Versão Inglês

Ano:  1943  Vol. 11   Ed. 4  - Julho - Outubro - (11º)

Seção: Associações Científicas

Páginas: 475 a 487

 

ASSOCIAÇÕES CIENTÍFICAS

Autor(es): -

SECÇÃO DE OTO-RINO-LARINGOLOGIA E CIRURGIA PLASTICA DA ASSOCIAÇÃO PAULISTA DE MEDICINA

Reunião de 18 de janeiro de 1943

Presidida pelo dr. Paulo Sais e secretariada pelos drs. António P. Corrêa e Mauro C. de Sousa, realizou-se, no dia 18 de janeiro de 1943, uma reunião ordinária da Secção de Otorrinolaringologia e Cirurgia Plástica da Associação Paulista de Medicina.

Expediente:

Aberta a sessão pelo sr. presidente, o sr. secretário fez a leitura de dois ofícios recebidos pela Secção, um do dr. Mário Garcia, diretor-gerente da Associação Paulista de Medicina dirigida ao sr. Presidente da Secção enaltecendo a atuação da sua diretoria na gestão que hoje se finda e outro, da diretoria da Associação Paulista: de Medicina, fazendo considerações em torno do serviço de atas.

A seguir tem a palavra o dr. Paulo Sais, presidente da mesa que findava o seu mandato, traçando um comentário sobre as atividades da Secção de Otorrinolaringologia durante a sua gestão em 1942. A seguir realizou-se a posse da nova mesa, assim constituída: Presidente: dr. Mário Otoni de Rezende; 1.° secretário f dr. Silvio Marone e 2.° secretário: dr. Luiz Piza Neto. O dr. Luís Piza Neto não pode comparecer por estar cumprindo obrigações militares. Foi convidado para 2.° secretário "ad hoc" o dr. Roberto Oliva.

Fez uso da palavra o dr. Mário Otoni, agradecendo a eleição da nova mesa e nada mais const

ORDEM DO DIA

DESTRUIÇÃO TOTAL D A LÍNGUA POR CARCINOMA (1)

- Dr. Ernesto Moreira

O A. mostrou aos colegas presentes a peça anatômica, e projetou a fotografia do paciente para demonstrar o estado de extrema caquexia em que se encontrava. Passa a seguir, a fazer considerações sobre o carcinoma da língua, sua etiologia, diagnóstico diferencial com outras moléstias, localização da neoplasia e atenção para a raridade do caso.


COMENTARIOS:

Dr. Mário Otoni de Rezende: - O caso que nos acaba de apresentar o dr. Moreira, é bastante curioso. Nós mesmos, tivemos ocasião de examinar este doente por diversas vezes, e o que mais nos chamou a atenção, foi a sua resistência à perda total da língua e de todos os órgãos da boca, como glândulas salivares, músculos, etc.. Este doente se alimentava muito bem, ingerindo tanto líquidos como semi-sólidos e assim, em pleno estado caquético, passou durante muitos meses. A dificuldade de diagnóstico neste caso estava ligada a fatores interessantíssimos; em primeiro lugar estava a tuberculose, em que fazia pensar o precário estado geral do paciente. Este diagnóstico foi logo afastado pela radiografia dos pulmões. Restava estabelecer a diferença entre os tumores malignos e a sífilis pois estava de pé a hipótese de se tratar de uma goma sifilítica da língua. Esta segunda possibilidade foi logo afastada pelos exames de laboratório. Um tratamento intensivo arseno-iodado, que foi feito, trouxe algumas melhoras, tendo-se cicatrizado grande parte da lesão. Feito, finalmente, o diagnóstico de tumor maligno, afastou-se a cura cirúrgica, assim como o tratamento radioterapico não só devido à extensão da lesão, como ao estado geral do paciente, em que uma leucopenia acentuada poderia ser fatal. O tratamento consistiu em-levantamento do estado geral e cura antisifilítica.

O dr. Ernesto Moreira, agradeceu estas palavras de colaboração do sr. presidente ao seu trabalho.

