Versão Inglês

Ano:  1942  Vol. 10   Ed. 4  - Julho - Agosto - ()

Seção: -

Páginas: 413 a 423

 

DO CONCEITO GERAL DA ALERGIA Em OTORRINOLARINGOLOGIA - parte 2

Autor(es): Prof. João Marinho

SUMARIO

O A. a ponto de retirar-se da atividade didática, aproveita oportunidade de convite para participar em curso de alergia organizado pelo professor de Patologia Geral, Dr. Hélion Póvoa, para dar sua última aula na Faculdade Nacional de Medicina da Universidade do Brasil, onde por largos anos ocupou a catédra de Clínica Oto-Rino-Laringológica.

Ao iniciar a exposição, confessa quanto tem procurado entender a tese, tanto volta desenganado dos livros. A começar pela definição corrente em todos: "Alergia vem de reação provocada pelo encontro do antígeno hipersensibilizante com anticorpos acumulados nos tecidos". Precisamente o contrário do que tôda vida lhe ensinaram a respeito de anticorpo: substância elaborada para adaptar as que entram no organismo às conveniências da nutrição.

Digno de reflexão no fenômeno alérgico, não é a sintomatologia, pobre e monótona, a mesma, ou quasi, como quer que seja o alérgeno responsabilizado pelo acidente; nem a etiologia imprevisível no caso humano, quer dizer, fora do deterininismo experimental; e nem no diagnóstico, evidente até à dramaticidade. O ponto está na patogenia, sujeita a controvérsia da experimentação. O mais que parece ao A. haver alcançado na compreensão do estado de alergia, vem a ser o de fazê-lo entrar no conceito geral de "indigestão", indigestão proteica, com elaboração de histamina tóxica como sucede com a trivial gastro-intestinal, aproximados ainda os dois estados pela mesma sintomatologia clínica neuro-vegetativa: vômitos, diarréia, suores, palidez, sufusão de soro ou plasma (edema, hemorragia), baixa de tensão sangüínea; e na local, um só exemplo, porém típico: a urticária.

Quando o A. terminava o curso de medicina em 1897, nem o nome de anafilaxia existia, só aparecido no seguinte com Richet; muito menos, o de elergia, ainda mais tarde, com von Pirquet. Aproveita essa contemporaneidade de sua vida médica para tratar o assunto com espírito filosófico ou de filiação histórica, de preferência ao científico, ainda em sucessão de hipóteses, a miudo desfeitas na prova experimental. Compreende-se. Na trama complexíssima dos fenômenos biológicos de que resulta a vida, vê-se o fisiologista, sob pena de confusão, a só cogitar nos que lhe entram ao "criterium" da experimentação. Os que ficam fora da sua meditação, na realidade, porém, inseparáveis do sistema, reagem todos a um tempo,, perturbando a conclusão. Entretido a estudar o efeito de certos venenos, deu Richet, surpreendido, com a anafilaxia.

Como segue o método preferido, relaceia a sintomatologia dada agora como de alergia, outrora atribuída a entidades abstratas, indiossincrasia, intolerância, diatese", de que dá as definições clássicas e a de "terreno", afortunado têrmo inventado pela fraseologia médica ao eufemismo de expressar o desconhecido; êsse mesmo terreno ressurgido últimamente em estado "criptogênico", a simbolizar no purismo de sua etimologia o que ainda não se sabe com entendimento positivo: "criptos" - oculto, "gênesis" - geração, origem.

Chegado à época da anafilaxia (ou melhor, afilaxia), e à da alergia, acompanha a corrente dos que reúnem num só os dois conceitos e traz a esse respeito seu testemunho clínico dos acidentes da soroterapia sobrevirem de ordinário, não à primeira, senão depois da segunda, ou seguintes injeções do medicamento.

