Versão Inglês

Ano:  1942  Vol. 10   Ed. 1  - Janeiro - Fevereiro - (13º)

Seção: Trabalhos Originais

Páginas: 167 a 168

 

Ozena (Rinite Atrófica Fétida) - Modificações

Autor(es): Dr. Ernesto Moreira

Modificações

As alterações que procuramos introduzir no processo clássico, não só beneficiaram os doentes, como trouxeram para a técnica operatória uma consideravel economia de tempo. A cirurgia da ozena pelo método de LAUTENSCHLÄGER, mesmo depois de um largo tirocínio, jamais foi executada em menos de 1 hora; pois já consegui, com a minha simplificação, operar em 25 minutos, excluído, está claro, o tempo da anestesia.

Não somente o ato operatório foi simplificado. O periodo poscirurgia, que era em média de 30 dias, reduzi ao máximo de 15, com lavagens semanais. Repouso absoluto para o paciente, mas nenhum sofrimento. Temos sempre a cautela de prevenir o doente dos resultados imediatos e mediatos da operação. De início o paciente queixa-se de dificuldade respiratória, com abundante secreção mal cheirosa. Explicavel, fossas nasais alargadas pela atrofia tornam-se estreitadas pela cirurgia dando em consequência essa deficiência respiratória. As crostas amarelo-esverdeadas são substituidas por um corrimento fétido que muito aborrece o enfermo. A ferida bucal tambem impede uma higiene completa, produzindo máu hálito. Felizmente todos esses inconvenientes vão desaparecendo gradativamente, permanecendo no entanto a rinorréia e anestesia da face e dos dentes, ainda durante algum tempo. O olfato que quasi na totalidade é abolido, em muitos casos tem sido restabelecido, com grande alegria para o enfermo.

A satisfação imensa de que fica possuido o doente pelo seu regresso à sociedade, livre daquele horrivel complexo de inferioridade, ter certeza de não mais ser repelido pelos seus íntimos, todo esse conjunto de vantagens vale bem o sacrifício da operação.

A cirurgia da r. a. f. tem ainda um contingente apreciavel de insucessos. A idade do operando, o estado geral, mas, principalmente o local, muito concorre para o resultado final. Uma atrofia grande, mucosa nasal reduzida, estado geral mau, idade avançada, são causas que prejudicam o resultado operatório. Um outro fato que deve ser levado em consideração, e, no nosso entender de grande valia, é o comportamento do paciente. Sendo uma intervenção demorada e exaustiva, não pode o operador ser perturbado por gestos intempestivos e queixas injustificadas, que só poderão concorrer para o mau êxito da cirurgia.

Deve também ser levada em conta a sequência operatória, que varia grandemente. Casos há que o operador classifica de muito bom, e o doente não manifesta seu contentamento, pois este dificilmente avalia o estado real de sua doença. Portador de crostas em abundância, mal cheirosas, e, podendo a operação reduzi-Ias a um simples catarro que com higiene nasal diária restitue o paciente ao convívio social, creio, já é muito conseguir. Outros doentes, com uma relativa melhora manifestam-se completamente satisfeitos. Coeficiente pessoal de cada um.

Estas considerações vão à guisa de aviso aos colegas que queiram praticar a cirurgia da ozena, pois, ao lado dos casos felizes que muita satisfação nos causaram, estão os insucessos, que provavelmente tem contribuido para a descrença do método, não só entre leigos, como mesmo no seio dos especialistas. Somos sinceramente entusiastas do tratamento da ozena pela cirurgia, porque até o presente, tudo o que se tem feito em beneficio desses infelizes, não vai alem de tentativas bem intencionadas. A cirurgia tem dado resultados positivos, portanto, emquanto não aparecer um tratamento que solucione o problema, continuemos a operar, porque alivia, melhora e cura em muitos casos esse terrivel opróbrio de nossa especialidade.

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