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Ano:  2009  Vol. 75   Ed. 3  - Maio - Junho - ()

Seção: Artigo Original

Páginas: 345 a 349

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Complicações oronasais em pacientes pós-abordagem hipofisária via transesfenoidal

Oronasal complications in patients after transsphenoidal hypophyseal surgery

Autor(es): Carolina Petry1, Carolina Garcia Soares Leães2, Julia Fernanda Semmelmann Pereira-Lima3, Katia D. Gerhardt4, Geraldo Druck Sant5, Miriam da Costa Oliveira6

Palavras-chave: doenças da hipófise, hipofisectomia, hipófise.

Keywords: pituitary diseases, hypophysectomy, pituitary gland.

Resumo:
A cirurgia transesfenoidal é o procedimento cirúrgico mais utilizado para abordagem da região hipofisária, sendo por vezes associada a complicações oronasais. Material e métodos/Objetivo: Estudo prospectivo, através de questionário específico e avaliação clínica complicações oronasais crônicas não-diagnosticadas, em pacientes submetidos à cirurgia transesfenoidal convencional em diferentes serviços de neurocirurgia há mais de 6 meses. Resultados: 49 pacientes, 37/45 com macroadenoma. 14/49 submetidos a mais de uma intervenção, em 2/5 por via transesfenoidal. Abordagem transesfenoidal 92,8% via sublabial. Nenhum apresentava queixa espontânea. Com o questionário específico, 63,2% apresentaram queixas. Um apresentava fístula oronasal, outro, estenose da área de válvula nasal com deformidade nasal externa. A rinoscopia detectou alterações em 77,5% e a endoscopia nasal em 87,7%. Perfuração septal presente em 10/12 pacientes com crostas e 2 com secreção purulenta. Todos 4 pacientes submetidos a 2 abordagens transesfenoidais apresentaram perfuração do septo e sinéquias nasais. Nos casos com abordagem endonasal observaram-se sinéquias2, alteração em meato médio1 e estenose em área de válvula nasal1. Apenas 2 pacientes apresentaram avaliação normal. Conclusão: Alta incidência de complicações nasais após abordagem transesfenoidal convencional, observadas (exame) e não referidas espontaneamente indicam a necessidade de investigação otorrinolaringológica complementada com endoscopia nasal sistemática nestes pacientes.

Abstract:
Transsphenoidal surgery is the most commonly used surgical procedure to handle the hypophyseal region, sometimes associated with oronasal complications. Material and methods/aim: To evaluate prospectively (specific questionnaire, clinical evaluation) undiagnosed chronic oronasal complications in patients submitted to conventional transsphenoidal adenomectomy surgery, operated at different neurosurgery services more than 6 months ago. Results: 49 patients were evaluated, 37/45 presented macroadenoma. 28,5% were submitted to more than one intervention, 2/5 transsphenoidally. Transsphenoidal approach 92.8% through sublabial route. No patient had spontaneous complaint. With the specific questionnaire 63.2% presented complaints. One patient presented an oronasal fistula, 1 stenosis of the nasal valve area with external nasal deformity. Rhinoscopy detected alterations in 77.5%, nasal endoscopy in 87.7%. Septal perforation was present in 10/12 patients with scabs and 2 with purulent secretion. All 4 patients submitted to 2 transsphenoidal approaches presented septal perforation and nasal synechiae. In the endonasal, synechiae (2), alteration in medium meatus (1) and stenosis of the nasal valve area (1) were observed. Only two patients presented normal evaluation. Conclusion: A high incidence of nasal complications after conventional transsphenoidal surgery observed through examination and not reported spontaneously point to the need of otorhinolaryngological investigation complemented by nasal endoscopy in patients submitted to procedures through this route.

INTRODUÇÃO

Os problemas da glândula hipófise preocupam neurocirurgiões e otorrinolaringologistas desde o final do século XIX, tendo ambas as especialidades contribuído para o desenvolvimento da cirurgia da região selar. A cirurgia transesfenoidal é o procedimento cirúrgico mais utilizado para abordagem da região hipofisária.

O acesso intranasal transesfenoidal para se atingir a região da sela túrcica na remoção de tumores da glândula pituitária já era conhecido desde o começo do século passado, tendo-se desenvolvido devido às dificuldades encontradas no início da cirurgia intracraniana dos tumores hipofisários. As técnicas, realizadas através de acesso nasal superior, eram cirurgias de grande porte, traumáticas e com considerável manipulação de vários seios paranasais e, consequentemente, com risco de infecção pós-operatória. O acesso foi modificado para infranasal ou sublabial, evitando adentrar as células etmoidais, diminuindo assim o risco de infecção. Halsted1 foi o primeiro a usar a incisão sublabial em vez da infranasal e este foi o passo final na evolução de uma abordagem relativamente segura e direta através da linha média à hipófise. Hardy2,3 foi o responsável pela popularização desta técnica, associada ao uso do microscópio cirúrgico e da fluoroscopia, estabelecendo-a como procedimento de eleição para tratamento cirúrgico das lesões da hipófise.