A propósito da definição de alergia por Darier, "l'allergie c'est la vie", passa, para não cair em petição de princípio, ao entendimento da vida, através das sucessivas concepções, passageiras, mas inevitáveis por que teve de evolver a inteligência da Humanidade antes de cair no conceito bio-químico, por onde hoje explica, com dados de objetividade demonstravel, tôda existência vital. Recorda a fase de revelação teológica do sôpro anímico; a metafísica, ou a do princípio vital, arqueo de von Helmont, Paracelso, Barthez, ainda hoje a de mais de um "espiritualista", de filosofia aderente a derradeiros vestígios ontológicos, reduzida à meia dúvida, meia afirinação do "Au delà", de Pasteur, alguma coisa para além da substância organizada, causa primária, essência da vida. Chega ao tempo de Bichat, (1801), e do como entendia a vida: "Um conjunto de funções que resistem à morte", concepção intermediária entre as fictícias anteriores e a de espírito positivo, inaugurada por Blainville, só possível depois de descoberta a Química por Lavoisier trinta anos antes: "O corpo vivo é um foco químico, com transporte contínuo de moléculas novas que entram e de usadas que se despedem. A combinação jamais se fixa; ora mais de vagar, ora mais depressa, está sempre a se repetir, de onde resulta a vida do momento mesmo em que a combinação se realiza, ou melhor, vem dessa composição nacente sucessivamente repetida" (Ducrotay de Blainville, "Da organização dos animais", Paris, 1822).

Mostra o como essa definição inspirou a de Augusto Comte, ainda hoje insuperada: "A vida é um duplo movimento, geral e contínuo, de composição e decomposição" (1836), a que chegou o insigne pensador depois de longos comentários a propósito de concorrerem, harmônicos e dependentes, dois ciclos ao entretenimento da vida na substância organizada: do meio interno, ou do foco químico, e o fundamental, escapo a Blainville, da dupla troca de um organismo qualquer com o meio correspondente, a um tempo, alimento, estimulante regularizador da ininterrupta atividade do primeiro.

Do princípio de Broussais, deduz o que hoje todos sentem, mas esquecidos da fonte, nem todos saberão formular: "Entre saúde e doença, a diferença consiste apenas na intensidade dos fenômenos cujas leis permanecem inalteráveis". Lembra o quanto, até Broussais (1778-1838), considerava-se o estado patológico submetido a outras leis das que regeriam o de saúde, de onde o não aproveitarem este último ao estudo das doenças. Depois, tornou-se esse princípio base sistemática da medicina, subordinada ao conjunto da biologia. Aplicado em sentido inverso, por ele a patologia esclarece os fenômenos de vida com saúde.

Assenta na célula a organização mais simples com atributos de vida, e na proteína o onde se processa o foco químico, a que serve de comburente a substância hidro-carbonada. Mostra o como, ingerida, a proteína alimentar não se incorpora tal qual entra; decompõe-se primeiro, cada vez mais simplificada, na série dos ácidos aminados que a constituem, para só - então reconstituir-se de novo em substância proteica, com a especialidade, agora, de proteína diferenciada à constituição de células adequadas aos diferentes tecidos, que reunidos formam os orgãos, estes os aparelhos, o organismo, enfim, dos animais superiores.

A especificidade textil, corresponde especificidade funcional, culminada na suprema diferenciação da célula nervosa: o eixo cérebro-espinhal a estimular, de uma parte, pelo sistema neuro-nutritivo, autônomo ou de puro instinto, a vida vegetativa, a do ciclo interno de Blainville; de outra, coordenando, pelo sensório-motor, a de relação do organismo com o exterior, sensação e motricidade evolvidas da irritabilidade e contratilidade presentes desde o início da série biológica.

Desce ao metabolismo da proteína; enumera-lhe os componentes aminoácidos e seus resíduos de eliminação, entre outros a amina, e porquê dos tecidos, chama-se histamina ("histo + amina"), derivada por descarbolização da histidina, depois de combinada com o seu fermento, a histidase. Por sua vez, a histamina, preparada pelo que lhe é próprio, a histaminase, elimina-se pela urina, como composto ureico; ou pelo grupo azotado indefinido ou eteróciclo do indicar, creatina, creatinina etcétera.

Quando indigesta, sôbre antecedentes leal elaborados na cadeia aminoácida, a histamina, retida por insuficiência ou deficiência de histaminase, torna-se tóxica, como sucede à tôda substância catabólica em idêntica situação. Na toxicidade dessa histamina anormal fundamenta-se a razão bioquímica do estado alérgico.

Reflete, a seguir, que para entendimento da especificidade de antígenos e alérgenos, haverá necessidade lógica de alargar o conceito da substância H de Lewis: Lewis H, H1, H2, H3 ... Hn, outras tantas histaminas, cada qual específica da proteína de onde provêm. Uma será a do acesso alérgico, as restantes, indiferentes ao alérgeno hipersensibilizante, as do metabolismo normal da nutrição. Compreende dêsse modo o fato de observação comum do mesmo indivíduo mostrar-se sensível a mais de um antígeno alergizante.

