150 cc. de sôro. Parece removido o perigo imediato; quéda da temperatura para 39°, 1 ; a creança passa tranquilamente a noite e daí em deante tudo entra em ordem.

O A., depois de fazer varias considerações sobre o caso, pensa num síndrome de hiposuprarenalismo agúdo consequente á uma toxemia grave devido a abertura dos vasos do fóco purulento.

E. LIVERIERO (Turim) - Nota clinica sobre o uso e efeitos do veneno de cobra em oto-ripo-laringología - Pag. 69.

O A. refere-se a cinco casos de doentes portadores de neoplasmas, com algias, nos quais as injeções de veneno de cobra deram bons resultados analgesicos.

H. C.


ARCHIVIO ITALIANO DI OTOLOGIA, RINOLOGIA E LARINGOLOGIA
Vol. XLVI - Fasc. VI - Junho de 1934 (Milão).

F. CARNEVALE RICCI (Milão) - Sobre a agranulocitóse experimental - Pag. 401.

Nos casos tipicos de agranulocitóse, as pesquizas bacteriologicas praticadas por inumeros autores, sobre os focos ulcero-necroticos tonsilares e faringeanos, com o fim de ser identificado um virus especifico causador de tão grave afecção, até hoje não deram resultados positivos. Tanto nesse focos, como na hemocultura, foram isolados germens os mais variados (o estreptococo hemolitico e o anhemolico (são os mais frequentes), o pneumococo, o estafilicoco, o diplococo lanceolato, o piocianico, o bacterium colli, o mucoso, o bac. de Loeffler, o meningococo, o perfrigens etc.)

O A. estudou experimentalmente em coelhos a ação desses germens isolados dos focos necroticos da garganta de tais doentes, e tambem a ação da inoculação, em animal, do sangue dos ditos doentes. Notou que essas inoculações provocavam uma destruição mais ou menos notavel e duravel dos granulocitos, mas o quadro infeccioso experimental não apresentava uma afinidade certa com o quadro clinico da agranulocitóse humana.

O A. chegou a conclusão que, no homem, devem existir factores desconhecidos que favorecem a aparição desse processo mórbido e que não são notados no animal em experiencia.
A maioria dos autores consideram a agranulocitóse como um tipo particular de reação contra uma forma infecciosa ou toxica; eles tambem admitem a ação dum factor exogeno sobre o aparelho granulocitico em condições anormais, cuja essencia intima ainda não é conhecida.

L. CIURLO (Milão) - Sobre a morfología da lamina crivada do etmoide -Pag. 419.

O A. estudou a lamina crivada do etmoide em 500 crâneos de homens adultos e descreve as varias formas e modalidades que essa lamina se apresenta. Classifica depois os crâneos segundo o indice cefalico, facial e nasal e estuda a distribuição das diversas formas de laminas nos crâneos subdivididos segundo esses três indices. Estabelece as percentagens obtidas e conclue que existe uma certa relação entre o tipo crâneano e a forma da lamina crivada.

A. PERONI (Milão) - Abcessos da loja parotideana de origem otogenica - Pag. 447.

Friza o A. que esses abcessos da loja parotideana de origem otogenica não são muito comuns. Acredita que no seu primeiro caso, a propagação da infecção deu-se por contiguidade, pois a loja parotideana é em parte formada pelos condutos auditivos cartilaginoso e osseo. Havia uma otite purulenta cronica cálesteatomatosa, que se complicou com furunculose e condrite do conduto auditivo externo.

No seu 2.° caso, tratava-se de uma otite banal, mas agravada pela queimadura produzida por amoníaco introduzido pelo paciente por engano, no seu cond. aud. ext. e caixa. Provavelmente houve traumatismo da parede ant. do conduto, que favoreceu a passagem da infecção, talvez pela incissura de Santorini ou pelo atico, á loja parotideana. Neste seu caso tambem podia a infecção ter seguido a via linfatica.