A técnica de microcirurgia transnasal da hipófise, embora represente tratamento seguro e efetivo, é, por vezes, associada a complicações oronasais, que comprometem seios da face, estruturas ósseas e cartilaginosas ou dentes. Complicações nasais predominam, com citação de até 38% de frequência (obstrução e crostas) após o procedimento3,4. Estes achados poderiam favorecer a utilização da abordagem endoscópica nasal, associada a menor número de complicações locais5-7.

O presente estudo foi conduzido com a finalidade de avaliar a frequência de alterações oronasais crônicas não-diagnosticadas, numa série de 49 pacientes submetidos à cirurgia transesfenoidal convencional.


CASUÍSTICA E MÉTODOS

Fizeram parte do estudo pacientes de um ambulatório de Neuroendocrinologia, previamente submetidos à abordagem hipofisária por via transesfenoidal com a finalidade de adenomectomia, operados em diferentes serviços de neurocirurgia. A amostra compreende 49 indivíduos, 17 homens e 32 mulheres, com idade entre 30 e 72 anos.

Foi critério de inclusão intervalo maior que seis meses entre a cirurgia e a entrada no protocolo. Os pacientes foram submetidos a questionário específico para sinais e sintomas relacionados à cavidade oronasal e à avaliação clínica realizada por um mesmo otorrinolaringologista buscando possíveis alterações na cavidade oronasal, incluindo inspeção nasal, rinoscopia anterior e exame endoscópico nasal com óptica rígida de 30o, sob anestesia com spray nasal de lidocaína a 10%. Foram coletados nos prontuários dados referentes ao fenótipo hormonal do adenoma hipofisário, características anatômicas do mesmo na imagem selar pré-cirúrgica e, quando disponível, tomografia computadorizada dos seios da face após a cirurgia.

Os pacientes consentiram na participação no estudo, o qual foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da instituição (n° 868/04).


RESULTADOS

Amostra


Dos 49 pacientes avaliados, 14 (28,5%) haviam sido submetidos a mais de uma intervenção hipofisária, sendo, em cinco pacientes, as duas por via transesfenoidal.

Em 37/45 pacientes (75,5%) tinha-se dados de imagem pré-operatória que o tumor que originou o procedimento era um macroadenoma hipofisário. Fenotipicamente, os adenomas eram clinicamente não-funcionantes em 24 casos (48,97%), associados à acromegalia em 16 (32,6%), à doença de Cushing em 5 (10,2%) e, nos restantes (8,16%), à hipersecreção de prolactina.

O tipo de abordagem transesfenoidal, conhecido em 42 casos, foi em 39 (92,8%) pela via sublabial e em 3 via endonasal transeptal. O intervalo entre a cirurgia ou, no caso de reintervenção por via transesfenoidal, da última cirurgia, e o exame rinológico, variou entre 7 meses e 24,7 anos. Nenhum dos pacientes foi submetido a tratamento cirúrgico otorrinolaringológico após a intervenção hipofisária.

Manifestações clínicas

Em nenhum caso havia, no momento da consulta, queixa espontânea relacionada a sintomas nasais, orais, cefaleia, dor na face ou outras possivelmente relacionadas a complicações do procedimento cirúrgico. Durante a realização do questionário específico, queixas que surgiram após a cirurgia foram apresentadas por 31 pacientes (63,2%) (Tabela 1). De uma a sete queixas estiveram presentes em, respectivamente, nove, oito, seis, quatro, dois, um e um indivíduos. O número de queixas por paciente segundo a característica hormonal dos adenomas encontra-se na Tabela 2.







Nos pacientes com dor na face não foi detectada secreção purulenta ao exame oronasal.

Exame Oronasal

Alterações à oroscopia e inspeção externa nasal foram observadas em dois pacientes: um com fístula oronasal e outro com estenose da área de válvula nasal direita com deformidade nasal externa. A rinoscopia anterior detectou alterações em 38 (77,5%) e a endoscopia nasal em 43 (87,7%) pacientes (Tabela 3). De uma a cinco alterações foram detectadas em, respectivamente, 12, 16, oito, cinco e três indivíduos.




Perfuração septal estava presente em dez dos doze pacientes com crostas e nos dois pacientes com secreção purulenta à rinoscopia anterior.

Com relação aos quatro pacientes submetidos a duas abordagens transesfenoidais, os achados queixas/alterações ao exame foram 1/4, 5/5, 0/4 e 6/4. Todos apresentaram perfuração do septo e sinéquias nasais.

