Versão Inglês

Ano:  1941  Vol. 9   Ed. 3  - Maio - Junho - ()

Seção: Associações Científicas

Páginas: 243 a 250

 

ASSOCIAÇÕES CIENTIFICAS

Autor(es): -

SECÇÃO DE OTO-RINO-LARINGOLOGIA E CIRURGIA PLÁSTICA DA ASSOCIAÇÃO PAULISTA DE MEDICINA

Reunião de 17 de Dezembro de 1940

Presidida pelo dr. Rafael da Nova e secretariada pelos drs. José Julio Cansanção e Francisco Prudente de Aquino, realizou-se, no dia 17 de dezembro de 1940, uma reunião mensal ordinária da Secção de Oto-Rino-Laringologia e Cirurgia Plástica da Associação Paulista de Medicina.

Expediente:

Aberta a sessão, pelo sr. secretário foi procedida a leitura da ata da última reunião, sendo aprovada por unanimidade.

O sr. presidente, em seguida, comunicou o recebimento de um ofício da Sociedade de Oto-Rino-Laringologia do Rio de Janeiro, trazendo ao conhecimento da Secção, a nova diretoria da Sociedade para o ano de 1941.

Ainda no expediente pediu a palavra o dr. Homero Cordeiro, comunicando ter representado a Secção no Rio de janeiro, por ocasião das homenagens prestadas ao prof. João Marinho, na Academia de Medicina, por ocasião do seu jubileu científico, tendo tido ocasião de saudá-lo em nome da Secção.

Em seguida procedeu-se à eleição da diretoria que regerá os destinos da Secção durante o ano próximo de 1941.

Terminada a votação, verificou-se que obtiveram a maioria da mesma, os associados seguintes:

Para presidente: Dr. Gabriel Porto; para 1.o secretário: dr. Cotrim; para 2.o secretário: dr. Salerno.

Esses associados foram declarados eleitos como constituintes da Mesa para o ano de 1941.

Ordem do dial

UM CASO DE BOTRIOMICOSE NASAL (1) - Dr. Francisco Prudente de Aquino.

O caso em questão refere-se a um achado anatomopatológico da clínica oto-rino-laringologica da Santa Casa, Serviço do Dr. Mario Ottoni de Rezende.

A queixa principal do paciente era: crises constantes de espirros, obstrução nasal e ultimamente epistaxis à direita. O exame da fossa nasal direita constatou uma formação tumoral pediculada, na cabeça do corneto médio. Retirou-se o tumor para biopsia, cauterizando o local com ácido cromico a 3% . O exame feito na Faculdade de Medicina revelou botriomicose. O A. após apresentar os diapositivos das láminas e explicar anatomo-patológicamente o que se considera por botriomicose, passou a fazer considerações em torno das diversas denominações, botriomicose, granuloma piogênico teleangiectasico, etc. Faz considerações sobre o processo em dermatologia e nas localizações mucosas. Estudou a parte anatomo-clínica do processo nas mucosas. Expoz os principais casos assinalados nas mucosas, devidamente estudados. Deu os dados para a identificação com a botriomicose do cavalo, que se assesta nas feridas de castração. Apresentou as diferenças clínicas das duas entidades nosológicas. Teceu considerações em torno dos diversos tratamentos: galvano-cauterio, clínico, cirúrgico, etc.

Comentários:

Dr. Ernesto Moreira:. Chamou a atenção do A. para um ponto da nomenclatura empregada pelo mesmo, que a seu ver não é corréta.

Dr. Rezende Barboza:. Considerou a observação como inédita, vindo mostrar a necessidade em que se acham os oto-rino-laringologistas de fazerem uma revisão de todo o terreno anatomo-patológico da sua especialidade, principalmente quanto à tumores benignos e malignos, pois que apesar da raridade citada pelo A., anatomo-patologicamente os botriomicomas são até frequentes, na opinião de alguns anatomo-patologistas.

Dr. Gabriel Porto: Considerou interessante a observação, visto mostrar a necessidade de se mandar examinar anatomo-patologicamente todo o tumor extirpado; considera raro o tumor citado pelo A., pelo menos com localização nas fossas nasais.

Dr. Salerno: Citou casos de observação no serviço do dr. Homero Cordeiro, de tumores que não chegaram a ser diagnosticados precisamente; em um deles, o exame anatomo-patológico revelou um granuloma inespecífico.