A OTORRINOLARINGOLOGIA NA GUERRA - Rápido bosquejo para a sua organização em São Paulo Z Dr. Roberto Oliva.

A importância da otorrinolaringologia na guerra torna-se cada vez mais evidente, demonstrada pelo interesse despertado pelos inúmeros especialistas, que lhe dedicam literatura valiosa. O ouvido e o nariz situam-se em dois diâmetros da cabeça, que se cruzam, oferecendo-se, como alvos ótimos, a ataques diretos dos diversos fatores agressivos, de que é fértil a guerra moderna. Na conflagração anterior, em que predominava a guerra de pósição, os ferimentos da cabeça eram mais freqüêntes do que os observados sôbre as outras partes do corpo. Na atual, guerra relâmpago, se não dá tempo para que a pontaria dos combatentes mire o órgão nobre dos inimigos a quantidade extraordinária de elementos de destruição projetada indistintamente sobre militares e habitantes civis, provoca lesões mais numerosas e mais destrutivas.

Os órgãos de nossa especialidade não sofrem apenas as consequências de lesões diretas sobre eles, mas, superiormente ligados, que estão aos centros nervosos, padecem indireta e secundariamente de traumatismos levados a qualquer parte do crânio, provocando perda de função, paralisias, etc..

Muitas lesões observadas em tempo de guerra, são, igualmente, notadas na cirurgia de paz, embora mais raramente*, outras, porém, pertencem obrigatoriamente à cirurgia de guerra, como por exemplo as resultantes de estilhaços de granadas, de minas, de baionetas, de explosões, etc.. Lesões do ouvido determinadas por excesso de ruído nos aviadores militares, abatendo a acuidade auditiva, devem, também, merecer cuidados especiais dos otologistas.

O otorrinolaringologista vê-se, assim, a braços com um serviço seríssimo e ao qual ele deve devotar-se sem descanço. Por outro lado, certas operações de rotina, que demandam hospitalização e que não apresentam caráter urgente, devem ser adiados indefinidamente.

Os leitos do hospital só merecem ser ocupados pelos pacientes enviados aos diversos centros médicos e das linhas de frente e que terão de ser devolvidos no mais curto prazo.

Para tanto, é imprescindível que, na retaguarda, se organizem serviços perfeitamente aparelhados de material e médicos especializados.

Uma grande parte dos doentes tratados nos hospitais sofre de afecções do ouvido, nariz e garganta. Uma estatística recente tomada no Hospital Horton de Londres mostrou que havia 114 doentes internados no departamento da especialidade, em um total de 1.500, isto é, um treze avos.

Esses doentes achavam-se espalhados por todo o hospital, o que dificultava enormemente seu tratamento; foi então resolvido agrupá-los, todos, em enfermarias, sendo duas para doentes civis e duas para militares.

Além desse centro hospitalar, muitos pacientes são tratados, em Londres, em ambulatórios localizados em diversas clínicas e removidos para o hospital em caso de internação.

O Hospital Horton, por sua capacidade, pode ser comparado à nossa Santa Casa. Faz-se sentir, por conseqüência, aqui, a mesma necessidade de centralização dos doentes em um só setor, onde poderão receber assistência adequada, mormente se considerarmos que, com a mobilização de muitos assistêntes para os diversos serviços do exército, se tornará insuficiente o quadro de especialistas, para atender ao número crescente dos necessitados de cuidados especialísticos.

Vem, pois, muito a propósito o apêlo que, agora, mais que de outras vezes, lançamos aos dignos mesários do nosso hospital, para que, generosamente, corporifiquem os nossos desejos de instalar, em cômodos anexos ao ambulatório do Pavilhão Conde de Lara, enfermarias onde serão recolhidos os nossos doentes. Isso atende precipuamente ao interêsse dos internados, bem como resulta em econômia de tempo e esforço por parte dos médicos. Uns terão seus médicos assistêntes, diariamente em seu auxílio, os outros não terão de perambular, pelas diversas enfermarias do hospital, em busca de seus operados.

