Versão Inglês

Ano:  1935  Vol. 3   Ed. 6  - Novembro - Dezembro - ()

Seção: Revista das Revistas

Páginas: 566 a 584

 

REVISTA DAS REVISTAS - PARTE 2

Autor(es): -

ZEITSCHRIFT FÜR HALS- NASEN- UND OHRENHEILKUNDE
Vol. 37 - Fascículo 3 - Janeiro 1935.
(Berlim).

HERMANN BARTH - Metastases carcinomatosas no osso petroso - Pag. 181.

No presente trabalho o A. trata, sobretudo, de casuística. Descreve um caso de carcinoma do hipo-faringe com propagação á todo o rochedo direito e produzindo uma necrose do labirinto superior. Em uma paciente de 33 anos, sobreveiu uma meningite carcinomatosa causada por um carcinoma do tardia. A molestia durou um ano. Clinicamente foi descoberta uma oto-esclerose com cooparticipação do ouvido interno, cujo diagnostico foi substituido, pouco antes da morte, pelo de um tumor do angulo-ponto-cerebeloso. O diagnostico de oto-esclerose não pôde ser mantido, pois que a dureza do ouvido médio foi atribuída a uma anquilose da cabeça do martelo, com a parede lateral do recesso superior.

Em outra paciente, com carcinoma da mama, produziu-se grande destruição ossea de origem carcinomatosa, sem comprometimento dos ouvidos interno e médio.

Em um doente portador de um carcinoma da amigdala esquerda observou metastases, de preferencia no tecido medular do rochedo.

Num paciente com carcinoma do antro maxilar, foi encontrada uma metástase no musculo tensor do timpano e uma outra na dura mater da fóssa média.

Pesquizando a literatura do assunto, e tendo em vista os casos de sua propria observação, o A. concluiu que os carcinomas do territorio oto-rinologico, não raramente produzem metástases para o lado do rochedo. Em 23 casos, assim aconteceu em quatro deles.

K. A. DRENNOWA (Leningrado) - O colesteatoma e a colesterina do sangue - Pag. 212.

A quantidade de colesterina no sangue não constitue caracteristica diagnostica, na determinação da existencia de um colesteatoma. Este, que não é, de nenhum modo, o resultado de uma perturbação das trocas totais da colesterina, pôde ser o produto de uma perturbação local das trocas dos tecidos.

A frequencia do colesteatoma nas epitimpanites (67% dos casos observados), prova que, nestas fórmas de otites cronicas, existe uma sobrecarga de liquido, ligada á perturbações locais do metabolismo da colesterina nos tecidos. O exame histologico de granulações e polipos, no ponto de vista de lipoides, deixa vir a existencia de grande quantidade de celulas sudanofilas, que são dificilmente demonstraveis na clinica e nos preparados anatomo-patologicos comuns.

A ação destrutiva, destas granulações e polipos sudanofilos, permite contá-las entre as colesteatomas comuns e, baseados em suas semelhanças clinica e anatomo-patologicas, podem ser denominadas de microcolesteatomas.

WILLI GAUS (Düsseldorf) - Sobre um caso de mucocele do antro frontal após ferimento por projéctil e seu tratamento. Uma contribuição ao método de drenagem duradoura, de Seiffert, nas operações dos antros frontais - Pag. 224.

Trata-se de um paciente portador de um mucocele do seio frontal, em consequencia a um ferimento por bala. Os primeiros sintomas apareceram um ano depois, com a formação de abcessos que surgiram, periodicamente, no angulo interno do olho esquerdo. Com o tempo aumentaram a atrofia ossea e a saliencia da região frontal deste lado. Com a melhora periodica da permeabilisação do canal naso-frontal, o inchamento diminuiu. Finalmente, foi feito o diagnostico, durante a operação, de mucocele frontal. Foi praticada uma ampla abertura pela narina esquerda e, por ela, introduzida uma "chupeta" de borracha, segundo o metodo de Seiffert, que poude permanecer, no lugar, durante 15 meses, sem qualquer complicação. O paciente, durante o tempo em que durou a drenagem, não sentiu nenhum mal estar, continuando assim 2 meses depois de cessada aquela. O dreno nunca foi trocado por não causar nenhum dano. Quanto maior for o tempo em que o dreno permaneça, tanto melhor será a probabilidade da permanencia da permeabilidade do canal que se espera, com ele, formar, afim de se obter larga ligação entre o antro e o interior do nariz, o que possibilitará, além disto, a pratica de lavagens periodicas da cavidade antral através do proprio dreno.