F. P. CAMINITI (Florença) - Sobre um caso de abcesso extra-dural e trombose do seio transverso por estreptococo viridans. Cura - Pag. 457.

Relata o A. a observação de um homem, com 26 anos, que tendo tido uma amigdalite, começou a sentir dores no ouvido esquerdo durante quatro dias, só cedendo no quinto dia, com a saída de secreção purulenta. Mas, quatro dias depois, queixava-se de dores mastoideanas ao nível do antro, havendo leve infiltração dessa região. Hipertermía. Antrotomía: osteomielite difusa da mastoide. Exposição ampla do seio, que não pulsava. Dois dias depois da intervenção, como persistissem temperatura elevada (40°) e delírio, foi de novo reaberta a ferida operatoria e feita uma incisão em toda a parede do seio, saindo algumas, gotas de pus amarélo. Injeções de Lantol e curativos diarios. No sexto dia após esta ultima intervenção, a temperatura foi caíndo, o delirio desaparecendo. Nos dias subsequentes, melhora progressiva do estado geral, tendo alta, curado, no vigésimo dia. O exame direto do pus (Gram) e a hemocultura mostraram a presença do estreptococo viridans.

H. C.

IL VALSALVA
An. XI - N.° 1 - Janeiro 1935 (Roma)

C. MARSIGLI (Roma) - Alterações do esqueleto nasal secundarias á ablação do tímo - Pag. 3.

O A. estudou as alterações do esqueleto nasal após ablação total do tímo em coelhos jovens, pesando 300 a 700 gramas. O orgão retirado estava em estado de atividade funccional normal, revelado pelo exame histologico e, pesava de 50 a 70 centigramas. Na maioria dos casos, os animais tiveram um mês e meio de sobrevida e apresentavam uma hipertrofia do femur e formações nasais concomitantes ás dos ossos chatos do craneo. Histologicamente foi constatado uma poróse do osso dos cornetos (dilatação dos canais de Havers, raridade de osteoblastos, irregularidades da trabecula óssea, especialmente ao lado dos vasos, onde se acumulou tecido conjuntivo. Ausencia de osteoblastos e raro tecido ósseo neoformado.

Acredita o A. que provavelmente foi a hipocalcemia que produziu á poróse.

E. CIAPPE (Genova) - Pesquizas experimentais sobre o valor imunisante da anatoxina diftérica em animais teofilinisados e esplenectomizados - Pag. 16.

O A., após pesquisas experimentais em coelhos, conseguiu demonstrar a ação adjuvante da teseofilina na anatoxina-vacinação. Esta ação está ligada á grande permeabilidade dos tecidos provenientes dos corpos do prupo "purina", trazendo uma maior utilisação da anatoxina.

S. BILE (Napoles) - Uma movimentada traqueotomía de urgencia devido a presença de um enorme timo, em uma pequena creança "in extremis" atacada de diftería laringeana. Cura - Pag. 38.

A proposito de um caso de traqueotomía de urgencia por difteria, praticada em condições dramaticas e particularmente dificil, não só pelo estado gravissimo do pequeno doente, como tambem pela presença de um enorme tímo, o A. chama a atenção para a tecnica que emprega, que em circunstancias analogas, permite a intervenção sem o risco de lesar a voluminosa veia cervical anterior e o istmo da tireoide. Para tal, individualisa perfeitamente a linha branca cervical, que representa importante guia, não só para se permanecer no plano anterior, como tambem para descobrir seguramente os aneis traquiais, sem traumatisar inutilmente o grupo muscular subhioidêo e sem ferir a calibrosa veia jugular anterior.

A. PATRONI e GJARTO (Genova) - Contribuição sobre o funccionamento do labirinto posterior na sindrome de Bernard-Horner - Pag. 38.