Os aposentos que temos em mira ocupar para a internação de nossos doentes, preenchem satisfatoriamente as exigências, visto como compreendem quartos e uma grande enfermaria com instalações sanitárias adequadas.

É fora de dúvida que os doentes externos e internados tratados de forma eficiente, em ambiente adequado, poderão mais rapidamente voltar aos seus trabalhos. Do ponto-de-vista da econômia civil, como também sob o aspecto militar, essa organização parece ser desejável. A grande maioria das doenças das regiões da otorrinolaringologia é suscetível de cura; a maior parte dos doentes é restituída ao seu trabalho, se receber tratamento adequado. O civil para as suas oficinas, o militar apto para as fileiras.

Devemos providênciar desde já a instalação de uma clínica capaz de oferecer eficiência e conforto, para o caso de necessitarmos atender a uma mobilização militar integral.

Ainda mais, a nossa clínica provida também de ótimo departamento de cirúrgia plástica, sob a eficiente direção de Rebelo Neto, de modelar instalação de endoscopia a cargo de Plínio Barreto, bem como, contando com a colaboração inteligente de Grazziani e Viegas no serviço odontológico, acha-se apta a funcionar a contento. Poderia lembrar, ainda, a admissão, em seu corpo de assistentes, de certo número de cirurgiões gerais, que atenderiam a territórios fora da nossa especialidade e que seriam chamados a colaborar conosco à medida que seus serviços fossem necessários. Igualmente, em época de calma para o nosso serviço, os especialistas poderiam colaborar nas demais enfermarias. Assim eles teriam oportunidade, não só de prestar o reclamado auxílio, como também de se familiarizar com a cirurgia geral de guerra, capazes, pois, para eventualidades futuras.

Não só como centro especialístico para o tratamento dos doentes agirá o nosso serviço, assim perfeitamente aparelhado, mas tomará a si o encargo de examinar os candidatos à aviação militar, dos quais se exigem provas de equilíbrio e outras, que só poderão ser examinadas por um otologista consumado. Tenho tido necessidade de examinar, no setor de nossa especialidade, no Instituto de Higiêne, muitos candidatos à aviação civil e, por falta de outros meios, limito-me a indagar superficialmente do estado do labirinto e da audição de cada um, sabendo que mais tarde, por ocasião da admissão à Força Aérea Brasileira esses jovens aviadores terão de submeter-se a exame mais detido. A nossa clínica deverá estar apta a fazer todos esses exames indispensáveis, que hoje são exigidos de todos os candidatos à entrada na aviação militar. Aliás, para esse objetivo, de pouco necessitamos.

Outra coisa importante que nos poderá ser submetida é a indagação se trata, em determinado caso, de simulação. Sabe-se que muitas vezes só a audiometria poderá ser o fator decisivo e sob esse ponto-de-vista possuimos o que há de melhor, não só com relação ao audiometro, como quanto ao audiometrista, que me permito nomear - Rezende Barbosa -, consumado nessa especialidade.

Seria, assim, a clínica da Santa Casa o centro para onde se encaminhariam os casos recolhidos em outros hospitais, inclusive nos serviços militares e onde se atenderiam não só aos doentes civis, como aos mobilizados.

Os pacientes de ambulatório continuariam a ser tratados nos centros já existentes e que prestarão enorme serviço, selecionando os casos necessitados de internação.

É evidente que não me move, com essa diretriz, aqui traçada em rápido bosquejo, idéia subalterna de açambarcamento de trabalho, ou de menosprezo por outras instalações dos diversos serviços, mas apenas me ocorre a hipótese, felizmente muito afastada, de sermos atingidos pelos horrores de uma luta cruenta, em que os outros centros seriam transformados em hospitais de sangue e podermos oferecer aos poderes militares da região o que de mais moderno e eficiente se possa exigir.