Fundamentado na série de decomposição da proteína exogena e na de sua recomposição em proteína orgânica, situa a gênese do fenômeno alérgico na, fase de desagregação, analítica ou catabólica; a imunidade, na de reconstituição, anabólíca ou de síntese, concluindo por definir "alergia como imunidade desviada". Processos diferentes, com ponto comum no de transição entre o catabolismo e o anabolismo, um como que vértice de "V", para onde desce, e demora retida, a histamina indigesta, e de onde sobe a antitoxicina (o A. prova ser substância proteica), para incorporar-se à existência orgânica como atributo de imunidade, entendida em termos positivos, como digestão adequada à normalidade da vida com saúde, assim para os alimentos, como para as bactérias das doenças infecciosas. Os que comem de tudo, nada lhes faz mal; os refractários a enfermidades, os "de nunca tiveram nada" são de boa elaboração digestiva no ciclo interno de Blainville. A cronicidade da tuberculose, mais a iminência latente de sua alergia, interpretar-se-á como dispepsia crônica na proteína de seu bacilo, digestão jamais levada a cabo no sentido da imunidade; intercadências de melhoras e recaídas, que sempre, contudo, imunizam alguma coisa. Compreendem-se do mesmo modo, situações a um tempo contraditórias e irrecusáveis, da mesma substância funcionar, uma vez, como antígeno normal; outra, como alérgeno; uma terceira, como agente de cura nas liso-vacinas do receituário médico.

Os alérgenos supostamente não proteicos (salicilatos, arsenicais, iodo, mercúrio, bismuto etc.), só se tornarão nocivos depois de combinados com a proteína: entram ao organismo como antígenos, e na digestão como participantes da molécula protídea a que emprestam particularidades tóxicas. Compatíveis com a vida, cooperam na elaboração de anticorpos, de onde o mitridatismo.

Permitem-lhe êsses conhecimentos e reflexões gerais entender com brevidade espirros e rinorréias, edemas e espasmos glóticos, laringites estridulosas, de chamado urgente ao médico, que quando chega só encontra a criança, uma hora antes a morrer em crise asfíxica, dormindo a sono solto; amigdalites e seus fleimões digeridos em pus - "pus laudabile", por efeito de processos líticos, lisinas, leucocidinas da proteína dos exsudatos; mastoidites, a ponto clínico de operação, desaparecidas em 24 horas (viu, e foi a operação quem lhe ensinou), na subtaneidade resorptiva de uma crise pneumônica; vertigens e desequilíbrios de Menière, "nervo-recidivas arsenicais", mais a reação congestiva de Hexheimer a estrangular o nervo no trajeto do conduto auditivo, equivalente da púrpura no tegumento externo; dentro, ou fora, como veem, logo se vão, no mesmo entendimento de desequilíbrio na dupla troca sucessiva, contínua, de vida na molécula proteica, manifesta na maior ou menor irritabilidade do sistema neurotrófico vegetativo.

Decendo ao particular, expõe o "conceito dual da infecção em foco", de López Lacarrere e Viale del Carril, assistentes do Professor E. V. Segura, de Buenos Aires, os quais formulam a hipótese, confirmada por dados clínicos, da cronicidade das sinusites e sua resistência ao tratamento, mesmo cirúrgico, dependerem de estado alérgico provocado pela supuração focal, por sua vez entretida por miopragia orgânica provinda do estado alérgico. Demora-se nesse ponto, resumido em dois itens: o patogênico, da infecção focal fechado no ciclo infecção-alergia, alergia-infecção; e o terapêutico, unicista, representado pela bacterioterapia.

Ao conceito bacteriano da escola de Buenos Aires, opõe o químico, toxicoêmico pela histamina, não menos documentado, no Brasil, por bom êxito terapêutico pelo Dr. Celso Barroso, de São Paulo. Compara as duas teorias e verifica que não se contradizem, antes, podem concertar em fundamento comum na histamina tóxica: Lacarrere e del Viale falam de modo geral em "alergia bacteriana", sem descerem a defini-la em têrmos de bio-química; Celso Barroso, firmado na histamina, implicitamente não destrói a suposição do A. de provir também a histamina do desdobramento de proteína bacteriana.