Os AA. descrevem o funccionamento do labirinto posterior caso de sindrome de Bernard-Horner (associação de enoftalmía, de miósis, de ptóse ligeira da palpebra, com ligeira elevação do lado doente e sudação desse mesmo lado), consequente a um carcinoma latero-cervical direito. Exames repetidos mostraram uma diminuição marcada á excitação pelo frio e um aumento manifesto da excitação pelo calor. Acreditam que tal anomalia constitue provavelmente um complemento da sindrome de Bernard-Horner.

H.C.

L´OTO-RINO-LARINGOLOGIA ITALIANA Ano V - N.° 2 - Março de 1935 (Bolonha).

P. TULLIO e S. CANOVA - Estudo comparado sobre o estimulo calorico, cletrico, rotatorio, quimico e sonóro do labirinto acustico - Movimentos das azas, da cauda, das patas, obtidos em pombos péla estimulação sonóra dos canais semi-circulares - Pag. 103.

Os AA. pelo estimulo sonóro de cada uma das empolas, obtiveram movimentos, não sómente da cabeça, mas das azas, da cauda e das patas. Pelo estimulo sonóro do canal horizontal o pombo desvia a cabeça, levanta uma aza e abaixa a outra como se devesse voar; pelo estimulo dos canais superiores o animal levanta a cabeça, abre as azas como se estivesse em equilibrio de vôo; pelo estimulo de um só canal abaixa a aza do mesmo lado e leva a do lado oposto. Pelo estimulo dos canais posteriores, abaixa a cabeça, e dá ás azas a posição para se pousar; pelo estimulo de um só canal posterior, o movimento torna-se assimetrico e mais evidente do lado homolateral. Os movimentos são os mesmos que os produzidos pelo estimulo eletrico.

PROF. P. CARCÓ (Catania) - Sobre a participação do seio frontal do homem, nas modificações da mecanica respiratoria - Pag. 110.

O A. estudou, sobre um individuo que apresentava uma abertura traumatica do seio frontal, a participação que este seio toma nas diversas modificações da mecanica respiratoria. Do conjunto das experiencias realizadas, o A. poude estabelecer que o seio frontal está sujeito a variações, mesmo ás mais ligeiras, da pressão aéreo das vias respiratorias, como demonstraram as medidas manometricas e os graficos da respiração do seio tirados durante os atos fisiologicos, os mais caracteristicos, ligados á mecanica respiratoria, tais como: o falar, o tossir, o expectorar, o cuspir, o beber, o engulir, o assôar, etc.

DR. C. GARBINI (Bolonha) - Sobre a epitimpanite agúda - Pag. 169.

Depois de referencias existentes na literatura sobre este assunto, o A. refere-se a um certo numero de casos, de epitimpanites, caracterísados pela localisação do processo agúdo na parte alta do timpano e em particular na membrana de Shrapnell. Esta afecção deve ser considerada como uma sub-especie das otites purulentas agúdas. As complicações mastoidéas são muito faceia e, algumas vezes, são quasi asintomaticas.

O tratamento deve ser cirurgico.

Uma ampla paracentese da membrana de Shrapnell, prolongada até os quadrantes inferiores, feita nos primeiros dias de molestia, poderá. evitar as complicações mastoidéas.

M. O. R.


LES ANNALES D'OTO-LARYNGOLOGIE N.° 5 - Maio 1934 (Paris).

JEAN TARNEAUD - Laringología e cronaxía - Pag. 457.

Em um trabalho muito longo, faz o A. o estudo da imagem laringoplágica. Nos capitulos primeiros, trata de generalidades relativas á cronaxía: definições, isocronismo de um musculo e de seu nervo motor, cronaxías de constituição e de subordinação, condições de cronaxía, cronaxía dos musculos sinergicos e antagonistas. Cronaxía da musculatura do laringe. Vem depois a teoría cronaxica das imagens laringoplexicas: lei de Semon e Rosenbach, experiencias de Frése e de Defoumentel, explicação cronáxica da lei de Semon-Rosenbach e de suas exceções. Fatos clinicos e aplicações clinicas da teoria cronáxica.