Também as portas desse serviço central estarão franqueadas a quantos médicos queiram freqüênta-lo desejosos de aprender o necessário para poderem prestar socorros de urgência, especializados, nos centros médicos mais próximos da frente. Penso por exemplo, numa angina flegmonosa, tão fácil de ser tratada cirurgicamente, por qualquer médico que tenha tido a oportunidade de operá-la, pelo menos uma vez. Os tamponamentos nasais, tanto o anterior como o posterior, tão simples de serem praticados e que tão prontamente jugulam as hemorragias.

O serviço de enfermagem precisa ser mantido em um alto nível de eficiência, a despeito de provável exiguidade do corpo clínico e de outras dificuldades. Enfermeiras acostumadas a tratar da garganta, do nariz, do ouvido e de outras doenças da cabeça, são de grande benefício sob todos os aspectos. Necessário se torna, por conseguinte, que se procure localizar e fichar, desde já, todas essas enfermeiras especializadas e que serão chamadas em ocasião oportuna.

Não seria, também, demasiado pensar no período de convalescença, pois a quasi totalidade, dos nossos doentes, ao receberem alta, terão de regressar para os seus serviços, onde se lhes exigirá, o máximo de seu esforço. Nessas condições, só deveremos restituir às oficinas e às linhas de frente indivíduos 100 por cento aptos.

Ainda sob esse aspecto o Pavilhão Conde de Lara apresenta condições invejáveis: cercado de jardins, ótimos terraços, etc.

COMENTÁRIOS:

Dr. Paulo Saes: - O dr. Oliva, acaba de expor um plano excelênte, mas que serviria apenas para os serviços especializados de retaguarda. Devemos entretanto cogitar do problema mais na vanguarda, na frente de guerra. Na revolução paulista de 1932, tive oportunidade de observar a eficiente colaboração do especialista em otorrinolaringologia, prestando seus serviços na frente de batalha, nos postos avançados ou nos hospitais de emergência. Aí o especialista é de grande utilidade, pois ele pode por si só, resolver casos mais ou menos simples que sem a sua intervenção teriam de ser obrigatoriamente transferidos para a retaguarda, como caso de anginas flegmonosas, otites agudas, miíases, que são tão freqüêntes nas frentes de guerra, onde o soldado está mais ou menos predisposto a elas. Portanto o plano do dr. Oliva é ótimo e bem organizado para um serviço de retaguarda, isto é, para um grande centro, mas temos que ampliá-lo para que possa abranger também a vanguarda ou seja nos pequenos hospitais, mais próximos da luta.

Dr. Paula Assis: - As lesões imediatas produzidas nos ferimentos de guerra, são lesões sempre hemorrágicas e assim sendo, o Serviço de Saúde em Campanha, devia estar bem aparelhado para poder fazer frente às hemorragias o que nem sempre acontece. Assim há necessidade de haver nos serviços da frente, a organização de serviços de transfusão de sangue ou então de transfusão de plasma líquido ou seco. Assim sendo, à observação do dr. Saes, desejaria acrescentar mais este aspecto do problema que me parece de grande importância, pois assim as grandes hemorragias poderiam ser sustadas na própria vanguarda, enquanto o doente não tivesse ocasião de ser transferido para um lugar mais próprio na retaguarda.

Dr. Francisco Hartung: - Devo começar dizendo que me parece difícil apresentar alguns alvitres aproveitáveis sobre um assunto do qual não se tem experiência alguma. Todavia vou tentar expor duas idéias que me sugeriu a divagação proporcionada pelo dr. Roberto Oliva. Primeiramente, parece que será util uma noção fundamental, no sentido de separara idéia de ferimentos de guerra, portanto uma contingência cirúrgica, das moléstias que possam aparecer durante as atividades bélicas, e que não podem ser menosprezadas, embora sejam contingências puramente médicas desde que afetem imediatamente a atividade militar. Esta meditação me veiu à mente como uma recordação de 32. Naquele tempo, no chamado hospital de sangue do Mackenzie, só tínhamos a atender a sinusites, que nem por deixar de ser ferimento podia ser abandonada. Ninguém pensaria em enviar para a frente um soldado em fase aguda de uma sinusite frontal, sem tratá-lo primeiro. Depois, a contingência cirúrgica. Somos eminentemente especialistas cirurgiões e a idéia que me ocorre a respeito será uma primeira e grosseira seleção dos feridos, de maneira a enviar às clínicas especializadas, a cirurgia da cabeça e do pescoço. Neste ponto seria necessário uma certa elasticidade de alguns especialistas que nem sempre são familiarizados com a topografia cervical. Em geral nos limitamos quasi que só á traqueotomia, e seria necessário mais fôlego.

