ISSN 1806-9312  
Sexta, 24 de Maio de 2024
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212 - Vol. 32 / Edição 1 / Período: Julho - Dezembro de 1964
Seção: - Páginas: 63 a 66
CONTRIBUIÇÃO PARA O CONTRÔLE DA DÔR NO PÓS-OPERATÓRIO DA AMIGDALECTOMIA NO ADULTO (*)
Autor(es):
Décio Mion (**)
Lamartine Junqueira Paiva (***)
Aroldo Miniti (****)
Jairo Ramos Nogueira (*****)

A dôr, no pós-operatório da amigdalectomia no adulto, tem sido motivo de estudos para muitos autores, os quais dirigiram atenção aos possíveis fatôres desencadeantes, independentes da maior ou menor sensibilidade de cada paciente.

Na amigdalectomia pela técnica da dissecção, realizada por cirurgião experiente, com mínimo traumatismo, parece opinião concorde, ser fator de destaque no mecanismo responsável pela dôr, o edema da úvula e dos pilares.

Para suavisar a dôr, os analgésicos mais variados e por tôdas as vias foram utilizados, entretanto, além destes, o tratamento que mereceu melhor atenção, foi aquele que teve como base os antinflamatórios, como a cortisona e a fenilbutazona, uma vez que êstes têm por finalidade evitar edema ou diminuí-lo.

Entre nós, CORRÉA & MELLO (1954), inspirados em GOLDMAN e COLAR. (1952) - que administraram o acetato de cortisona no pré e pós-operatório das rinoplastias, visando diminuição das reações inflamatórias locais e observaram muito menor edema - procuraram utilizar êsse composto no pós-operatório da amigdalectomia no adulto, em operações com anestesia local e técnica da dissecção, objetivando abolir um dos principais fatôres do mecanismo da dôr, o edema. Concluiram pela eficiência do tratamento, em 11 pacientes amigdalectomizados, administrando o acetato de cortisona pela via intramuscular, 150 mg nas primeiras 24 horas e 100 mg nas 24 horas seguintes. Houve redução da dôr, pràticamente não existiu edema, não observaram atrazo na cicatrização da ferida operatória e nenhuma complicação infecciosa ou hemorrágica.

PAULA SANTOS (1954), utilizou o analgésico-antiflogístico Irgapirin (1,2-difenil-3,5-dioxi-4-N-butilpirazolidina), em 10 pacientes, operados com anestesia local e técnica da dissecção, aplicando uma ampola, i. m., 2 a 4 horas após a intervenção, repetindo cada 24 horas, em um total de 5 ampolas. Concluiu ser o composto superior aos anteriormente empregados.

Temos empregado corticosteroide em quasi tôda cirurgia, com o objetivo de diminuir os fenômenos flogísticos e, obtido sucesso na maioria dos casos.

Enriquecido o precioso arsenal terapèutico dos corticosteroides, com um novo composto de ação prolongada e intensa, com mínimos efeitos secundários - acetato de metilprednisolona (Depo-Medrol) - resolvemos tentar seu emprêgo, no contrôle do edema e consequentemente da dôr, no pós-operatório da amigdalectomia do adulto.

MATERIAL E MÉTODOS

Doze pacientes, adultos, 6 de cada sexo, com idades entre 19 a 32 anos.

Pré-anestésico - Scophedal, uma ampola intra-muscular meia hora antes da intervenção.

Anestesia local, com solução de novocaina a 2%, com uma gota de solução milesimal de adrenalina para 10 cm3.

Técnica operatória - dissecção, com ligadura dos vasos sangrantes, com cat-gut simples n° 1.

Técnica de aplicação do Depo-Medrol: - injeção sub-mucosa, o mais superficial possível, de 0,5 ema, em cada pilar anterior e na base da úvula.

Os pacientes foram internados, permaneceram na Clínica durante 7 dias para observação e não receberam analgésicos. Não foram administrados antibióticos. Dieta comum dos amigdalectomizados.

Observações: - além das informações dos pacientes, sôbre dores expontânea e à deglutição, diàriamente foram feitos exames das regiões operadas, para verificação. dos fenômenos inflamatórios e cicatrização.