M. O. R.


MONATSSCHRIFT FÜR OHRENHEILKUNDE UND LARYNGO-RHINOLOGIE
Vol. 69 - Março de 1935.
(Viena).

J. NÉMAI - Provas de audição nos surdos-mudos. - Pag. 294.

Tem-se procurado desde muito tempo melhorar a audição dos surdos-mudos. E preciso ter em mente que em todos os casos de surdez, ha uma modificação, quer do órgão do sentido, quer das fibras que conduzem ao cerebro.

A surdez total anatomica é muito rara; existem quasi sempre vestigios de audição, principalmente quando se trata de molestia adquirida, seja intrauterina, seja na infancia. Refere-se o A. aos doentes praticamente surdos ou surdos-mudos, nos quais, muitas vezes, se consegue despertar e desenvolver, através de exercicios metódicos, esses residuos de audição.

O exercicio consiste em educar o surdo-mudo constantemente a ouvir os sons que lhe são possiveis. Aos meninos, por exemplo, é preciso, pouco a pouco, mostrar a diferença dos tons e assim reviver a audição que jaz inculta. Nada mais que isso se consegue. E de notar que com o exercicio, em muitos casos, consegue-se algum resultado e nunca prejuizo. O A. examinou 50 alunos de um instituto de surdosmudos para neles descobrir vestigios de audição. Para esse fim empregou diapasões, apíto, voz, bem como alto-falantes.

Os examinados foram divididos em quatro categorias: surdez completa ou quasi: 12 casos; ouvintes de ruidos: 16 casos; ouvintes parciais de vogais: 6 casos; ouvintes de vogais e palavras: 16 casos. Os limites dessas quatro categorias não podem ser bem nitidos, visto como não é facil examinar doentes nessas condições. Assim as provas de diapasão são frequentemente duvidosas: os surdos não podem precisar se ouvem o som ou se sentem a vibração do instrumento.

A educação de uma creança mouca deve ser feita de modo a que ela não perca a fala adquirida. O que se observa frequentemente é o abandono da fala, entre os moucos, que é substituida pelos gestos.

Que poderemos conseguir com os exercicios entre os surdos-mudos? Se notarmos que a terça parte dos examinados pelo A. possuis restos de audição, verificamos que mal traria o abandono do exercicio da audição, levado tão longe quanto possivel para a excitação da função.

MALECKI - Contribuição á terapia do eczema cronico, principalmente do ouvido - Pag. 302.

O A. em publicação anterior apresentou 11 casos de eczema agudo e cronico, que sararam ou melhoraram por meio de alteração no seu equilibrio acido-basico. Trata neste artigo de 32 novos casos de processos crostosos e secos ou mistos. A duração do tratamento variou de oito semanas a três anos. Em sete casos o eczema era consecutivo á otite média cronica. Em todos os casos houve uma cessação do prurido após cinco dias. Os outros sintomas: crostas, secreção, vermelhidão etc., foram mais dificilmente influenciados. Em alguns casos houve piora nos primeiros dias e a seguir melhora.

O processo do A. consiste no seguinte: no 1.° dia, dieta vegetariana com 20 grs. de bicarbonato de sodio, tomados duas horas após o almoço. A dieta e o bicarbonato produzem uma alcalose forte, mas passageira. A alcalose se dá duas horas após a ingestão do bicarbonato, dando logar á acidose. Esta' transição é aproveitada e então prescrita dieta acida por três dias com carne e diariamente, 6 grs. de clorato de calcio ou 8 a 12 grs. de amoniaco em comprimidos "gelacid". O clorato, bem como o amoniaco, produz um retardamento do equilibrio acido-basico.