Dr. David Fernandes- Júnior: - A respeito de transfusão de sangue, seria interessante fazer-se a ficha sanguínea de cada soldado, Facilitando-se assim ao máximo a transfusão nos momentos em que a mesma se tornasse necessária.

Dr. Vicente Azevedo: - Além das entidades mórbidas no terreno da especialidade tive ocasião, em 1932, quando fui médico do batalhão Romão Gomes de observar uma verdadeira epidemia de traqueites em conseqüência dos alojamentos de emergência a que estavam expostos os soldados paulistas, muitos dos quais passavam as noites ao relento, deitados sobre capim molhado. Observei mais de 50 casos de traqueite intensa, com tosse quintosa, que só se podia atribuir a este fato, pois os outros soldados que não se alojavam daquele modo, nada apresentaram.
Quero acrescentar ainda ao sr. presidente, que as idéias do dr. Oliva a respeito da criação em nosso serviço de Otorrinolaringologia da Santa Casa de postos capazes de atender às exigências de um serviço de retaguarda em tempo de guerra ou mesmo na paz, sejam transmitidas o mais cedo possível ao conhecimento da Mesa da Santa Casa, para que possamos ver realizados estes planos o mais cedo possível.

Dr. Otoniel Bueno Gálvão: - Quero chamar a atenção para a cirurgia através dos pequenos orifícios, que consiste em inspecionar o orifício dos projéteis com espéculos ou pequenos afastadores e aparelhos de iluminação indireta e retirar por meio deles, corpos estranhos, balas, etc. sem necessidade de aumentar os orifícios já existentes. Também com o mesmo fim, poderiam ser inspeccionadas as cavidades virtuais, abdómen, tórax, crânio, etc., com incisões mínimas.

Dr. Mário Otoni de Rezende: - O dr. Oliva teve a idéia de transformar, ou melhor, de aproveitar o nosso serviço na Santa Casa, para um serviço de base, para os militares, cujo tratamento não pudesse ser feito na vanguarda. De fato, como diz muito bem o dr. Oliva, não se poderia ter em tempo de guerra, diversos serviços especializados, em cada cidade, mas apenas um único serviço de base para o qual seriam levados todos os doentes da especialidade. Esta idéia, pode ser desenvolvida tanto na Santa Casa, como na Faculdade de Medicina ou outro lugar que a ela se preste. Quanto à eventualidade da guerra, muito se tem escrito a respeito da situação do especialista em face dessa circunstância. Na Inglaterra, chegou-se a seguinte conclusão: no ponto de vista das especialidades médicas, principalmente da otorrinolaringologia, os especialistas todos serão aproveitados como cirurgiões gerais, tendo em consideração as aptidões dos otorrinolaringologistas. De fato, não se pode admitir que na linha de frente fiquem 1 ou 2 especialistas em cada batalhão à espera de casos que ocorram dentro de sua especialidade. É isto o que se está fazendo na Inglaterra e acho que é para este caminho que deve ser orientada a otorrinolaringologia, em tempo de guerra.