RESULTADOS

Todos aceitaram bem a alimentação, líquida no início, pastosa à partir do 3.º dia.

Dôr expontânea, discreta para regular, principalmente nos primeiro e segundo dia.

Edema: foi ausente nos pilares e úvula em 5 casos; no restante apresentou-se discreto, desaparecendo no 4.º dia. Complicações - um caso de hemorragia, horas após a cirurgia, a qual cessou com ligadura de vaso.

COMENTÁRIOS

Não foi feita a observação injetando-se o composto de um só lado, para comparação, porque êsse método é falho, pois geralmente o paciente acusa maior dôr em determinado lado, tornando-se difícil a interpretação. DAVIDSON & COLAB. (1952) empregaram a efocaina, anestésico de ação prolongada, aplicando-a em um dos lados e, nos comentários do trabalho, assinalaram que êsse método é duvidoso e resolveram estudar outro grupo de pacientes, injetando nos dois lados.

Em nossos casos, observamos que os pacientes alimentaramse relativamente bem, à base de líquidos e mingáus.

Considerando que não foi administrado nenhum analgésico, o resultado deve ser considerado bom e, sugere admitirmos que associando êste tratamento aos analgésicos, poderemos ter ótimo resultado.

O edema, foi pràticamente ausente em 5 dos pacientes, e discreto, desaparecendo no 4° dia, no restante. O processo de cicatrização decorreu normalmente.

CONCLUSÕES

A metil-prednisolona (Depo-Medrol), injetada localmente nos pilares e úvula, mostrou-se eficaz no pós-operatório da amigdalectomia no adulto, reduzindo a dôr.

Houve redução acentuada do edema em 7 casos e o mesmo não existiu em 5.

A cicatrização decorreu normalmente e não houve complicações.

RESUMO

O acetato de metilprednisolona (Depo-Medrol), foi utilizado em 12 pacientes, em injeção sob-mucosa nos arcos palatinos e úvula, visando redução da dôr no pós-operatório da amigdalectomia no adulto. Foram aplicados 0,5 cm3 (20 mg) em cada pilar e na úvula. O tratamento mostrou-se eficaz, havendo acentuada redução do edema em 7 casos, pràticamente não aparecendo no restante; a cicatrização decorreu normalmente, não havendo complicações.

SUMMARY

Metilprednisolona acetato (Depo-Medrol) was emploied in 12 patients, by sub-mucous injection, in the palatine ares and uvula, to reduce the post-operative pain after tonsillectomy. The amount injected was 0,5 cm3 (20 mg) in each tonsillar are and ovula.

The treatment was succesful with great reduction of the edema in 7 cases, and no edema in the other 5 cases; the healing was normal with no other complications.

REFERÉNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

CORREA, A. &. MELLO, J. F. - Ação do acetato de cortisona no pósoperatório da amigdalectomia em adulto. Rev. Assoe. med. brasil. 1: 76-78, 1954.
DAVIDSON, M., BOLES R. G. & SNYDERMAN, S. C. - Prolonged local anesthetic in control of post-tonsillectomy pain. Anu. Otol. Rhinol. Laryng. 61: 1046-1047, 1952.
PAULA SANTOS, S. de - O contrôle da dôr na amigdalectomia do adulto pelo G 15903 (Irgapirin) - Rev. Paulista de Med. 45: 395-496, 1954.

(*) Clínica O.R.L. da Faculdade de Medicina da Univ. S. Paulo. (Serviço do Prof. Raphael da Nova).
Trabalho apresentado no XIII Congresso Brasileiro de Otorrinolaringologia, Curitiba, Setembro de 1964.
(**)Assistente da Fac. Med. U.S.P. - Chefe de Clínica.
(***)Assistente da Fac. Med. U.S.P. - Livre-docente.
(****)Assistente da Fac. Med. U.S.P. - Médico-auxiliar.
(*****)Residente.
Indexações: MEDLINE, Exerpta Medica, Lilacs (Index Medicus Latinoamericano), SciELO (Scientific Electronic Library Online)
Classificação CAPES: Qualis Nacional A, Qualis Internacional C


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