No ultimo capitulo faz o estudo sinótico das imagens laringopléxicas, com dados explicativos: 1.°) Anquilóse crico-aritnoideana; 2.°) paralisías evolutivas; 3.°) paralisias definitivas; 4.°) paralisia do dilatador; 5.°) paralisías recurrenciais duplas; 6.°) paralisias dos dilatadores.

Termina o trabalho com as conclusões e longa bibliografia.

R. SCHROEDER (Copenhague) - Que significa a presença de bacilos diftéricos no nariz e na garganta de doentes com afecções nasais cronicas? - Pag. 487.

O A. estuda o material proveniente de 262 individuos, sendo 209 de 15 e mais de 15 anos e 53 abaixo dos 15 anos de idade. Esse material ficou devidido em três grupos: 1.°) Doentes com afecções do nariz: 126 individuos; 2.°) Doentes com afecções da faringe e laringe: 71 individuos; 3.°) Doentes com afecção dos ouvidos: 45 individuos. Entre os 126 com afecções nasais, 39 eram portadores de b. diftéricos, sofrendo todos de rinite cronica. Em nenhum caso, a afecção apresentava indices clinicos particulares justificando a designação de rinite cronica diftérica. Deve-se admitir que a aparição de b. diftéricos nas cavidades nasais em estado de inflamação cronica, é um fenomeno secundario. O tratamento pela anti-toxina diftérica (em 4 casos) foi sem efeito duravel sobre a afecção nasal do doente. Em 10% somente dos doentes com secreções nasais contendo b. diftéricos, achou-se igualmente esses germens alojados na garganta. Em lugar de isolamento dos portadores de germens (bacilos diftéricos), o A. aconselha a imunisação ativa da população pela anti-toxina.

POGANY - A posição de equilibrio absoluto do labirinto - Pag. 497.

Estuda o A. o reflexo de pulsão vestibular: ha uma certa posição em que nenhuma queda se produz; é a posição de indiferença, que é variavel segundo o individuo, mas que se produz pela inclinação da cabeça de 10 a 12° para deante.

ESCAT - Da ligadura trens-sinuso-maxilar da arteria maxilar interna - Pag. 508.

Seiffert, em 1928, assinalou a possibilidade de atingir a arteria maxilar interna através do seio maxilar, ao nivel da fossa pterogo-maxilar. Essa via de acésso tem interesse, pois permite ligar elegante e facilmente uma arteria considerada inatingivel, e cuja ligadura constitue precioso meio terapeutico, merecendo entrar no dominio da cirurgia otorino-laringologica classica. Ela é facilmente realisavel, mas só para o rinologista que não tardará a substituí-la á ligadura da carotida externa no tratamento das hemorragias nasais arteriais.

DR. PAULO SAES.

DIVERSOS

R. DAVID DE SANSON e A. LEÃO VELLOSO (Rio de Janeiro) - Considerações sobre o tratamento da trombo-flebite dos seios lateral e cavernoso (Rev.Bras. de Cir., n.° 12 - Dezembro 1934).

Os AA. fazem uma analise minuciosa das causas capazes de provocar trombo-flebite dos seios cráneanos e documentam sua publicação com 23 observações: 15 do seio lateral e 8 do seio cavernoso.

Duas de suas observações confirmam a possibilidade da cura espontanea da trombo-flebite do seio lateral; eles são entretanto muito reservados sobre o beneficio do tratamento cirurgico nas trombo-flebites infecciosas do seio cavernoso. Não têm nenhuma simpatia pela terapeutica com os agentes quimicos. Impressionados pelos resultados publicados por Vincent, com seu sôro, eles lamentam alguns desses seus casos terem tido a interferencia duma intervenção cirurgica.

