Versão Inglês

Ano:  1943  Vol. 11   Ed. 4  - Julho - Outubro - (10º)

Seção: Notas Clínicas

Páginas: 470 a 474

 

MIXOMA DO MAXILAR SUPERIOR (1)

Autor(es): DR. FERNANDO LINHARES (2)

POLICLINICA GERAL DO RIO DE JANEIRO SERVIÇO DE LARINOTOLOGIA
Chefe: DR. AUGUSTO LINHARES

Observação 14.054. C. R. 25 anos, branca, brasileira, casada, doméstica, Rua Projetada 70 (Ramos).

Ha 3 anos queixa-se de um caroço do tamanho de um grão de feijão na boca e de obstrução nasal (sic). De um ano, para cá começou a aumentar, (fenômenos compressivos). A paciente diz ter estado internada em Serviço especializado porém não foi operada.

Exame Objetivo: Ao exame do rosto da paciente, chama-nos a atenção um grande abaulamento da bochecha, lado esquerdo.

Boca: Falhas dentárias.

Fossa Canina: Notamos um abaulamento do tamanho de um limão (foto 1), tumor duro e liso. Foi tentada uma punção sem resultado.

Rinoscopia anterior: Compressão do cartucho inferior ao septo, obstrução.

Radiografia: Imagem do tipo tumoral no maxilar superior esquerdo, com opacificação do seio maxilar correspondente. (Dr. Darcy Soares). Foi feita uma radiografia com contraste que nada esclareceu.

5-3-942. Operação sob anestesia local (carpule, 6 tubos, troncular: novocaina a 270). Operador: DR. FERNANDO LINHARES. Incisão da mucosa e descolamento (Caldwell Luc) isolando completamente a face externa do tumor, duro, liso e fibroso. Contornando para cima e para trás com um descolador forte fizemos um movimento de alavanca e conseguimos retirar a porção anterior (3 centimetros, foto n.° 2). Examinamos a cavidade e notamos que o tumor havia destruido a parede externa do antro enchendo-o todo comprimindo a parede interna do antro contra o septo.

Utilizando uma pinça saca-bocados e uma cureta, retiramos o resto por fragmentos, havendo uma grande aderência ao nível do soalho da órbita (efração) e parede nasal (destruição e invasão). Ao tentarmos a limpeza da parede nasal tivemos uma forte hemorragia que fizemos cessar coagulando com bisturi elétrico. Tamponamos a cavidade com gaze iodoformada.

Sem o resultado anátomo patologico da peça preferimos deixar aberto o antro para controle visual.



Foto n.º 1 - aparecendo na fossa canina o tumor.



Foto n.º 2 - mostrando a porção anterior (3 cms) do tumor.



Foto n.º 3 - Imagem do tipo tumoral no maxilar superior esquerdo com opacificação do seio maxilar correspondente.



Foto n.º 4 - Mesma radiografia com constraste.



Foto n.º 5 - Microfotografia da peça mostrando estrutura uniforme de tecido mucoso e raras trabeculas ósseas. As células são de forma estreladas e contornos irregulares. Mixoblastoma (Dr. Jonio Salles).



Post operatorio normal.

Dia 7-3-42. Retiramos a gaze iodoformada e constatamos o aspecto normal das paredes do seio.

Dia 12-3-42. Alta Hospitalar. Tratamento ambulatório 2 vezes por semana.

EXAME ANÁTOMO PATOLOGICO: - Remetida a peça para o Instituto Osvaldo Cruz foi o mesmo feito pelo Dr. Jonio Salles que nos deu o seguinte resultado:

O tumor apresenta uma estrutura uniforme em todo; os campos microscopicos, sendo formado quasi que exclusivamente de tecido mucoso e de vez em quando trabeculas ósseas circundadas por grande quantidade de mucina. As células do tumor são de forma estrelada tendo os seus contornos irregulares e pouco definidos; os núcleos são pobres em cromatina, arredondados e uniformes é os citoplasmas pouco diferenciados se confundem com o estroma mucoso.

DIAGNOSTICO: MYXOBLASTOMA: - DR. JONIO FERREIRA SALLES

Enviamos a paciente ao Dr. Edgard Drolhe da Costa que dada a natureza benigna do tumor submeteu-a a uma série de aplicações Roentgenterapicas de 3.000 r.

Dia 29-3-42. 15 aplicações Roentgenterapicas médio penetrantes assim distribuidas:

K 150
ma 4
Filtro 4 AC
Distancia 30 cms
r minuto 50 r
Dose 200 r

de 2 em 2 dias, total 3.000 r.
Dr. Drolhe da Costa

Descanço de 1 mês e nova série (2/5/42)

MIXOMA: É um blastoma formado de tecido conjuntivo e células mesenquimaes neoplasicas em estado de tecido mucoso; entre as celular mesenquimaes neoplasicas existe sempre maior ou menor quantidade de substância fundamental amorfa em estado líquido ou pastoso (muco).

O parenquima lembra a composição da geléa ele Warton, do cordão umbelical (consistência flacida e gelatinosa). Povoa - Blastomas. B. Carreara, em Pernambuco operou um caso semelhante em que havia comprometimento do olho por exteriorização do tumor. Houve necessidade de incisão externa (eletro cirúrgia e radioterapia) pois o tumor havia atingido o tamanho de uma laranja. (Rei-. Bras. Cururgia - Junho de 41).

H. Cordeiro escrevendo sobre fileromas elo nano-faringe chama a atenção para o fato de que a medida chie o corte anatomopatologico caminha em direção ao centro da peça ha uma diferenciação de tecido de fibras conjuntivas para celular estreladas prestando-se a confusão conforme o sentido que toma o corte (mixofibromas). (Cordeiro H. Rev.ORL. de S. Paulo n.° 6, 1936).

O nosso caso como se podem ver pela microfotografia é laudo anatomo patológico, tratara-se de um mixoblastoma puro.




(1) - Apresentado a Sociedade de Oto-rino-laringologia do Rio de janeiro no dia 7-4-43.
(2) Chefe interino

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