Publica a recente teoria de Miles Atkinson (1941), que considera a vertigem de Manière como alergia de histamina: ora por vaso-dilatação, ora por constricção, situações opostas, não raro sucessivas por desequilíbrio vago-simpático. Acontecerá nesse duplo acontecimento, comenta o A. (não os AA.), o mesmo admitido por Cazaminan à sintomatologia do enjoo do mar, a princípio uma simpaticotonia (vaso-contricção), seguida de vagotonia. Para o diagnóstico diferencial entre as duas patogenias, fazem os AA. a prova ou teste da histamina (p. 411). Reação positiva, prova a vaso-dilatação, de tratamento desensibilizador pela própria histamina: Para começar, 0,01 de "miligrama". Verificado o limiar da tolerância - o máximo foi 0,001 (um miligrama), fixa nele a dosagem, a injetar uma vez por semana, durante quatro. Repetem a série três meses depois. Em caso de reação negativa, concluem por síndrome de Menière de vaso-constricção, confirmada pelo pronto alívio com inalações de nitrito de amilo.

Chega, por fim ao ponto, na aparência extranhável, de terapêutica única, só na histamina. Entende-se. Com ser a histamina substância vaso-dilatadora, tem sua indicação como desensibilizante e, na outra (vaso-constricção), empregada como vaso-dilatador.

Termina esse capítulo com declarar a confiança cios AA. nesse tratamento, tão bem sucedido, que mais lhes assegura o prognóstico da cura, que mesmo o diagnóstico na patogenia da síndrome.

Enumera os diferentes testes pelos quais a rotina procura, por via cutânea ou mucosa, o alérgeno específico (p. 412), e põe fim a sua exposição pelo que chama remate final de ordem prática, ou de tratamento reduzido a dois itens: tratar os alérgicos pela bacterioterapia de Lacarrère e del Carril, ou pela histamina de Celso Barroso. E acrescenta, não será descrer nem de um nem de outro, admitindo-os sucedâneos quando venha a falhar o primeiro experimentado.

CONCLUSÕES

1. A patogenia da alergia tem seu fundamento em indigestão de proteína.

2. A sintomatologia clínica da alergia é a mesma da indigestão gastro-intestinal: vômitos, diarréia, suores, palidez, sufusão de soro ou plasma (edema, hemorragia), baixa de tensão sanguínea. De onde o entrar o conceito de alergia no geral de indigestão.

3. "Anticorpo" expressa reação bioquímica à ação de antigeno proteico bacteriano, análoga a dos fermentos ou enzimas na digestão da proteina alimentar.

4. O autor situa alergia na fase catabólica da digestão proteica; imunidade, na anabólica. Reúne em generalidade de processo digestivo, o da proteína dos alimentos e o da proteína dos microorganismos infecciosos.

5. No ponto em que a decomposição da proteína exógena volta à recompor-se em proteína textil, culminará o estado afilático. Desse ponto, neutro, indiferente ou de equilíbrio, parte a bioquímica da vida para o estado de alergia, ou predisposição à doença, ou para o de imunidade. As mais das vezes para éste último, estado normal de saúde.

G. Alergia e imunidade são processos diferentes, com ponto comum no afilático.

7. Alergia é a imunidade desviada.

SUMMARY

The foregoing article on allergy is a written edition of a lecture given by the author in answer to an invitation by Prof. Helion Povoa, who organized a series of studies on the subject in School of Medicine of the University of Brazil.

Starting with the famous definition of Darier that allergy is life itself, the first part deals with the general aspects of the problem and contains the fundamental facts and principies which, being the same for the whole organism, perinit the author to discuss but briefly the particular application to the case of Oto-Rhino-Laryngology.

To keep from begging the question one must of course define what life is. Theological and metaphysical concepts reflecting necessary phases of man's intelectual development, could only be substituted after chemistry, discovered by Lavoisier, offered to Blainville (1822) facts on which to base an objective definition. The living organism is a chemical compound in which there is a continuous transportation o? new incoming and old outgoing molecules. Life results from the nascent combination of this double movement, which, be its rhythm fast or slow, repeats itself continuously, ceasing only with death.

A hundred years later Blainville's definition was confirmed by the cientific analysis of the process of nutrition. This continous renewal characterizes life in ali stages of development from the one celled beings to the complicated organism of higher animals.

