Versão Inglês

Ano:  1954  Vol. 22   Ed. 1  - Janeiro - Fevereiro - (13º)

Seção: -

Páginas: 75 a 77

 

ORIENTAÇÃO DE TRATAMENTO DO CANCER DA LARINGE

Autor(es): NELSON ÁLVARES CRUZ

Neste trabalho deixamos estabelecidas as bases em que se firma o Serviço de Oto-rino-laringologia dá Fondation Curie para tratamento do cancer da laringe. Daremos, assim, o critério, de seleção dos casos para a cirurgia, a radioterapia e a associação cirurgiaradioterapia. A roentgenterapia é preferida, na Fondation Curie, ao radium. As razões desta preferência estão expostas nas seguintes palavras de Baclesse: "O que se leva em conta, em última análise, é o fator energia absorvida, com abstração da qualidade de onda. Em outros termos, a partir de uma certa dose dada, em um certo tempo, através de uma porta de entrada determinada, as reações e os acidentes são os mesmos para os raios-x e o radium.

Estas condições biológicas postas de lado, pode-se dizer que os raios-x são mais econômicos e de uma aplicação tecnica mais fácil. Com efeito, a telecurieterapia só dispõe necessariamente de portas de entrada rígidas impostas por cada aparelho, enquanto que a roentgenterapia permite variar as dimensões dos campos de modo amplo e adaptar exatamente a configuração àquela do território canceroso, tumor, primitivo e ganglios. Esta maleabilidade tecnica não deve ser negligenciada se nos lembrarmos das doses enormes que por vezes somos obrigados a administrar e a necessidade de irradiarmos somente a região doente, protegendo os tecidos sãos vizinhos contra uma irradiação inútil e muito nociva".

Diante de um Ca da laringe, sem adenopatia, diversas hipóteses podem suceder. Estudemos o caso do Ca da glote; consideraremos o:
Ca da corda vocal.
Ca da comissura anterior.
Ca da região inter e pré-aritenoidea.

No tocante ao câncer da corda vocal, se a lesão está localizada no terço médio da corda com perfeita mobilidade da mesma a indicação será a tirotomia clássica ou a radioterapia; se a lesão é da porção ligamentosa da corda com boa mobilidade desta a escolha poderá ser feita entre radioterapia ou laringectomia fronto-lateral; se, localizada nesta porção ligamentosa, a lesão acarretou diminuição da mobilidade da corda faremos radioterapia ou hemilaringectomia; por último, se a lesão da corda atinge a região infra-glótica com desaparecimento da mobilidade praticaremos a hemilaringectomia desde que a lesão acometa apenas um hemilaringe, e nos lançaremos a laringectomia total, + radioterapia pós-operatória diante da bilateralização da lesão.

O Ca da comissura anterior que se apresenta vegetante, bem localizado, por vezes com alguma invasão infra-glótica, nos levará a radioterapia ou a laringectomia frontal anterior; o blastoma maligno de mesma localização, de aspecto ulcero-infiltrativo, invadindo mais amplamente, nos conduzirá a laringectomia total radioterapia pós-operatória.

O Ca da região inter e pré-aritenoideá que aparece ao exame larirïgoscópico sob forma de ulceração que modifica a mobilidade cordal é campo da laringectomia total seguida pela radioterapia.

Analizemos agora a orientação a assumir em face de um cancer do vestíbulo laringeo. Muitas vezes, o tumor que surge diante de nossos olhos é uma ulceração rasa, bem superficial, ou, pelo contrário, vegetante, lesando a face láringea da epiglote (na porção infra-hioidea), a face interna da prega ari-epiglótica, a banda ventricular perturbando pouco ou nada a mobilidade da laringe, e o exame radiográfico vem demonstrar que a cartilagem está respeitada, a loja pré epiglótica livre: tal blastoma é do domínio da radioterapia. De outras vezes, o tumor de localização idêntica é bastante infiltrativo ou ulcerado, lesa a cartilagem e invade a loja pre-epiglótica, deixando ilesa e móvel a metade posterior das bandas e as aritenoides - será indicação da laringectomia supra-cricoidea com radioterapia: pos-operatória; em caso de mobilidade prejudicada ou mesmo fixidês a laringectomia proposta será a total ainda com radioterapia pós-operatória.

Focalizemos as tumores da porção supra-hioidéa da epiglote. Os neoplasmas vegetantes são do domínio da radioterapia, tanto os estritamente localizados ao bordo livre da epiglote, sem invadir a base da língua, as pregas arí e faringo-epiglóticas, como aqueles que se extenderam para estas regiões. Já os tumores infiltrativos ou grandemente ulcerados com extensão para a base da língua e as pregas ari e faringo-epiglóticas imporão uma láringectomia ampliada uma laringó-oro-faringectomia. A intervenção será neste caso evidentemente seguida pela radioterapia.

Finalmente o cancer da região sub-glótica: o tratamento deste tumor estar na dependência da unilateralidade ou bilateralidade dás lesões; primeiro caso, a hemilaringectomia será proposta, no segundo, a laringectomia total com radioterapia pós-operatória.

Na presença de adenopatia, raramente a curage ganglionar ampla tipo Roux-Berger é efetuada, cingindo-se o cirurgião ao pequeno esvasiamento. O esvasiamentoganglionar profilático, como aconselham, alguns laringologistas (Pietrantoni.q, p. ex.), não vimos ser praticado na Fohdation Curie no Ca da laringe.

Esta sistematização no tratamento do blastoma maligno da laringe seguida por Leroux-Robert e os radioterapeutas que com ele se associam (Ennuyer presentemente) foi esquematizada, além disso, no Curso de Cancerologia cervico-facial realizado em 1952.

Imprimir:

BJORL

 

 

 

 

Voltar Voltar      Topo Topo

 

GN1
All rights reserved - 1933 / 2021 © - Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico Facial