Versão Inglês

Ano:  1953  Vol. 21   Ed. 3  - Maio - Junho - ()

Seção: Associações Científicas

Páginas: 99 a 103

 

Associações Científicas

Autor(es): Dr. Mauro Cândido de Souza Dias

CLINICA E HISTOLOGIA DO FIBROMA NASOFARINGEO DOS ADOLESCENTES - Drs. Maria Luísa Mercadante Tavares de Lima e António Corrêa.

Resumo - Os autores fizeram observações clínicas e histopatológicas a propósito de 8 casos de fibroma nasofaríngeo, documentando o trabalho com esquemas, radiografias e microfotografias dos casos. Após fazer considerações sôbre a anatomia patológica e histogênese destes tumores, os autores descrevem o quadro clínico e dão a orientação terapêutica. Considerando a benignidade do fibroma nasofaríngeo juvenil, e sua possível parada ou regressão com o advento da maturidade sexual, é preconizada a terapêutica conservadora, cirúrgica ou por irradiações. Seguindo a orientação de Martin e col., um dos casos está sendo submetido à androgenoterapia. Dos 7 casos restantes, 4 fizeram cirurgia conservadora (via transmaxilar), e 3, cirurgia associada com irradiação; destes 3, um foi submetido à estafilotomia mediana, um à rinotomia lateronasal externa, e outro à transmaxilar conservadora. No que se refere à histopatogenia dos fibromas nasofaríngeos juvenis, considerando o seu aspecto e comportamento particular em relação a um provável distúrbio hormonal, é lembrada a idéia de Willis, que admite não ser este processo uma verdadeira neoplasia.

A VIA TRANSMAXILAR PARA ACESSO -AO CAVUM - Dr. Raphael da Nova.

Resumo - Desde 1945, na Clínica Otorrinolaringológica do Hospital das Clínicas, o autor tem seguido a via transmaxilar para os fibromas do nasofaringe. Essa via é sobretudo indicada nos casos de tumores assestados na porção póstero superior do etmóide, no assoalho do esfenóide e no cavo basilar. A comunicação do autor baseia-se em 5 casos, 4 dos quais operados pelo mesmo e um pelo Dr, Antônio Corrêa. Discute a orientação terapêutica dos nasofibronas, seguida pelos intervencionistas e não intervencionistas. Em seguida, descreve a técnica operatória seguida, dividindo-a em 7 tempos, e ilustra-a com um esquema mostrando a posição da parede nasal do antro, ao ser fraturado contra o septo, para a exposição da coana e face anterior do esfenóide. Ressalta a boa visibilidade do cavum e a ausência de seqüelas, conseguidas com essa via de acesso.

Comentários - Dr. José Freire de Mattos Barretto: Diante de exposição tão brilhante, desejava relatar um caso que tivemos em 1949, de fibroma de inserção alta, operado por via transmaxilar (caso do Dr. Sílvio Marone), usando a diatermocoagulação. Não foi necessária a ligadura da carótida. Foram feitas transfusões antes da operação. Foi um caso bem sucedido.

Dr. José Fairbanks Barbosa: Quanto à questão dos hormônios, se foi verificado que os utmores aparecem nas pessoas que têm predominância dos estrógenos, nesse caso não seriam êles mais comuns nas pessoas do sexo feminino? A ligadura da carótida tem sido feita dos dois lados? Também tive um caso de nasofibroma muito desenvolvido, cuja exploração digital era impossível e que só pôde ser visto depois da operação. Por via transpalatina foi retirado o tumor. Uso a via transpalatina pelo palato duro, pelo assoalho da fossa, ressecando a parte da fossa nasal de menor importância fisiológica e fornecendo visão ampla para a região tumoral; derrubado o palato duro, temos visão ótima e a cauterização da região da inserção tumoral faz diminuir muito o sangramento.

Dr. Jorge Fairbanks Barbosa: Quanto à questão dos hormônios, se foi verificando que os tumores aparecem nas pessoas que têm predominância dos estrógenos, duas vezes. Fez radioterapia do baço e de fato as hemorragias melhoraram. Atualmente, os anestesistas usam o bistrium, que juntam à anestesia, obtendo assim melhora das hemorragias.

Dr. Jorge Barreto Prado: Qual é a dose radioterápica,? Quanto à ocorrência de recidivas, qual é a percentagem das mesmas?

Dr. Plínio Freire de Mattos Barretto: Acompanhei em 1940 um doente de 15 anos em que, após tratamento radioterápico, houve regressão de cêrca de um terço do tamanho do tumor. Tive também o caso de um menino que apresentava um tumor muito grande e no qual em virtude de forte hemorragia, foi procedida a ligadura da carótida, e as aplicações, feitas fracionadamente, determinaram regressão total do tumor e de suas hemorragias.