Biology does not deal with the."why" and "when" of the appearance of life, neither does it ask why it should end in death cach species in its due time. Some little birds last as long as big herbivorous animals,

man lives 70 years, the parrot a hundréd, the dog not much over twelve. Scientific method, the mature expression of man's intelligence, deals only with "how" events and phenomena manifest themselves.

The material basis of life comes from the physical world: "carbon, hydrogen, nitrogen, oxygen, sulphur, phosphorus, calcium, magnesium, sodium, potassium, chlorine ". These indispensable constituents of life are found in ali living beings. The structure of life is based on the combination of C, N, O, H, S, P into these types of organized substance, proteids, fats, and carbolrydrates. The remainder, "mineral elements" of the organism, exercise a catalytic function, similar to the platinum sponge which in the laboratories transforms H2O into water.

The cell is the simplest compound of living substance capable of the double process of nutrition. In the higher animais cells imite in tissues, in organs and these in their turn are combined in systems, forming an organized whole: the organism.

THE BIOLOGICAL CHEMISTRY OF LIFE

The basic element in the organized substance of the cell is protein, the essential condition of life.

Protein is defined as a combination of amimo-acids. Protein molecules of varying complexity are formed by the combination of a variable number of amimo-acid molecules. The albumin of the egg, for instante,

is a complex protein. After ingestion it is not directly assimilated by the organism. In digestion this protein suffers, first, a process of decomposition, and the one of recomposition of the same elements, by means of which it acquires the specific structure of the various cells, tissues and organs of the body.

The decomposition o,f protein takes places in the following manner. Protein (or using a ternr of greater teclinical propriety Proteids) = Metaproteins = Primary proteoses = Secondary proteoses = Peptones = Polypeptides = Aminoacid (Histidine) Amine: R-NH2.

This simplification is brought about by the process of lises, produced by different ferments with specific functions, each lises having its own ferment. Chemistry lias not as yet been able to identify ali. The existence of some is infered by analogy or by indirect biological proof.

Once protein lias been broken down to the relatively simples histidine, a process of recomposition begins during which the amimo-acids again unite by means of polypeptization to form the differentiated protein of the various tissues of the organism. Specific function based on specific anatomical structure culminates in the highly specialized function of the cerebro-spinal system, which, on tlie one hand, stimulates nutrition by means of its influente upon the neurovegetative system, and, on the other, coordinates the sensory motor system which relates the organism to its environment.

HISTAMINE AND ITS TOXIC ACTION IN THE GENESIS OF
THE ALLERGICAL SHOCK

During metabolism protein leaves residues, which are eliminated by urine in the form o£ ureic compounds, or by means of the intestine, the skin, the mucous membranes by means of the indefinite nitrous group of indicam, ereatine, creatinine, etc. One of these residues, amine is eliminated in this manner. The amime of the tissues, called histamine (histo + amina) is produced in the process of discarboxilation of histidine caused by its ferment histidases. In its turn histamine after passing through the process of its own ferment histaminases, is ready for elimination by means of the kidneys, the intestines, etc.

If, on other hand, histamine is retained, it will, like any other catabolic substance under identical conditions, exert a toxic action. According to experimental and clinicai studies, the allergical shock is usually attributed to the intoxicating action of histamine. In the opinion of Prof. Rondoni the retention of histamine may explain the hitherto unknown origin o? intestinal self intoxicatinn.

From the above statements the Lecturer derives the new conclusion (as far as he knows), that the allergical shock may be related to the general concept of indigestion. This hypothesis is furthermore confirmed by an identical neurovegetative symptomatology in both cases: vornits, diarrhea, perspiration, edemas, haemorrhages, low blood tension. They even have in common local disturbances, to give but one typical example: urticara.

The supposedly non-proteic antigens (salicins etc.) will only exert their toxic action after combining with protein. They enter the organism as antigens, and indigestion as proteids. All forro of poisoning are therefore disturbances of the proteic metabolism.

THE PATHOGENESIS OF THE ALLERGICAL SHOCK

Antigen is any substance which upon entering the organista exites a bio-chemical reaction of health or illness. Protein functions as an antigen in the normal case of nutrition, or, when poorly digested, in the pathological manifestation of the allergical shock. In the latter case the antigen is called allergen.

Antibody is a substance which has its origin in the organic reaction caused by the antigen. When, in a pathological case, the antigen functions as an allergen, the antibody is then called by the name of allergine. By a similar derivation anaphylactogen is derived from anaphylaxis. For simplicity's sake the more general terms of antigen and antibody are widely used to designate ali cases. Translated into chemical terms the antibody is a ferment originating in the cellular reaction caused by the antigen.