Dr. Roberto Oliva: - O que pretende é a criação de um centro de otorrinolaringologia para a retaguarda de cada região militar do Brasil, pois, seria absurdo pretender-se enviar especialistas para a frente à cata de casos apenas de sua especialidade, porque a linha de frente é lugar apenas para o cirurgião ou para o especialista que também faça a cirurgia geral. E, além disso, como poderá um especialista tratar de uma sinusite na lanha de frente? Além da impossibilidade de ordem técnica, há impossibilidade material, pois na própria Inglaterra houve grande dificuldade em recolher o material necessário para atender aos serviços mais simples da especialidade. Os casos mais complicados, só poderão ser resolvidos nos hospitais de base da retaguarda que estarão aparelhados para isso. Os casos da especialidade que aparecem na frente de batalha, ou são por demais complicados, não podendo nem mesmo ser tratados pelo próprio especialista, a não ser em um hospital de base, completamente aparelhado.

Como nada mais houvesse a tratar, o sr. presidente considera encerrada a reunião.


SOCIEDADE DE OTO-RINO-LARINGOLOGIA DO RIO DE JANEIRO

Áta da 8.ª Sessão Extraordinária

Aos nove dias de Outubro de 1942, reuniu-se em sessão solene comemorativa ao quinto aniversário, a Sociedade de OtoRino-Laringologia, sob a presidência do Dr. Aristides Monteiro, secretariada por Dr. Getulio Silva.

Com a palavra Dr. Aristides Monteiro historiou em breves palavras a vida da Sociedade nestes cinco anos. Falou das lutas e dificuldades vencidas pela Sociedade, que ainda no início de sua vida já goza de um grande prestígio.

Falou em seguida Dr. Ermiro Lima que elogiou a atitude democrática, liberal, científica do Sr. Dr. Presidente Aristides Monteiro, que embora substituindo o presidente efetivo Dr. Alberto Pontes, dirigiu os trabalhos com seu alto espírito de cientista moderno.

Com a palavra Dr. Ramon Prieto:
"la en ocasion de la clausura de las sesiones cientificas, tuvo la feliz oportunidad de referirme, someramente, a las atividades sobresalientes desarrolladas por la mesa Diretiva de la Sociedad de O. R. L. de Rio de janeiro, en el presente ejercicio.

Aprovechando ahora la sesion solemne, voy a permitir-me presentar em nombre de la Sociedad de Oftalmologia y Otorrinolaringologia dei Paraguay, de cuya presidencia he solicitado, en su debido tiempo, la correspondente venia, los saludos cordiales, a los miembros de la Diretiva en la persona de su dignissimo Presidente Dr. Aristides Monteiro, quien com su dinamismo y clarividencia supo encausar los destinos de la prestigiosa Asociacion : haver extenciva esta salutación a todos los asociados y a todos los otorrinolaringólogos no solo de Rio de Janeiro suio del Brasil entero; felicitar a la Diretória por su labor eminentemente productiva tanto en el terreno cientifico como en el espiritual y formular los sinceros votos porque la trajectoria, que le corresponde recorrer todavia, esté siempre surcada por las mas amplias posibilidades y por la concurrencia de los mejores angurios. Aprovecho tambiem para manifestar que si bien soy un extrangero en esta hospitalaria tierra me he sentido en todo momento dentificado con sus hombres de ciencia, quienes estudian y trabajan insesantemente en provecho de la humanidad doliente.

Señor Presidente: Dejo asi cumplida esta honrosa mision a travez de mis palabras, modestas ellas, pero impregnadas de hondro y significativo palpitar.

Áta da nona Sessão Extraordinaria.

Aos nove dias de Outubro de mil novecentos e quarenta e dois, reuniu-se em sessão extraordinária a Sociedade de Oto-Rino-Laringologia do Rio de Janeiro, sobre a Presidência do Dr. Aristides Monteiro, secretariada por Dr. Getulio Silva, para eleger a nova Diretoria que regerá os destinos da Sociedade no ano de mil novecentos e quarenta e trez. Verificando o livro de presença, o Sr. Presidente constatou não haver numero legal para se proceder a eleição.

Foi encerrada a sessão e convocada uma nova sessão extraordinaria para o mesmo fim, meia hora após a primeira.

Áta da decima sessão extraordinaria.