Dr. Francisco Prudente de Aquino: Respondendo, se poz de acôrdo com o dr. Ernesto Moreira, pois o termo empregado no início do trabalho foi apenas por engano. Considera o dr. Rezende Barboza com a verdade até certo ponto; entretanto, pela descrição anatomo-patológica detalhada do tumor, que será publicado, notar-se-ão algumas particularidades peculiares ao botriomicoma.

Agradeceu a todos os comentários.

ASPECTOS DA MODERNA TERAPEUTICA DAS MENINGITES PURULENTAS OTOGENICAS (2) - Dr. Gabriel Porto.

Apresentando um caso grave de meningite pneumocócica curada pela mastoidectomia, punções repetidas e sulfapiridina, o A. fez considerações sobre o valôr da intervenção cirúrgica e da quimioterapia anti-bacteriana no tratamento das meningites purulentas. Mostra que a operação de Neumann melhorou o prognóstico das meningites otogenicas, mas foi com o advento da quimioterapia antibacteriana que os resultados do tratamento da meningite estreptocócica se tornaram impressionantemente favoráveis. A terapeutica da meningite pneumocócica pela sulfanilamida não deu os mesmos resultados; a percentagem de casos curados que apareceram publicados na literatura de 1939 é relativamente pequena. Entretanto, o sucesso obtido com o tratamento da sulfapiridina nas pneumonias, dá-nos esperanças que este novo derivado da sulfanilamida venha revolucionar o prognóstico da meningite pneumocócica, tornando-o tão favoravel como o da meningite estreptocócica. A literatura alienigena de 1940 já registra vários casos de sucesso deste novo agente quimioterápico aos quais se ajusta o do A., primeira observação de meningite pneumocócica curada pela sulfapiridina no Brasil. O A. recomenda a dose inicial média de 8 gramas diários nos três primeiros dias, por via oral, reduzida nos dias subsequentes, e mantido o tratamento durante longo prazo afim de evitar o recrudescimento da infecção. Tambem julga vantajosa nos três primeiros dias a injeção intra-raquidiana do agente quimio-terápico afim de se conseguir rápida e precocemente uma taxa de concentração elevada do medicamento no liquor.

Comentários:

Dr. Caio de Camargo Andrade: Citou casos de sua observação, tambem de meningite pneumocócica, em que foi empregado com sucesso o Dagenan.
Dr. Mattos Barreto: Tambem citou uma observação .de meningite obogenica pneumocócica.
Dr. Francisco Prudente de Aquino: Lembrou-se de um caso ha 4 anos atrás de meningite pneumocócica curada pela sulfanilamida.
Dr. Mario Otoni de Rezende: Não está de acôrdo com o A., com respeito às vias de introdução, pois acha que a concentração necessária no liquor, pode ser obtida em 24 horas, sem empregar diretamente a via raquidiana. Aliás o medicamento que o A. empregou pela via raquideana não é o que tem ação sobre o pneumococus.
Dr. Gabriel Porto: Respondendo, agredeceu os comentários. Empregou a via raquidiana para a introdução do medicamento, porque na sua oponião, a concentração necessária no liquor demoraria muito tempo, comprometendo assim o êxito da terapeutica.

Nada mais havendo que tratar, foi encerrada a sessão.


Reunião de 17 de Janeiro de 1941

Presidida pelo dr. Gabriel Porto e secretariada pelos drs. Salerno e Rezende Barbosa, realizou-se, no dia 17 de janeiro de 1941, uma reunião mensal ordinária da Secção de Oto-Rino-Laringologia e Cirurgia Plástica da Associação Paulista de Medicina.

Expediente

A sessão foi iniciada sob a presidência do dr. Rafael da Nova e secretariada pelos drs. José Julio Cansanção e Francisco Prudente de Aquino; este último procedeu à leitura da ata da última reunião, que foi aprovada por unanimidade.

O dr. Rafael da Nova, com a palavra, repassou rapidamente sobre as atividades científicas da Secção, durante o ano que findou; agradeceu aos companheiros de diretoria a sua colaboração e felicitando os membros da diretoria recem-eleita, declarou-os empossados, convidando-os a tomar assento a mesa.

O dr. Gabriel Porto, assumindo a presidência, convidou o dr. Salerno, secretário efetivo e o dr. Rezende Barboza (ad-hoc) para secretariarem a sessão.

