ISSN 1806-9312  
Segunda, 27 de Maio de 2024
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1990 - Vol. 42 / Edição 2 / Período: Maio - Agosto de 1976
Seção: Artigos Originais Páginas: 145 a 148
CARCINOMA SCHNEIDERIANO DE FOSSA NASAL
Autor(es):
* Luiz Rogerio Pires de Mello
** José Carlos Saddy
*** Wilson Alves Vieira

Resumo: Os autores, apresentam um caso de Carcinoma Schneideriano de localização na fossa nasal esquerda, pela excepcional raridade do mesmo, descrevendo suas características microscópicas, seu aspecto macroscópico e a orientação dada ao mesmo no que tange ao tratamento.

I. INTRODUÇÃO

O Carcinoma Schneideriano encontrado em paciente de nossa Clínica Particular é bastante raro sendo esse o único caso por nós visto em 15 anos de contacto diuturno com mais de 50.000 doentes. A sua localização era na fossa
nasal esquerda, pensando nós primeiramente em constituição poliposa que enchia totalmente a mesma.


O aspecto da massa tumoral, bem como o estado de debilidade do paciente, nos fez evoluir para uma lesão mais grave confirmado pelo resultado anátomo patológico da peça.

A Literatura compulsada é pobre, quase nada esclarecendo ou informando a cerca de tal patologia; o que nos impediu de fazermos um histórico no que tange à sua cronologia e a,outros casos já publicados.

Tomamos coragem de apresentar tal achado não só pela excepcional raridade como também, quem sabe como marco inicial de nossos achados.

II. CONSIDERAÇÕES GERAIS

Semelhante ao carcinoma epidermóide em seus aspectos macroscópicos, o carcinoma que se origina da mucosa schneideriana mostra-se como um tumor duro, pálido-que se espraia e tende a contrair os tecidos invadidos e circunvizinhos; via de regra de caráter infiltrante, embora possa apresentar vegetações, tende à formação de ulcerações rasas. O diagnóstico diferencial se faz pelo estudo microscópico, fazendo-se representar o tumor por lençóis e massas de células que algumas vezes mostram tentativas abortivas de formações glandulares; geralmente suas células são alongadas, cilíndricas ou fusiformes; um tipo de crescimento tende a produzir estruturas como pseudorosetas de um simpatoblastoma.

Alguns casos originam-se próximos ao septo nasal e têm sido relacionada com o órgão de Jacobson, uma estrutura embrionária encontrada em animais inferiores.

III. CASO CLINICO

A.F.S. - pardo, casado, 41 anos, registro na Clínica Pires de Mello no 19.718, compareceu a nossa Clínica Particular em 19-12-71, queixando-se de obstrução nasal, total, esquerda, o que o impedia de respirar pela mesma, bem como edema periorbitário homolateral e dor ao nível da zona enervada pelo infraorbitário. Negava passado purulento ou eliminação de raios de sangue.

Ao exame de O.R.L. notamos à inspeção, edema periorbitário com aumento de volume regular na zona do seio maxilar também esquerdo. Ao toque observamos hiperestesia intensa no trajeto do infraorbitário. A rinoscopia anterior visualizamos massa tumoral, endurecida, não sangrante ao toque, podendo fazer confusão com o polipo antro coanal, ocupando toda a fossa nasal não deixando que visualizássemos nenhum pertuito da mesma. Não havia secreção serosanguinolenta, fluindo através o vestíbulo nasal. Como o aspecto não era característico de polipose nasal, e pelo estado precário do paciente, fizemos de imediato uma biópsia da zona tumoral e de imediato pedimos um estudo radiográfico dos seios da face para sabermos da possibilidade de infiltração ou mesmo invasão dos tecidos circunjacentes, que nos revelou apenas ligeira opacificação do seio maxilar esquerdo sem sinais de destruição óssea.