Dr. Mauro Cândido de Souza Dias: Tive um caso que foi operado com a colaboração do Dr. Homero Cordeiro, tendo sido feita radioterapia posterior. Tive também outro caso operado por via transpalatina. O Dr. José Eugenio Rezende Barbosa acha que a via transpalatina é a melhor, mas tenho a impressão de que as vias devem variar de acôrdo com a implantação do tumor.

Dr. Raphael da Nova: Peço perdão ao Dr. José Freire de Mattos Barretto de não haver citado, por um lapso, o seu caso, mas, quando publicar meu trabalho, farei a devida reparação.

Dr. Antônio Corrêa: Os tumores não existem na mulher, e os casos citados são postos em duvida. Seria o desequilíbrio hormonal no adolescente um dos fatores eitopatogenicos do tumor. A ligadura do carótida, em dois terços dos casos, foi procedida unilateralmente. Fiz também bilateralmeute, mas a hemorragia não diminuiu muito, porque é de origem venosa. Quanto a via transpalatina, observei-a em 3 casos e em nenhum fiz ressecção do palato duro; irei experimentá-la no futuro, mas há o receio das seqüelas. No que diz respeito às irradiações do baço, não tendo experiência. A indicação radioterápica tem como finalidade reduzir o componente angiomatoso dos tumores (Cannuyt); nos casos mais resistentes, o harmônio andrógeno facilitaria a ação da radioterapia. A recidiva está ligada à dificuldade para extirpar toda a formação tumoral, e portanto cirurgia incompleta.

Sessão ordinária - 17 novembro 1952
Presidente: Dr. Américo Padula

ESTADO ATUAL DA TERAPÊUTICA DA TUBERCULOSE DA LARINGE
Drs. Mauro Cândido de Souza Dias e Ítalo João De Stefano.

Resumo - Os autores focalizam inicialmente a enorme modificação sofrida na conduta terapêutica da tuberculose laríngea após o advento da estreptomicina, tiossemicarbasona e hidrazida do ácido isonicotínico. Após discutirem o modo de ação destas diferentes drogas, chamem a atenção para o fato, de certo modo paradoxal, de que, muitas vêzes, as melhoras laríngeas não são seguidas paralelamente pelas do pulmão, sendo que noutras vêzes verificam-se mesmo pioras pulmonares. A seguir, calcados no experiência obtida no Hospital São Luís Gonzaga (Jaçanã) desde 1940, apresentam dois quadros com resultados terapêuticos obtidos antes e depois do advento da estreptomicina, o que vem ilustrar e corroborar a premissa estabelecida inicialmente, a saber: o advento da estreptomicina marca um momento revolucionário no capítulo da terapêutica da tuberculose das vias aéreas superiores.

Comentários - Dr. Mozart Tavares de Lima Filho: Não existem, para os tisiologistas, reações idênticas, tanto pulmonares como laríngeas.

Dr. Jorge Barreto Prado: Tenho tido bons resultados, nas formas vegetantes e ulcerosas, com o toque de ácido Tático em doses crescentes.

Dr. Francisco Hartung : A cauterização (cautério elétrico) é uma prática abandonada. Outro detalhe reside na amigdalectomia em tuberculosos; o tuberculoso não cura, somente melhora.

Dr. Américo Padula: Quando melhora o pulmão, melhora a laringe. Com o advento da estreptomicina tudo mudou quanto à sintomatologia laríngea. Lembro o caso de um mulher que não podia falar, e que, depois de 3 dias de tomar a droga, já o conseguia fazer.

Dr. Mauro Cândido de Souza Dias: Há disparidade na evolução dos processos, porque nem sempre a tuberculose é do tipo exsudativo, em que o pulmão piora e a laringe melhora. Os cáusticos são empregados nos processos produtivos, infiltrativos e mesmo ulcerativos com estado geral bom; só empregamos em casos de infiltração residual. Quanto à amigdalectomia, é praticada quando o paciente se encontrar em condições de poder ser operado.

Sessão ordinária - 17 dezembro 1952
Presidente: Dr. Mauro Cândido de Souza Dias

OCLUSÃO CONGÊNITA DAS COANAS - Dr. Moyses Cutin.

Resumo - Ê feita uma revisão da literatura sôbre o assunto, detendo-se o autor com mais vagar nó tratamento cirúrgico, especialmente nas técnicas da via transpalatina. O número dos casos anteriormente noticiados no Brasil é de 21. Neste trabalho são relatados 4 casos. Destes, 3 são do sexo feminino, sendo um de oclusão bilateral óssea, 2 de unilateral membranosa, e um de unilateral óssea. Não havia outras malformações nos pacientes, bem como referência a dismorfi mos em membros das famílias. Conclui-se, com referência às crianças, pela preferência da via trampalatina para solução operatória desta atresia. Frisa-se a importância da ressecção da porção posterior do septo nasal e as dilatações posteriores às operações.