Do quinto dia em deante a acidose predomina, o que protegemos com a dieta vegetariana e aguas alcalinas. Se necessario, repetimos o tratamento duas até três vezes no prazo de seis semanas. Simultaneamente aplica o A. localmente sol. a 5 % de lenigalol-zincol. Limpeza diaria com benzina.

L. KAMM - Cefaléa após ingestão de gelados - Pag. 309.

Procura o A. esclarecer qual o motivo por que muitas pessoas, imediatamente após a ingestão de gelados, sentem dôr de cabeça. E' já coisa sabida que a patogenia da cefaléa é pouco conhecida. Estuda as diversas teorias da cefaléa: reflexa, central, metabólica (toxica) e vasomotora (simpática). Detem-se na teoria vasomotora, citando experiencias e conclusões de Westenrijk: as fibras vasomotoras para os vasos cerebrais, pelo menos em parte, correm no simpático cervical. Grahe e Metzger obtêm modificações nos vasos da conjuntiva, com a aplicação do frio na garganta: dá-se constricção dos vasos. Estas experiencias são comprovadas com a Spaltlampe pelo A., que em 18 doentes observados, teve resultado positivo em 14. Dos doentes examinados, 8 tiveram cefaléa após a ingestão de gelados. Dessa concomitancia de reação vasomotora e dôr de cabeça, conclúe o A. que a patogenia da cefaléa deva ser igualmente uma reação vasal intracraneana.

VARADY SZABO - Hemo-gemangioma alae nazi - Pag. 327.

Os tumores vasculares da pituitaria têm sido descritos como polipos hemorrágicos do septo, ou como verdadeiros hemangiomas. Ao 1º grupo, pertencem os tumores mais volumosos e são constituidos por vasos sanguineos ligados por septos conjuntivos. Ao 2.° grupo, prendem-se tumores histologicamente descritos como granulomas ricamente vascularizados.

Esses tumores têm um decurso benigno mas recidivam frequentemente.

O A. operou uma doente com 39 anos, portadora de tumor do tamanho de ervilha, que recidivou duas vezes. Orsós propõe para esse tumor o nome de hemo-gemangioma, em vista de sua constituição de processo vascular imaturo.

LUDWIG PESTI - Sinéquias faringeanas; dois casos operados e curados - Pag. 330.

O A. estuda todos os processos em voga para corrigir essas sinéquias, demorando-se nos de Réthi e Wein. O seu modo de operar é uma modificação do destes ultimos autores e consiste mais ou menos no seguinte: As sinéquias são removidas o mais amplamente possivel, tanto as da faringe elmo as das coánas; o septo nasal é ressecado em quasi toda a sua extensão; a, seguir a mucosa do septo é seccionada superior e inferiormente por duas incisões horizontais de cada lado, sendo que a direita termina a cent. e meio acima da spina nasalis post. e a esq. abaixo; esses retalhos são rebatidos para traz e cruzando-se na linha mediana, vão colocar-se naturalmente no véu, cada um para o lado oposto e a seguir é tamponada a epifaringe de modo a manter em contacto as superficies cruentas. O A. operou dois casos com otimos resultados, cuja descrição faz detalhadamente.

FRANZ VOLGYESI - Hipnoterapia e perturbações da palavra Pag. 339.

Sob o ponto de vista biologico, a hipnóse não é mais que o comprometimento vasomotor reversivel, gradual ou parcial dos centros cerebrais. Este comprometimento pode-se situar na esfera da palavra, ou segundo a profundidade da hipnose, até centros mais adiantados e em casos extremos atingir pontos vitais do bulbo.

Segundo téses do autor, o sucesso da hipnoterapía acha-se em relação com a hipnofilía e com a sugestibilidade do individuo, bem como com a extenção e gravidade do fator anatomo-biologico da doença.

Até ha pouco considerava-se como centro da palavra só á insula de Reil e a zona de Broca. Hoje sabemos que a coisa não é tão simples. Sabemos o papel importante desempenhado pelos centros sensoriais e motores da palavra, o gyrus angularis, o centro de Wernicke, etc.

Todas as perturbações da palavra podem ser influenciadas favoravelmente pela hipnoterapía. Notamos todavia na pratica casos curaveis e incuraveis.