Ecléticos, os AA. passam em revista as diferentes indicações deste ultimo meio-seculo. Tendo praticado a ligadura da jugular interna uma só vez, infelizmente sem sucésso, eles não se enfiléram em nenhuma das duas correntes, nem a favor, nem contra, e acham que esta intervenção pode ser, em certas circunstancias, um precioso recurso. Concluem que "deve-se saber afastar a escolha de uma preferencia para agir em beneficio do doente".

(Resumo dos autores).

J. MANSO PEREIRA (Orlandia, Est. de S. Paulo) - Um caso de numa da orelha seguido de cura (Brazil-Medico, n.° 20, 20-5-1933 - Pag. 350).

Depois de passar em revista a etiologia, evolução e tratamento do nome, o A. descreve a observação de um seu caso particular e no fim tira as seguintes conclusões:

1.º) O seu caso torna-se digno de divulgação e publicidade, pelos seguintes motivos que o singularizam:

a) Porque constitue o 14.º caso de noma puro de orelha, registrado na literatura medica mundial;

b) E' o unico caso em que o paciente consegue sobreviver após o processo gangrenoso invasor, achando-se inteira e definitivamente curado.

2.º) A etiología da molestia ainda continua um X na patología.

3.º) Acredita o A. que, no seu caso pelo menos, haja a fuso-espiroquetóse contribuído como factor coadjuvante na evolução do processo.

4.º) A terapeutica no seu caso nada apresentando de uniforme, não poderá atribuir a essa ou aquéla intervenção medicamentosa o factor exito. O que poderá afirmar, em ultima analise, é que a medicação tópica e a terapeutica geral, detiveram na sua marcha o processo gangrenoso invasor, jugulando-o de forma definitiva e rapida.

5.º) A terapeutica topica e modificadora do meio foram: liquido de Dakin, solução de rivanol a 1 %, mercurio-crômo a 5 %, vacino-terapía local, auto-hemo-liso-sôro-terapía, iodo-bismutato de quinino a 30%. Como tratamento geral empregou: néosalvarsan (0,03) de 4 em 4 dias, num total de 8 dóses; sôro anti-gangrenoso (80 cc.) ; proteina-terapía inespecifica, injeções de sangue, sôro glicosado, adrenalina, cardiazol.

J. DE ANDRADE MEDICIS (Recife) - Cistos de origem dentaria - (Arq. de Cir. e Ortoped. (Recife). T. I. fase. IV, pag. 313 - 1934.)

O A., depois de fazer um estudo de síntese dos cistos de origem dentaria, aborda a questão do seu tratamento, concluindo do seguinte modo o seu trabalho:

"A terapeutica só poderá ser a cirurgica. Nos casos de cisto do maxilar superior, com invasão do seio ou da fossa nasal, será praticada intervenção semelhante á usada para cura de uma sinusite maxilar (Op. de Caldwell-Luc.), não sendo necessaria a drenagem para a fossa nasal, se não quando se tratar de um cisto infectado. Feita a incisão e aberto o seio maxilar, se o cisto estiver muito desenvolvido a ponto de impedir o bom descolamento de sua capsula, devemos punccioná-lo, extraindo o seu conteúdo liquido, o que muito facilita o áto operatorio. Havendo grande dilatação da parede externa do seio, produzindo deformação da face, devemos retirar o bastante dessa saliência para melhorar a estética. Feita uma retirada total da capsula cistica, a cura virá pelo enchimento do seio maxilar por um tecido fibroso.

Nos cistos do maxilar inferior podemos quasi sempre agir com vantagem pela via endo-bucal, não sendo necessaria a operação por via externa.

Incisamos de conformidade com a localisação do cisto e afastados os rebordos, procuramos descolar a sua capsula, podendo mesmo ser necessario descolá-la das partes móles, quando houver exteriorização do tumor. Após o descolamento deste, fazemos, nos corono-dentarios, a extração do dente incluso e, seguindo o conselho de Jacques, devemos retirar tanto quanto possivel da parede externa, para diminuirmos a saliencia e a cavidade feita pelo tumor, auxiliando uma melhor e mais rapida cicatrisação. Nessas intervenções é preciso ter muito cuidado afim de evitarmos fraturas da mandibula muito possiveis, dado o adelgaçamento provocado pelo crescimento do cisto. Sempre que a retirada do tumor fôr completa, a cura radical será conseguida.