Em seguida agradeceu aos colegas a confiança demonstrada ao elegê-lo para tão importante cargo; relembrou os nomes de todos os presidentes da Secção de Oto-Rino-Laringologia, desde a sua fundação até a época atual; assumindo agora a presidência, pretende, por sua vez, incentivar, o mais possível, o interesse pelos trabalhos científicos e desde já faz um apelo a todos os colegas, principalmente aos jovens, para que tragam toda a colaboração possível.

Ordem do dia:


PRESCRIÇÃO DOS APARELHOS AUXILIARES DO SURDO - J. E. de Rezende Barbosa.

Inicia o A . lembrando que essa sua palestra não seria mais que a última da serie iniciada ha 15 dias, na Clinica de O.R.L. da Sta. Casa de Misericordia de S. Paulo, sobre a surdez.

Após tecer variadas considerações sobre a surdez, divide-a em diversos gráus, de acordo com a curva audiometrica, citando o meio de consegui-Ia com o audiometro ou por diapasões bem calibrados.

Lembrou a necessidade dos otologistas e todos aqueles que mais de perto interessa o problema da surdez, se precaverem contra os individuos "audiometristas" que absolutamente sem um controle cientifico do aparelho da audição, recomendam este ou aquele aparelho ao doente, que não sendo o exatamente indicado, e com a graduação necessária, não corresponderá aos fins almejados.

Assinalou, então, a indicação desses aparelhos auxiliares do surdo, mostrando quando devem ser usados e o grau de surdez ao qual melhor prestam o seu auxilio.
O A. terminou a comunicação apresentando todos os tipos de aparelhos auxiliares existentes, atualmente, na praça.

Comentários;

Dr. Angelo Mazza: Felicitou calorosamente o A. pelo seu magnifico trabalho, chamando atenção para alguns aspectos clinicos da questão, como sobre os surdos latentes, isto é, aqueles que possuindo desvios de septo, amigdalites frequentes, têm elementos para transformarem-no, mais tarde, num surdo. Considerou, tambem, o aspecto social da questão, pois que esses aparelhos auxiliares do surdo constituem danos estéticos, dificilmente suportados por certa classe de individuos. Felicitou, tambem, o Dr. Mario Ottoni de Rezende, pela sua brilhante orientação ao instituir um curso sobre a questão, no Serviço que dirige, e a cargo do autor.

Dr. Guedes de Melo Filho: Comentou o trabalho dizendo que o A. sintetizou de maneira muito clara o assunto, fazendo éco da campanha que se faz atualmente nos Estados Unidos, em torno do reajustamento dos surdos. Lamentou que esses aparelhos sejam tão pouco conhecidos entre nós, e lança a proposta de se oficiar às casas representantes dos mesmos, no sentido de pedir uma propaganda eficiente junto aos especialistas, para que aqueles se tornem bem conhecidos destes.

Essa proposta foi aprovada pela casa, por unanimidade.

Dr. Roberto Oliva: Tendo tido ocasião de acompanhar todo o curso sobre a questão, ministrada pelo A., na Clinica de O. R. L. da Sta. Casa, felicitou-o calorosamente pelos ensinamentos importantissimos que tão bem soube transmitir. Considerou, entretanto, muito dificil a obtenção de uma curva audiometrica, que é absolutamente necessaria uma vez que sem ela não estaria feita uma indicação perfeita do aparelho, sendo isso um dos entraves para o uso desse aparelho com a sua indicação certa.

Dr. Gabriel Porto: Congratulou-se por iniciar a sua Presidencia com trabalhos tão interessantes como o apresentado. Felicitou o A. agradecendo o seu trabalho.

Dr. Rezende Barbosa: Agracedeu a todos os comentarios.

Nada mais havendo a tratar, foi encerrada a reunião.


SOCIEDADE DE OTO-RINO-LARINGOLOGIA DO RIO DE JANEIRO

31.ª Sessão ordinária - 6-6-1941

Presidida pelo Presidente Honorário Prof. João Marinho e secretariada pelos Drs. Walter Muller dos Reis e Homero Carriço. Compareceram: Drs. Aristides Monteiro, Silvio Melo, Milton de Carvalho, Sebastião Azevedo, Seabra Junior, E. Moraes, Estevam de Rezende, Humberto Lauria, Archimedes Peçanha, Paulo Brandão, Pinto Fernandes, David Adler, Ermiro de Lima e Fernando Linhares.

O Prof. Marinho expõe os passos dados sobre a vinda do Prof. Canuyt.. É aceita a sugestão do Dr. Archimedes Peçanha para que se consultem outras firmas de produtos farmaceuticos que talvez sigam o exemplo dos Laboratórios Silva Araujo Roussell S.A.