Aos nove dias de Outubro de mil novecentos e quarenta e dois, reuniu-se a Sociedade de O. R. L. do Rio de Janeiro, sob a presidência do Dr. Aristides Monteiro, para em segunda convocação tratar da eleição da nova Diretoria para mil novecentos e quarenta e três.

A mesa nomeou para excrutinadores os Drs.: Mauro Penna, Eriniro Lima e Milton de Carvalho. Procedida a eleição foi verificado o seguinte resultado: para 2.° Vice Presidente - Dr. Walter Muller dos Reis; para tesoureiro - Dr. Milton de Carvalho ; para Secretario Geral - Dr. Sylvio Mello; para 1.° Secretario - Dr. Getulio Silva; para 2.° Secretario - Dr. Benfica de Menezes; para 3.° Secretario - Dr. Galdino Augusto; para Orador -- Dr. Lauro Sodré Filho; para Bibliotecario - Dr. George Silva; para Comissão de Sindicância - Drs.: Paulo Brandão, David Adler e Mauro Penna. Todos os eleitos o foram com dez votos cada um.

Áta da quadragésima sexta sessão ordinaria.

Aos seis dias de Novembro de mil novecentos e quarenta e dois, reuniu-se em sessão ordinária a Sociedade de O. R. L. do Rio de Janeiro, sob a Presidência do Dr. Aristides Monteiro, secretariado por Dr. Benfica de Menezes.

É dado início ao expediente com a leitura da áta da Sessão anterior que foi aprovada.

O Sr. Presidente passa a presidência da sessão ao Dr. Walter Muller dos Reis.

O Presidente da mesa lê uma carta do Prof. Casteran dirigida a Sociedade em que pede seja dado publicidade, da não realização do Congresso Latino de O.R.L. de 1943 em São Paulo, e da realização do Congresso Sul Americano de O.R.L. em 1944 na cidade de Montevidéo. A seguir o Presidente em exercício lê uma carta que lhe foi enviada pelo Dr. Aristides Monteiro em que pede demissão do cargo de Presidente que ocupa nesta Sociedade, por motivos independentes a sua vontade.

Posto em discussão, com a palavra Dr. Mauro Penna que diz ser de todos conhecidos, os motivos "independentes a sua vontade" do Dr. A. Monteiro, e que este elabora num erro quando pensa que vai ser Presidente desta Sociedade durante dois
mandatos; mostra que o demissionário não era o Presidente jurídico e sim um 1.° Vice Presidente em exercício de Presidente; pede seja negada pela casa a demissão.

Dr. Pinto Fernandes com a palavra, depois de fazer o elogio de Dr. A. Monteiro, pede seja negada a demissão.

Dr. Walter Muller dos Reis coma palavra faz suas as palavras do Drs. Mauro Perna e Pinto Fernandes.

Com a palavra Dr. Mauro Penna, pede seja posto em votação o pedido de demissão do Dr. Aristides Monteiro; isto feito, foi negado por maioria absoluta.

Nada mais havendo a tratar foi dado início a ordem do dia:


ORDEM DO DIA:

POLIPO DA AMIGDALA PALATINA (caso clínico) - Dr. Humberto Lauria.

Examinando um doente portador de angina lacunar crônica, notou no polo inferior da amígdala D, pequena formação tumoral pediculada semelhante a um polipo.

Achando o caso interessante e raro resolveu trazer ao conhecimento da casa.


COMENTÁRIOS:

Dr. Aristides Monteiro relata caso semelhante de um doente do Hospital São Francisco de Assis em que foi praticado amigdalectomia.

TRAUMA DO ROCHEDO - PERICIA MÉDICO-LEGAL (2)
Dr. Aristides Monteiro

COMENTÁRIOS:

Dr. Mauro Perna: Relata um caso de Traumatismo do Rochedo, chamando a atenção do exame radiológico praticado por técnicos experimentados.

Dr. Pinto Fernandes: Relata Caso semelhante de traumatismo do rochedo.

Nada mais havendo a tratar o Sr. Presidente agradeceu aos autores dos trabalhos apresentados a sua colaboração e deu por encerrada a sessão.