Comentários - Dr. Raul Guedes de Melo: No Instituto Penido Burnier, de 90.000 casos, observei 2 de obstrução unilateral e um apenas; com oclusão bilateral; esta última é muito rara. Casos de asfixia neonatorum podem ser explicados pela presença dessa oclusão, pois as crianças têm o instinto da respiração nasal. O diagnóstico é banal. Em nosso caso não encontramos hiperostose externa. O diafragma ósseo obstrutivo era fino e foi facilmente retirado. Quanto à via, há preferência, no, últimos 10 anos, pele, via transpalatina, muito mais simples e que dá maior visão. O caso de obstrução óssea bilateral era de uma criança de 8 anos, na qual foi aplicada a técnica segundo a via transpalatina e anestesia geral com entubação. Segui a técnica de Roedi, fazendo uma só incisão, obtendo-se campo maior e menos fistulização, pois o retalho é maior e recobre tudo; não praticamos as dilatações, pois a criança era rebelde; usamos broca; descolamos bastante; no início o retalho era resistente e houve um pouco de sangramento; a oclusão estava 1 cm adiante da borda posterior do septo; deixado dreno penrose, que foi retirado 6 dias após; depois de 15 dias teve alta em ótimo estado; desenvolvimento normal das cavidades paranasais; audiograma normal, falando contra as noções de fisiologia nasal.

Dr. Francisco Prudente de Aquino: Em 1938, na Santa Casa, vi um menino que apresentava uma rolha mucosa que obstruía as fossas nasais na altura das conchas médias, bilateralmente; não apresentava 1 cm de espessura e conseguimos abrí-la facilmente; o difícil foi mantê-la aberta, o que foi conseguido depois de muito tempo. O Dr. O. Della Serra, da Faculdade de Odontologia, tem dois casos de obstrução óssea, como achados anatômicos.

Dr. Roberto Oliva: Chamo a atenção para as noções de fisiologia nasal, mostrando a relação reflexa entre o trigêmeo e o vago. No caso de obstrução da coaria, não havendo passagem do ar, não há excitação do trigêmeo nasal e daí impossibilidade da criança expandir o tórax (explicação para os casos de asfixia por obstrução nasal nos recém-nascidos).

Dr. Jorge Fairbansks Barbosa: Tive um caso no Serviço do Dr. Mauro Otoni. Era uma moça de 18 anos; ao exame foi difícil alcançar o fundo da fossa nasal direita; com trocáter fêz-se um orifício no septo ósseo; com goiva e martelo derrubou-se o resto da membrana Óssea, esporão inferior junto ao assoalho e parte medial, as porções externas não foram tocadas; com pinça de Citelli foram retirados restos do teto; completou-se com eletrocagulação das bordas ; acompanhei o caso e depois de 2 anos estava passando bem. O que pareceu interessante é que, naquela ocasião, fazia estudos sôbre olfatometria dos ozenosos, tendo praticado o exame dêsse sentido, tendo a paciente acusado olfação normal antes e depois da operação. No IAPC observei dois outros casos, porém de oclusão parcial.

Dr. Mauro Cândido de Souza Dias: Tive um caso de imperfuração unilateral óssea, em criança de 10 anos. A intervenção foi praticada pelo método mais primitivo com escôpro e martelo, com resultado mau. Era um caso do Dr. Homero Cordeiro. Quanto à fisiologia da respiração, além do reflexo trigêmeo-vago a partir da mucosa nasal, ainda temos outro fator como o da alta da taxa de CO2 no sangue.

LÓBULO-NEOPLASTIA TOTAL - Dr. Roberto Farina.

Resumo - O autor aconselha, para as lóbulo-neoplastias auriculares, o emprego de retalhos auriculares, ao contrário dos infra-auriculares de Dieffenbach. Aponta as causas mais prováveis de destruição do lóbulo de orelha e descreve sucintamente a operação, que é realizada em dois tempos em intervalo de 30 dias.

NARIZ EM SELA. INCLUSÃO DE LUCITE - Dr. Victor Spina.

Resumo - O autor empregou a inclusão de lucite em seis casos de nariz em sela, sem nenhum inconveniente. O mais antigo apresenta uma evolução de pouco mais de 3 anos e o mais recente, de quase 1 ano. Mostra-se satisfeito com os resultados conseguidos, admite que ainda é cedo para um julgamento definitivo e finalmente se refere à sua aceitação permanente pelo organismo. A tolerância é boa; o material acrílico é moldado no ato cirúrgico.

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