O A. finalisa apresentando as observações de quatro casos que teve ocasião de operar.

H. C.

E. RUBALTELLI - Contribuição dos nervos laringêos na inervação do esiofago e da traquéa. - (Atti Soc. Ital. Anatomia, VI, Convegno in Roma. In Mon. Zool. Ital., supplemento al vol. XLV, 1934 - pag. 300.)

Utilisando o mesmo e riquissimo material que serviu para um estudo precedente e fundamental sobre a inervação do laringe, o A. procurou estabelecer a contribuição dos nn. laringêos á innervação do esofago e da traquéa.

Assim, verificou que o n. laringêo inferior, em todo o seu trajéto ascendente, fornece ramos colaterais isolados para um ou outro orgão, ou ramos comuns que se bifurcam para atingir adeante o conduto aerifero e atraz o digestivo. Alem desses, o n. laringêa inferior fornece ainda ramos mediais que se interpõem ao esofago e á traquéa, formando nesse espaço um rico plexo nervoso, ao qual participam ramos identicos hetero-laterais; esse plexo se extende desde de cima entre esofago e laringe até em baixo entre traquéa esofago.

No tronco do n. recurrente existem numerosas fibras vegetativas, que chegam a ele pelas inumeras anastomóses com a cadeia paravertebral cervical e que vão se distribuir no plexo sub-mucoso do esofago e da traquéa. O n. laringêo superior, pelo seu ramo inferior ou externo antes de atingir o musculo crico-tireidêo, fornece ramos aos musculos constrictores médio e inferior da faringe com os quais se põe em relação no seu trajéto.

Acentúa o A. que os seus achados podem ter certo interesse para a exáta interpretação dos sindromos associados laringo-faringo-esofageanos.

A. MACHADO DE SOUSA

DR. DUARTE MOREIRA (Rio de Janeiro) - "Considerações sobre setenta casos de ozena. (Folha Medica, de 15-5-1935).

No inicio de seu trabalho, lamenta o A. o fáto de, no relatorio apresentado ao II.° Congresso Internacional de O. R. L., reunido em Madrid em 1932, por Leroux-Robert e Costiniu, sobre a "Etiología, Patogenia e Bacteriología da Ozena" , terem esses AA. colecionados dados e opiniões de especialistas de todas as partes do mundo, e quanto ao nosso paíz, nada falam, talvez por nada terem encontrada na literatura; apenas, quando tocam na frequencia da ozena nas diversas raças, assinalam que no Brasil, o elemento negro constitue três quartas partes da população!

Deante disso, o A. teve a ideia de revêr o seu arquivo particular e o do Centro de Saude de Inhaúma, onde trabalha como oto-rino-laringologista.

Em quatro anos, o A. examinou 5.295 doentes da especialidade, entre os quais encontrou 70 casos de ozena, correspondendo a 1,3% sobre o total dos doentes examinados. Nestes, a reacção de Wassermann feita sistematicamente, apenas em um foi positiva. Quanto a idade, dividiu-os em três grupos: até 10 anos, 11 casos ( 15,7 % ) ; de 11 a 20 anos 36 casos (51,4%); de 21 e mais 23 casos (32,9%). A doente mais jovem tinha quatro anos. Relativamente ao sexo, eram 23 do masculino (33%) e 47 do feminino (67%). Quanto á cor, eram 57 brancos (81,5%), 8 pardos (11,5%) e 5 pretos (7%).

H. C.
Indexações: MEDLINE, Exerpta Medica, Lilacs (Index Medicus Latinoamericano), SciELO (Scientific Electronic Library Online)
Classificação CAPES: Qualis Nacional A, Qualis Internacional C


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