Quanto mais elevado (psiquicamente) fôr o centro lesado, mais facil será a cura. Assim pequenas perturbações da palavra, mas consecutivas a lesões intensas, esclerose, paralisias bulbares, etc., têm prognostico muito mais reservado, que a surdez consecutiva a traumas ou conflitos morais.

Um dos capitulos mais complicados, é o da gagueira. Deve ser considerada não como tendo uma causa organica, mas como uma perturbação associativa ou psiconeurotica. Os resultados do A. neste territorio são muito melhores que os dos outros. Acha o A. que as perturbações da palavra chamadas psiquicas, podem ter uma causa organica, localizada no neopallium por exemplo.

Após algumas sessões, já se pode saber do prognostico. Evidenciase logo o grau de cura que se pode obter. Quanto menos o individuo gagueja, mais promissor será o tratamento. Tambem nos casos que não melhoraram com a hipnoterapía, os outros processos falharam.

Cita a seguir o caso de uma doente que anteriormente sofrêra de endocardite e que subitamente ficou afásica, ao sentir um tiro atraz de sí. Durante três anos submeteu-se a toda a sorte de tratamento e veiu a sarar com a hipnoterapía. Capitúla o A. este caso, como uma embolía partindo do endocardio.

Assim tambem as perturbações da palavra em seguida a hemiplegías, etc., podem melhorar bastante com a hipnoterapía, quando, l.°: os centros lesados acham-se no neopallium e não nas raizes primitivas e 2.°: quando datam de menos de um ano.

DR. ROBERTO OLIVA.

IL VALSALVA
An. XI - N.º 2 - Fevereiro 1935
(Roma).

PROF. G. BILANCIONI (Roma) - Importancia da forma anatomica na patología oro-nino-laringologica - Pag. 67.

Este trabalho foi apresentado pelo saudoso mestre, na reunião otologica italo-hungara, em Setembro de 1934.

Ele chama mais uma vez a atenção sobre a influencia do estado anatomico, como factor morbigeno, ou por outra, mostra como as predisposições anatomicas favorecem, em muitos casos, o desenvolvimento de determinadas molestias, factos esses perfeitamente comprovados pela radiografia.

Esta comunicação sintetiza tudo quanto o A. e outros têm escrito sôbre o assunto.

E. BORGHESAN (Roma) - Estrutura e patogenia de queloide da mastoide - Pag. 76.

Apresenta o A. um caso de queloide da região mastoidéa esquerda, que se formou recentemente, sôbre a cicatriz de um operado de mastoidite aguda, ha oito anos atraz. Pelo exame histo-patologico, verificou-se que continha fibras musculares em degenerescência hialina e metaplasía fibrosa. Deante desse resultado, concluiu o A. que a origem desse queloide foi a inclusão muscular e sua transformação sucessiva, na cicatriz da ferida operatoria.

C. MESSANELLI (Roma) - Epiglotite aguda ulcerosa piogenica Pag. 80.

Apresenta o A. o caso de um homem com 29 anos, que ha três dias sentia dores de garganta, com abundante sialorréa. Pelo exame, havia grande tumefacção dá epiglóte, que estava repuxada para a direita e para baixo, impedindo desse modo a boa inspecção do laringe. Ao nivel da fosseta glosso-epiglotica, via-se uma escavação com os bordos irregulares, de cor acinzentada e atingindo, no seu fundo, a cartilagem. O exame bacteriologico revelou abundancia de estreptocócos, com raros bacilos fusiformes. Reação de Wassermann: negativa. Pulverizações antisepticas e pincelagens com "Arscolloid concentrado". Cura, dez dias depois.

M. SCALZITTI (Roma) - Influencia de doses excessivas de vitamina D (ergosterina irradiada) sôbre o aparelho auditivo - Pag. 85.