Nos três casos em que a abordagem foi endonasal observaram-se sinéquias (2 casos), alteração em meato médio (bloqueio, edema)1 e estenose em área de válvula nasal direita1.

Da amostra total, foram localizados 10 exames tomográficos de seios da face pós-operatórios. Em 8 exames, foram detectadas alterações: perfuração septal (5 casos), preenchimento/opacificação esfenoidal1, preenchimento/opacificação esfenoidal e etmoidal1, espessamento da mucosa do seio esfenoidal4, espessamento da mucosa do seio esfenoidal e seios maxilares1, osteíte1, sinusite etmoidal posterior1 e pansinusopatia1.

Apenas dois pacientes apresentaram avaliação normal, isto é, não apresentavam queixas, alteração à oroscopia/rinoscopia ou à tomografia computadorizada de seios da face.


DISCUSSÃO

A abordagem transesfenoidal representa um tratamento cirúrgico seguro e efetivo, com a maioria das séries apresentando taxas de mortalidade entre 0 e 1%8, embora às vezes associada a complicações, especialmente as endocrinológicas. Complicações oronasais decorrentes deste procedimento envolvem seios da face, estruturas ósseas e cartilaginosas e dentes.

Na série aqui analisada, foram identificadas várias queixas e detectadas várias alterações à rinoscopia e endoscopia nasal. Entre as queixas, as mais frequentes foram crostas, obstrução e irritação nasal e alteração do olfato. O percentual de queixas de obstrução e crostas nasais foi pouco inferior ao referido na literatura, 38%, conforme descrito por Monnier, que avaliou a via transeptal transvestibular4. Por outro lado, irritação nasal crônica aqui observada em quase um quinto dos pacientes, foi detectada em apenas 2% dos casos de Feigenbaun et al.9 e perfuração de septo, o achado mais frequente na avaliação endoscópica da série atual, ocorreu em frequência significativamente maior que os 18% relatados por Dew10.

Os achados de sinusite são similares aos da literatura, que cita 1%11, 3%9 e 12% dos casos12, bem como as disestesias, quer labiais, gengivais ou dentárias, relatadas entre 13 e 37% dos casos10.

Sabe-se que a variabilidade dos achados está ligada a vários fatores, entre os quais estão a via de acesso e a experiência da equipe cirúrgica13,14. Comparações entre o acesso sublabial e endonasal transeptal mostram resultados diversos. Assim, enquanto alguns autores não detectaram diferenças entre as técnicas15, outros observaram menos complicações pela via endonasal16,17 e defendem o acesso transnasal por ser via mais curta e direta, embora com menor campo operatório18. Uma abordagem sublabial modificada foi proposta por Yamada19, com menos complicações mucosas que a abordagem convencional. Na nossa série, não foram comparados os resultados dos diferentes tipos de abordagem, devido ao pequeno número de abordagens via endonasal.

A partir de 1994, vários resultados pós-cirurgia endoscópica endonasal têm sido publicados20-22. Comparação entre a via endoscópica endonasal e a sublabial tem mostrado efetividade similar em ambas, mas abreviação da internação hospitalar e tempo de cirurgia e menor número de complicações com a endoscópica20. Segundo esses autores, pacientes submetidos à cirurgia endoscópica apresentam menos complicações em relação à sublabial (4,5% vs. 27%). De modo similar, White et al. observaram redução significativa na ocorrência de epistaxe, anestesia de lábio e desvio de septo7.


CONCLUSÃO

O presente estudo confirma alta incidência de complicações nasais após abordagem hipofisária via transesfenoidal convencional, observadas ao exame especializado, mesmo quando não referidas espontaneamente pelos pacientes. Os achados indicam a necessidade de investigação otorrinolaringológica complementada com endoscopia nasal e tomografia computadorizada de seios da face sistemática nos pacientes submetidos a procedimentos por esta via.


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1 Acadêmica de Medicina da Ufcspa, Bolsista do Centro de Neuroendocrinologia da Santa Casa de Porto Alegre/Ufcspa.
2 Mestre em Medicina: Patologia, Médica Endocrinologista do Centro de Neuroendocrinologia da Santa Casa de Porto Alegre/Ufcspa.
3 Doutor em Medicina, Professor Adjunto de Medicina Interna Ufcspa.
4 Residente de Otorrinolaringologia da Ufcspa, Residente de Otorrinolaringologia da Ufcspa.
5 Doutor em Otorrinolaringologia, Professor Adjunto de Otorrinolaringologia da UFCSPA.
6 Livre-Docente em Medicina, Professor Adjunto de Endocrinologia da UFCSPA.
Este artigo foi submetido no SGP (Sistema de Gestão de Publicações) da BJORL em 4 de janeiro de 2008. cod 5660
Artigo aceito em 14 de junho de 2007.

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