The allergical condition of shock is the result of aro abnormal, pathological reaction. The deficient, or insufficiently prepared histaminases does not adequately digest the histamine, or the poorly elaborated histamine may itself exert the intoxicating action causing the allergical shock.

As a normal product of the decomposition of protein, histamine is found in the healthy tissue of ali animais including man, even in pre-natal life. The histaminases, antibody of histamine, prepares the excretion of the latter in the de,finite nitrous group of urea, or in the indefinite group of indican.

It so happens however that certain interior spontaneos conditions do not tollerate certain proteins well. Intollerance means in this case bad digestion of this specific protein and not of others. This theory is prooved by the fact that the allergical shock is only produced by a specific proteic substance which functions as an allergen. Another argument in favor of this interpretation is derived from what is known about Lewis'H substance, which is very similar, but not identical to amine. Whereas the chemical constitution of amine is definitely known, - imidazolylethylamine, the identification of the H substance (the amine of the tissues) has hitherto been only possible by means of biological proo,fs. It is for this reason called by Lewis the H substance.

Since the allergical shock is brought about only by a certain protein, the resulting Lewis'H must also be of specific character. This deduction lias led the Lecturer to a broader understanding of this substance. There must exist as many Lewis' as there are varieties of protein: Lewis H, H1, H2, ...Hn, each one specific in its own case. The necessarv existance of the various H suhstances is infered froco clinicai observation and biological experiments, in spite of the fact that their chemical differences have not as yet been demonstrated. One of there H suhstances will cause the allergical shock, the rernainder will continue to exercise their function in normal metabolism. This hypothesis also explain why the same individual may be sensitive to more than one allergen.

BACTERIAL ALLERGEN. IMMUNITY AND ALLERGY

The constitution of a bacteria is based on protein, like that o,f any other living cell. Once broken down into its constituent élements, in the process of digestion, some of its amino-acid groups will represented by toxin. It is certain that toxins prepared in the laboratory (diptheria, tetanus) act as proteins. (P. Rondoni).

In the organism toxin stimulates the formation of antitoxin. During assimilation, the phase of proteic reconstitution, antitoxin is incorporated into the cells, thus forming the basis of specific immunity. Froco the cells it passes into the bloodstream where its presence can be detected in the serum.

The breaking down of bacterial protein will produce, as in any other case, histidine-histidases and finally histamine-histalnin ases. After exogenous protein lias been simplified by the catabolic phase of metabolism, there are various possibilities. At the moment of incipient assimilation, at this beginning of the anabolic phase, protein lias not as yet been differentiated into any particular organic substance. In this transition, the anaphylactic condition of so called lack of protection is at its height. From this turning point biochemistry will in most cases take the normal direction of immunity. In pathological cases, however, allergical sensitization sets in. The same substance which in a healthy organism may leal to the formation of antitoxin, may in another individual bring about the allergical condition. The Lecturer therefore conceives allergy as an immunity which lias gone astray. This does not signify that both are successive phases of the same process, it does mean, however, that both have a common starting point. - They belong to different phases of metabolism, allergy setting in at the final moment of catabolism, whereas immunity takes its departure from the incipient moment of anabolism. The fact that the bio-chemical process may either take the digestion of immunity or allergy, explains the apparent contradiction that the same substance may at one time function as a sensitizing allergen, at another as a desensitizing element, and at a third time as a curative vaccine.

Some day the concept of toxin and antitoxin will be related to the more general case of histamine and histaminases, both representing aspects of the general process of nutrition. Spontaneous or natural immunity in relation to everyday food or occasional bacterial infection may, occording to the Lecturer, have its origin in the normal digestion of protein in the healthy individual. On the other hand, disturbed metabolism leads to common indigestion, or to specific bacterial descase, which, when compatible with life, usually incites the relation of immunity. It may be possible that viruses owe their toxic action to their probable proteic constitution. The chronic nature of -tuberculosis and its allergy may be conceived as an incomplete digestion which, throughout life, never leads to complete immunity. Nevertheless a certain immunity takes place.

SPONTANEOUS DISENSITIZATION BY MEANS OF THE ALLERGICAL SHOCK

Even the abnormal reaction of the allergical shock serves the purpose of freeing the tissues froco histamine. "After the anaphylactic shock the amount of histamine in the tissues diminislies greatly". (Celso Barroso).