Administrando diariamente "per os", 20 mgr. de ergosterina puríssima irradiada, em solução oleósa a l %, misturada na ração normal de cobaias, verificou o A. que doses excessivas desse medicamento, produziram sobre o aparelho auditivo, principalmente sôbre o labirinto, as alterações seguintes:

a) metaplasía conjuntiva do tecido osseo da bula, com espessamento das paredes arteriais.
b) pequenas zonas de descalcificação nos pontos de inserção do ligamento do pequeno ramo da bigorna.
c) zonas de rarefação na superfície articular do estribo, no ponte onde a cartilagem continua com o tecido osseo.
d) notavel dilatação do canal do caracol com paredes osseas irregulares e em muitos pontos, muito delgadas.
e) aumento de volume do canal de Corti com ectasia dos canais aferentes.
f) aumento do tecido conjuntivo frouxo existentes entre as fibras nervosas do coclear e a parede do canal.
g) diminuição consideravel do numero das celulas do ganglio de Corti, que aparecem dilatadas, enquanto que o tecido conjuntivo existente entre uma celula e outra, apresentam-se com a espessura aumentada.

PROF. F. BRUNETTI (Veneza) - Sobre o criterio da operabilidade dos blastomas laringeanos - pag. 94

Depois de vasta esplanação sobre o assunto, chega o A. A conclusão de que é a associação raium-cirurgía, o que atualmente a ciencia pode oferecer de melhor para combater as neoplasías laringeanas.

O trabalho é acompanhado de tres observações pessoais, onde o A. Expõe considerações criticas sobre o tratamento empregado.

H.C.


BOLLETINO DELLE MALATINE DELL´ORECCHIO, DELLA GOLA, DEL NASO, ETC.
An. LIII - N.º 5 - Maio 1935.
(Florença)

PROF. B. SIMONETTA (Pisa) - Contribuição ao conhecimento dos neurinomas malignos: neurinoma plexiforme maligno da face e do palato duro - Pag. 225.

Os tumores do sistema nervoso periferico eram até pouco tempo, considerados como derivados do tecido conjuntivo do perinervo ou do endonervo, e consequentemente interpretados como fibromas. Só em 1908 Verocay, baseando-se na estrutura e disposição especial das celulas desses tumores, contatou sua natureza nervosa, oriunda das celulas desses tumores, constatou sua natureza nervosa, oriunda das celulas de bainha de Schwann. Esta interpretação é hoje geralmente aceita e o que varia, é a denominação dada a tais neoformações: Verocay propoz o nome de neurinoma; Lhermitte e Leroux, o de glioma periferica, Antoni, o de lemona, Masson, de schwanoma. Estes tumores, em regra são histologica e clinicamente benignos, mas tambem são apontados como malignos, mas isso raramente.

O A. Apresenta a observação de uma creança de 18 meses, nascida com ligeira asimetria facial, a bochecha esquerda era mais entumecida que a direita. Aumento progressivo dessa tumefação, principalmente nestes ultimos meses. Uma serie de aplicações de raios X, feita 40 dias antes do exame, não trouxe modificação alguma. Nota-se na bochecha e nas regiões parotidiana e masseterina esquerda, uma massa indolor, dura, formada de pequenas ilhotas globulosas, aderente em alguns pontos á pele. Vê-se tambem pequenos nodulos na metade direita do palato duro. Não ha alteração da mucosa. Feita a biopsia, o exame hiato patologico mostrou tratar-se de um caso de neurinoma. Foi feita durante nove dias, uma aplicação de 16 miligramas de radium. Durante os quatro meses que se seguiram, o tumor continuou a crescer.

Finaliza o A. o seu artigo, dizendo que apresentou sua observação, mais com o fim de discutir a estrutura histologica e a terapia dessa forma néoplasica, muita rara e ainda não perfeitamente esclarecida.

I. BALZANO (Napoles) - Sôbre a ionoforése em otología (Contribuição experimental e clinica) - Pag. 238.

A ion-terapia, ha muito empregada em otología (Friel, Landry e Franquet, Caussé, Viggo-Schmidt etc.), consiste na penetração, sob a ação de uma corrente elétrica, de ions medicamentosos no interior do ouvido medio e interno, através da membrana timpanica.

Depois de inumeras pesquizas, chegou o A. ás seguintes conclusões: Sob o ponto de vista experimental, a membrana timpanica mostra-se facilmente penetravel pelos ions, mesmo sob a ação de corrente muito fraca (2 a 3 miliamperes); a ionoforése só se faz bem em tecido fresco, tomando parte ativa os liquidos organicos.