O resultado da biópsia realizada foi o seguinte: Os cortes histológicos revelam neoplasia constituída por células de núcleos ora vesiculosos ora hipercromáticos, cujos citoplasmas interligam-se freqüentemente por delicadas fibrilas eosinofílicas. Tais células dispõem-se em lençóis, formando por vezes pseudorosetas em meio a conjuntivo infiltrado por linfócitos e plasmócitos (L. T. 23965 - Lab. Tostes - 17-12-71). Conclusão. Carcinoma Schneideriano (Fig. 1 - 2).

Em vista de tal achado, resolvemos nós, abrir o seio maxilar esquerdo pela técnica de Caldwell Luc para explorarmos o mesmo e ao mesmo tempo sabermos se tal massa tumoral tinha ponto de implantação no recesso zigomático, no recesso alveolar ou mesmo na borda dos ostia (principal e acessório), atravessando um deles para se implantar na fossa nasal, sendo o resultado negativo. Fizemos então a exerese do mesmo em sua totalidade através a fossa nasal esquerda por intermédio de pinça de Brunings, tendo o cuidado de não macerar o tecido em questão (Fig. 3). Após a limpeza da zona afetada com aspiração e introdução de soro fisiológico morno, após prévia intubação anestésica com o fito de evitarmos a passagem de líquido às vias aéreas inferiores, localizamos o ponto de implantação ao nível do septo, em zona alta e posterior, portanto óssea. Fizemos a seguir uma pequena cauterização do ponto de implantação do tumor com termo cauterio e o mantivemos tamponado com gaze iodoformada e com cobertura de antibióticos de largo espectro, antiinflamatórios e analgésicos.



FIG. 1 - Aspecto Macroscópico dos fragmentos da massa tumoral enviados ao exame anátomo-patológico, deixando perceber nitidamente o aspecto finamente granuloso de suas superfícies.



FIG. 2 - Aspecto Microscópico do tumor evidenciando células cilíndricas de citoplasmas vacuolados e núcleos dotados de pequenos nucléolos, dispostas em torno a um capilar sanguíneo. Identifica-se uma célula em mitose (LT. 23.965-H.E. 800X.)



FIG. 3 - Aspecto Microscópico do tumor mostrando células epitePiais poliédr'icas, em arranjo concêntrico, simulando pérola córnea. Não se identificam exames queratínicas (1 r 23.965-H.E. 800X).



Ao retirarmos o tampão, enviamos o paciente de imediato ao Serviço de Radioterapia, tendo o mesmo se submetido à 30 aplicações de Cobalto no total de 4.500 rd., Retornando sem queixas e sem zona de hiperestesia e edema periorbitário. No que diz respeito à permeabilidade nasal encontrava-se na mais perfeita ordem. 4/3/72.

Não houve necessidade de se empregar qualquer tipo de citostático.

SUMMARY

The autores present a case of Schneiderian Carcinoma located in the left nasal cavíty, for it being an unusual one.

They describe its microscopic characteristics and aspects as the same (case) concerning the treatment.

BIBLIOGRAFIA

(Foot, N. Chandler - -Identification of tumors-; J. B. Lippincott Company, Philadelphia, U.S.A.; 101, 102, 1948.




Luiz Rogerio Pires de Mello
Clínica Luiz Pires de Mello Rua Gonçalves Ledo, ng 42 Niterói - RJ.

* Prof. Titular de Otorrinolaringologia da Faculdade de Medicina de Campos - RJ.
Da Disciplina de Otorrinolaringologia da Faculdade de Medicina da U.F.F. - Niterói - RJ. (Do Setor de Otologia da Clínica Luiz Pires de Mello - Niterói - R).
** Prof. Titular de Patologia e Apoio Clínicos de U.F.F. - RJ.
*** Patologista do Hospital Universitário António Pedro e do Instituto de Patologia de Niterói - R.
Indexações: MEDLINE, Exerpta Medica, Lilacs (Index Medicus Latinoamericano), SciELO (Scientific Electronic Library Online)
Classificação CAPES: Qualis Nacional A, Qualis Internacional C


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