In the hemogram of the allergical condition we often find eosinophylis, a siga of "dawning convalescence" (V. Shilling).

Even the latent state of potential sensitization may itself tend to reestablish normal proteie digestion. That rabits were desensitized after a period of 70 to 95 days after having received a sensitizing infection was prooved in the experiments of M. J. Mauric and Mrs. Holtzer. This spontancous disensitization, due to nature itself, "par le jeu mème de la nature" (see refferences in the tcxt), takes place without artificial interference. The same fact lias heen obscrved in man.

The fact that some individuals fall back into the primitive state of sensitization does not contradict our hypothesis. It only prooves first, a marked predisposition for allergy, and second, that allergy does not immunize. As was demonstrated in the above discussion, the biological process of allergy is Glose, but not identical with immunity.

Applying these general concepts to the particular case of rhinology, it can be observed that some acute sinusitic infections become chronic, even after operation, whereas others rapidly cure under identical anatomic and surgical condition.

Dr. E. L. Lacarrere, A. V. del Carril, assistants of Prof. E. V. Segura of Buenos Aires, developed in relation to this subject a theory which théy call "the dual concept of local infection". Clinicai data confirmed their hypothesis that chronic sinusitis, resisting even surgical treatment is caused, on the one hand by local infection which leads to allergy, and on the other, allergy does itself maintain thé infection. This cycle infection-allergy, allergy-infection is broken by bacterial therapeutics.

It is interesting to compare this bacterial treatment with the one based on histamine, which lias been widely and successfully used in Brazil by Dr. Celso Barroso. In the opinion of the Lecturer the two methods have more in common than appears at first sight. Lacarrere and Del Viale speak of bacteria without analysing it in biochemical terms. Those who speak of histamine have not thought of the possibility of this element also originating in the decomposition of bacterial protein.

The Lecturer then summarizes the opinin of Mies Atkinson, who relates the pathogenesis of Manière's fainting spell to the theory o,f histamine as a cause of allergy, which, upsetting the ballance of the sympathetic nervous system, leads to an abnormal sequente of vaso constriction and vaso dilatation. Similir in its allergical pathogenesis in the functional labyrinthitis of seasickness explained by Cazaminan, which begins with a sympathotonic vaso-constriction followed by a vagotonic vaso dilatation. The treatment in both cases confirms the double supposition. If Menièré's illnes is caused by vaso-dilatation, this is a proof that it lias originated in a histaminic intoxication, because it is well known that histamine produces vaso-dilatation. In this case the indicated treatment is disensitization by histamine itself. - If the fainting spell is caused bg vaso-constriction its pathogenesis is prooved by the immediate relief produced by inhalation of amyl nïtrate. In this case also the treatment by histamine is used because of its vaso-dilatating action.

The Lecturer arrives at the conclusion that there are only two treatments of practical utility, one by liso-vaccine, the other by histamine. In case one fails the other one is used, The ideal treatment, which may some day he discovered, will be based ou the specific histaminases which would bring immediate symtomatic relief combined with a nutritive regime which normalizes the metabolic function.

CONCLUSIONS

1. The indigestion of protein is the basic factor in the pathogenesis bf allergy.

2. The clinical symtoms of allergy are the same in gastro-intestinal indigestion: vomits, diarrhea, perspiration, paleness, suffusion of blood plasm and blood serum. We may therefore relate allergy to the general concept of indigestion.

3. The reaction of the organism in relation to bacterial protein, or nutritive protein is analogous, in the first case it is known by the particular name of antibody, in the second it is called ferment or enzyme.

4. The lecturer places the allergical tendency in the catabolic, and imunity in the anabolie phase of proteic digestion.

5.The anaphylactic condition reaches its height in the transition from catabolism to anabolism. From this turning point the bio-chemistry of life usually takes the digestion of immunity, the normal condition of health, in pathological cases however it may lead to allergy.

6. Since these two different processes have a common starting point, the Lecture defines allergy as immunity gone astray.

7. The treatment of the allergical condition can be reduced to two fundamental methods: (1) bacterial therapeutics, and (2) desensitization by means of histamine, which starts with a minimal dose, (one tenth of a miligram) which its gradually increased to the limit of tollerance. This top dose, usually one miliggram, is injected once a week, four weeks in -succession. The same series is repeated after three months.

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