Sob o ponto de vista clinico, pode-se afirmar que a ionoforése representa um auxilio não indeferente na terapeutica auricular. Muitos casos de otorréia antiga, datando da infancia, que resistiram a outros tratamentos, curaram-se com este; muitos casos de otoespongiose conseguiram acentuadas melhoras, principalmente quanto aos zumbidos.

H. C.


An. LIII - N.º 6 - Junho 1935.
(Florença)

PROF. F. D'ONOFRIO (Napoles) - Mastoidite com edema do crâneo - Pag. 281.

O A. teve ocasião de observar alguns casos de mastoidite, aguda e cronica exacerbada, com edema difuso do crâneo, sem coleção sub-periostal.

Estudando o mecanismo da formação desse edema, o A. observou que as inflamações da região posterior da mastoide, determinam uma infiltração do tecido frouxo e um engorgitamento gânglionar, que traz como consequencia uma perturbação da circulação linfatica e venosa, formando-se então o edema.

Assim como o edema das palpebras é considerado por alguns autores como um sintoma de mastoidite zigomatica, o edema difuso do craneo sem abcesso periostal, pode ser encarado, segundo o A., em caso de mastoidite, aguda ou cronica, como um sintoma de localisação ou de difusão da inflamação á região postero-superior e, ás vezes, postero-inferior da apofise da mastoide.

T. BORBONE e M. A. DE MARCHI (San Remo) - Como foi tratado e curado um doente com septicemía otitica - Pag. 287.

Os AA. apresentam a observação de um caso grave de septicemia otitica: tratava-se de um rapaz de 17 anos, que depois de um resfriado, começou a sentir fortes dores no ouvido esquerdo, com febre (38°,5). Três dias depois, secreção sôro-sanguinolenta, que aos poucos tornou-se purulenta, mas a temperatura atinge 39°. Vacinas antipiogenas de Bruschettini. Dez dias depois, nota-se reação, a pressão, na região mastoideana esquerda, com cefaléa mais acentuada desse lado. Temperatura oscilante entre 38° e 38º,5. Pulso em relação com a temperatura. Secreção purulenta abundante do cond. audit. extern. esquerdo. Quatro dias mais tarde, como não houvesse melhora, foi o doente operado: antrotomía, segundo Schwartze. Apesar da intervenção, a temperatura continuava elevada (até 40º,5). Quatro dias após, nova intervenção nessa mastoide: trepanação ampla, com larga exposição do seio lateral, que tinha o aspecto são. Entretanto essa segunda intervenção não modificou o sindrome septicemico. Durante três dias seguidos, 1 inj. endovenosa de Lantol por dia. Temperatura ainda elevada. No 4.º dia post-operatorio, começaram a aplicar no doente, o famoso e carissimo "sôro anti-estreptococico polivalente de Vincent", em doses crescentes, metade endovenosa e metade intramuscular, até o maximo de 70 cc. por dia. Esse tratamento foi feito durante oito dias, verificando-se apreciavel remissão matinal da febre (36º,3). Mas no fim do 8º dia, teve o doente forte crise hemoclasica, que cedeu pela administração de 1 injec. de adrenalina. Temperatura ainda oscilante entre 38º,4 e 39º; suspensão do sôro de Vincent e aplicação de vacinas antipiogenas de Bruschettini, em doses altas (duas inj. de 2 cc. ao meio-dia e 2 inj. de 2 cc. á noite) e 2 inj. endovenosas diarias de sol. hipertonica a 10% de cloréto de sodio; inj. subcutanea de 2 cc. de oleo de terebentina para provocar abcesso de fixação. No fim de cinco dias deste segundo tratamento, o doente entra em convalescença. O abcesso de fixação foi aberto no 15.º dia.

H. C.


L'OTO-RINO-LARINGOLOGIA ITALIANA
Ano V - N.º 4 - Julho 1935.
(Bolonha).

PROF. U. L. TORRINI - Contribuição ao conhecimento da petrosite - Pag. 340.