Áta da quadragésima sétima sessão ordinaria

Aos quatro dias de Dezembro de mil novecentos e quarenta e dois, reuniu-se em sessão ordinária a Sociedade de O.R.L. do Rio de Janeiro, sob a presidência do Dr. Aristides Monteiro, tendo por secretário Dr. Benfica de Menezes.

Aberta a sessão pelo Sr. Presidente, este se congratula com a casa pela presença nesta reunião do Dr. Francisco Hartung, nome que dispensa apresentação por ser bastante conhecido entre nós.

Em seguida convida ao Dr. Hartung e Prof. João Marinho a fazer parte da mesa.

Ainda com a palavra o Sr. Presidente propõe a instituição das "Jornadas Oto-Rino-Laringologicas" para que seja mantido o intercambio cultural e de amizade entre os especialistas de São Paulo e desta Capital, pedindo ao Dr. Francisco Hartung seja o iniciador desta idéia com a brilhante comunicação que fará hoje.

Com a palavra o Dr. Francisco Hartung que agradece a escolha felicitando ao Dr. Aristides Monteiro pela brilhante idéia, creando as "Jornadas Oto-Rino-Laringologicas" comprometendo-se a transmiti-lá aos demais colegas, assim que chegasse a São Paulo.

Não havendo mais quem pedisse a palavra no expediente foi dado início a Ordem do dia.

ORDEM DO DIA

OTITE MÉDIA E SUAS COMPLICAÇÕES NO DIABÉTICO
(3) - Dr. Francisco Hartung

COMENTÁRIOS:

Prof. João Marinho comenta a comunicação de Dr. F. Hartung, fazendo em seguida algumas considerações sobre labirintites serosas difusas, pedindo em seguida ao Dr. Mauro Penna que comente a comunicação de Dr. Hartung, pela grande experiência que adquiriu no assunto quando trabalhou no serviço do Prof. Armes Dias.

Dr. Mauro Penna diz nunca ter tido conhecimento de caso semelhante com cura. Faz em seguida varias considerações sobre a lesão do acústico e o fenômeno do zumbido nos diabéticos.

Dr. Aristides Monteiro: relata um caso que observou no Hospital São Francisco de Assis de nevrite do acústico em diabético.

Dr. Paulo Brandão: Relata dois casos em diabético: o 1.°, na era pré-insulínica - Mastoidite de Bezold - Morte; o 2.°, na éra insulínica - Mastoidite dupla - curada.

Dr. Francisco Hartung: diz de sua satisfação pelo interesse despertado pela sua comunicação, agradecendo aqueles que a comentaram.

ESTUDO ANATOMO-CIRÚRGICO DE NOVA VIA DE ACESSO NA OPERAÇÃO DE OTO-ESCLEROSE -

Prof. Ermiro Lima:

Depois de fazer um ligeiro histórico sobre o que se tem feito em cirúrgia na oto-esclerose, cita estatísticas mais ou menos animadoras de eminentes especialistas. Passa então a expor o método que empregou (processo de Lempert modificado), nos dois casos que teve até o momento; um sem resultados práticos e outro com pequena melhora auditiva; promete trazer ao conhecimento da casa outros casos que venha a operar.

Termina sua exposição mostrando uma peça da intervenção que fez para melhor elucidação.


COMENTÁRIOS:

Dr. Aristides Monteiro comenta a comunicação fazendo o elogio do Prof. Ermiro Lima pelo brilhante trabalho apresentado.

Nada mais havendo a tratar foi encerrada a sessão.




(1) Publicado na integra na "Revista Brasileira de O. R. L." - Vol. XI - N.º 1 --Jan.-Fev., 1943.
(2) Trabalho publicado neste número da Revista Brasileira de O. R. L. á pagina 464.
(3) Trabalho publicado na "Revista Brasileira de O. R. L." - Vol. XI, Jarra-Fev. 1943.
ando do expediente passouse à ordem do dia da qual constaram os seguintes trabalhos.

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