No expediente são lidas propostas para novos socios.

É acusado o recebimento de telegrama do Dr. Julio Vieira, datado de 3 de Abril, pedindo excusas pela falta à sessão anterior e que só foi recebido após a referida sessão. Por proposta do Dr. Paulo Brandão, este caso fica adiado para a próxima sessão.

São eleitos por aclamação, para socios correspondentes extrangeiros os Profs. Crispin Insaurralde, Juan Bairrolhet e Pedro Berruecos; por votação unanime, para socio efetivo Dr. Diney Soares Ether e para socio correspondente Dr. Manuel Nascimento Tavora.

Ordem do dia


1) CASO DE CONSULTÓRIO - Dr. Milton de Carvalho.

Trata-se de um doente do sexo feminino com dispnéa acentuada e dificuldade em falar ha tempos, perorando ha cerca de um mês. A laringoscopia indireta deixou vêr tumôr de côr escura, abaixo das cordas vocais inferiores, por vezes ocupando a glote. Fez traqueotomia o mais baixa possivel. No dia seguinte, laringofissura que mostrou tumôr piriforme, tamanho de azeitona, pediculado e com inserção a cerca de 1 cm. abaixo da corda vocal inferior direita, que foi secionado a eletro-coagulação. Sequencia operatória normal. O exame anatomo-patologico revelou tratar-se de "carcinoma epidermoide gráu II, radio resistente". A doente foi descanulisada cerca de um mês depois da alta. Atualmente tem a voz quase normal e está bem de saúde, já decorrendo um ano de operada.

2) CASO DE CONSULTÓRIO Dr. Sylvio Melo.

Refere-se a um caso de otite media exsudativa complicada de mastoidite e meningite, com exito letal, em que o quadro timpanico quatro dias antes de seu falecimento, nada revelára de anormal, a não ser discreta congestão do cabo do martelo, durante uma crise que foi qualificada de histerica, com perda completa dos sentidos, em virtude do passado francamente histerico da doente. O germen isolado foi o pneumbcocus tipo II.

3) CASO DE CONSULTORIO - Dr. Estevam de Rezende.

Revela os sucessos que tem obtido no tratamento das otomicoses e otite externa eczematosa com o emprego do Fungdl, sendo necessáro encher bem o conduto com o medicamento.

4) CASO DE CONSULTÓRIO - Prof. João Marinho.

Projeta três fotografias referentes a casos de queloides datando de uns 15 anos. Com a extração dos tumores seguida de sutura dos labios da incisão plastica, houve recidiva, o mesmo acontecendo quando operou pela segunda vez, mas com aplicação de radio. Na terceira operação, não suturou a ferida operatória e aplicou o radio e os tumores não voltaram mais.

5) "PAPILOMA DO VESTIBULO NASAL" - Dr. Paulo Brandão.

Refere-se a um caso de tumor enchendo o vestibulo nasal, pediculado, aspecto de couve-flôr, impedindo ver pontos de inserção e sangrando ao simples toque em doente do sexo masculino. Após extração do tumor, verificou ser a implantação no sub-septo, na divisa entre pele e mucosa. Toques com galvanocauterio na inserção. Até hoje não houve recidiva. O exame anatomo-patologico revelou tratar-se de tumor benigno de aspecto papilomatoso. Trouxe o caso pela raridade desses tumores benignos do nariz, só encontrando um caso no registro do Hospital S. Francisco de Assis.

6) "CISTO DO MAXILAR SUPERIOR" - Dr. Aristides Monteiro.

Expõe um caso de cisto gigante do maxilar superior. Pela operação verificou que o cisto ocupava grande parte do osso maxilar superior estando o seio maxilar reduzido a um pequeno dedal pela compressão do tumor. Conseguiu retirar toda a capsula que envolvia o cisto. Fez contra-abertura nasal. Expõe radiografias que esclarecem ocaso.
Comentários:

Prof. Ermiro de Lima: Achou a comunicação clara e bem documentada. Foi a contra-abertura nasal que lhe chamou mais a atenção na comunicação do Dr. Aristides, ao qual cumprimenta pelo brilho do caso.




(1) Trabalho publicado na Revista Brasileira de O.R.L. - Vol. 9 - Janeiro-Fevereiro, 1941. (2) Trabalho publicado na Revista Brasileira dei O.R.L. - Vol. 8 - Novembro-Dezembro, 1940.

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