O A. relata seis casos pessoais de petrosite, operados e curados. Alguns deles interessantes pelas complicações peri-petrosas que originaram: abcesso latero-faringeo, abcesso sub-ocipital, abcesso da fossa pterigo-maxilar e que foram drenados e curados pela intervenção temporo-petrosa.

A extensão das lesões osseas em um dele põe-no em especial destaque, por ter exigido a demolição completa do rochedo, permitindo conservar, sómente, um pequeno bloco constituído pelos três canais semicirculares, pela cóclea e pelo canal carotideano.

O A., depois de descrever, ligeiramente, os dados anatomicos, discutiu a sintomatologia, a etio-patogenia, a anatomia patologica, o prognostico e o tratamento desta molestia.

FERRUCIO VIGI - Sôbre o modo como se comportam os bronquios e o tecido pulmonar, após injeções de oleo iodado - Pag. 382.

O A. estuda dois casos de morte, de um adulto e de uma menina, portadores de bronquiectasias, pouco tempo depois de uma broncografia. Procurou verificar se muito embora a ausencia total de sintomas clínicos, haveria nos bronquios e nos pulmões alterações podendo relacionar-se á prova efetuada e poude constatar que os pulmões, dos dois casos, apresentavam pequenos fócos hemorragicos parenquimatosos, em gráos diversos de evolução, sendo que alguns já em via de reabsorpção completa. Estudos experimentais de controle deram resultados da mesma especie, mas não iguais. Baseando-se nestes fatos, o A. chama a atenção sobre os fenomenos que provavelmente se desenvolvem nos pulmões dos indivíduos doentes, durante os estudos broncograficos, muito embora eles não apresentem nenhum sinal de sofrimento do aparelho respiratorio, para que precauções sejam tomadas, especialmente nos individuos que apresentem taras no ponto de vista da resistência vascular ou no tempo de coagulação do sangue.

GIORGIO ROSSI - Ação da cocaína sobre o ouvido interno da lebre, estudada por meio dos reflexos sonoros - Pag. 408.

Pela aplicação local da novocaína, sobre uma ampola dos canais semi-circulares de uma lebre, o A. produziu o desaparecimento da excitabilidade desta ampola, aparecendo, concomitantemente, movimentos proprios ás ampolas dos outros canais. Com nova cocainisação total obteve o desaparecimento completo da excitabilidade labiríntica ao estimulo sonoro.

M. O. R.

LES ANNALES D'OTO-LARYNGOLOGIE
N.º 8 - Agosto 1934. (Paris).

P. JACQUES - Osteite petrosa otogenica de evolução jugal - Pag. 761.

Apresenta o A. duas documentadas observações de osteite petrosa otogena, em que o pus caminha de traz para deante nas profundezas da face, acarretando uma infiltração flegmonosa da região do zigoma. Neles se encontram, alem dos sinais de petrosite, um grupo de manifestações proprias a infecção do grupo celular sub-labirintico, caracterisadas por um empastamento profundo da bochecha, com trismus precóce e evolução prolongada.

Não parece que esta forma de petrosite exponha á infecção endocrâneana; mas as intervenções prudentes e reiteradas que ela exige, expõe á lesões o nervo facial e o aparelho acustico estatico a um deficit definitivo. A conduta cirurgica em presença dos acidentes desta ordem exigiria certas pesquizas anatomicas confrontadas com os fatos resultantes das observações.

F. J. COLLET - Metástase ossea de um câncer do laringe - Pag. 771.

As observações de metástase do câncer do laringe são muito raras. O A. apresenta um caso de um câncer marginal do laringe, com ulceração pre-epiglotica e não de um câncer endolaringeo, com uma volumosa adenopatía e com evolução relativamente longa, circunstancias favoraveis á produção de uma metástase. E de notar a presença de nodulos câncerosos no pulmão direito.

LEMAITRE E BAUDOUIN - Hiperhidróse bilateral da face consecutiva a uma supuração das duas parotidas - Pag; 774.

Apresentam os AA. um caso acima enquadrado, no qual houve essas particularidades: o sindrome se manifesta por crises com caracteres de um reflexo, pelo ato de comer, parecendo ser independente da secreção parotideana. A causa inicial é a mastigação. A ordem de sucessão dos sintomas cutaneos é sempre a mesma: vaso-dilatação e si a refeição continua, a sudação aparece. A zona de hiperhidróse corresponde ao territorio periferico do nervo auriculo-temporal e do nervo bucal.

MINK - O movimento inspiratorio do laringe - Pag. 778.

Trabalho longo, dificil de ser resumido, fazendo um estudo teorico e experimental sôbre os movimentos do laringe.

G. GOUFAS - Tromboflebite purulenta do seio lateral direito - Pag. 794

O A. apresenta minuciosa observação de um caso em que surgiu meningite serosa amicrobiana e septicemica. Após melhora, deu-se a morte por embolía septica, provavelmente mesentero-peritoneal.

A observação mostra a extrema gravidade das flebites supuradas nas creanças, devidas a embolia septica que, embora rara, pode dar-se no aparelho respiratorio ou no envoltorio gastro-intestinal. Mostra a necessidade da ligadura precóce da veia jugular interna, preventiva da embolía septica.

DR. PAULO SAES.


N.º 9 - Setembro 1934. (Paris).

ESCAT - Da paracentése maxima ou miringotomía atrio-atical - Pag. 861.

O objetivo principal de uma paracentése eficaz e preventiva de retenção purulenta no atito deve ser, não uma estomía, mesmo larga da membrana, mas um debridamento do fundo atrio-atical, capaz de libertar no átrio; uma coleção encistada no atico.

O tipo ideal de paracentése, a verdadeira paracentése maxima, deve ser a miringotomía quasi vertical e retro-malear, dividindo a membrana de alto a baixo, praticada, não com agulha, mas com bisturi de ponta rebatida ou ligeiramente falciforme, o qual, depois de ter seccionado francamente o ligamento axilo-posterior, sem escrupulo de romper a corda do timpano, se insinua profundamente de baixo para cima, entre o cabo do martelo e a longa apofise da bigorna e procura livrar o hiatus atrio-atical obliterado.

C. CANESTRO - Tratamento da surdez metasifilitica pela malarioterapía - Pag. 864.

A terapêutica da surdez metasifilitica, que era até hoje considerada como incuravel, está enriquecida de um novo metodo, a malarioterapía, que parece dar novas esperanças. Cita a experiencia adquirida por outros autores, que notaram grande melhora na audição de paraliticos gerais tratados pela malaria. O A. apresenta 11 casos pessoais, nos quais foram praticados exames otoscopico e funccional imediatamente antes da inoculação e dois e doze meses depois. Fez-se em seguida o tratamento costumeiro para a malaria e depois tratamento anti-sifilitico intenso. Houve melhora na audição em boa parte dos casos, coincidindo essas com as de outros sintomas nervosos.

O mecanismo de ação da malarioterapía ainda está em hipoteses.

HAUTANT e LEROUX-ROBERT - Septicemia á estreptococico curada pelo sôro de Vincent - Pai. 868.

Em 136 casos desta afecção tratados pelo seu sôro, apresentados á Academia de Medicina, em 1934, por Vincent, deu o seguinte resultado, a porcentagem de cura é de 81,62%; a de insucessos foi de 18,40%.

Os AA. relatam a observação de um caso de septicemia verdadeiro á estreptocócos, curada em oito dias após tratamento pelo sôro anti-estreptococico de Vincent, em doses maciças, auxiliado com transfusões sanguineas repetidas. A trepanação da mastoide se impunha, mas ela só teria sido insuficiente para a cura, pois os seis dias consecutivos á operação, a temperatura manteve-se entre 38º,5 e 40º. A cura manifestou-se no setimo dia após o inicio das injeções de sôro. Ora Vincent considera que um periodo de seis a onze dias é necessario, antes de se produzir ai queda da temperatura. A eficacia do sôro no caso foi pois evidente.

A precocidade da injeção é um fator importante de sucesso. A titulo preventivo, Vincent recomenda uma injeção de 30 cc. de sôro em toda otite a estreptocócos, principalmente se acompanhada de sinais gerais. Vincent recomenda tambem o sôro como tratamento local, não só nas otites medias, onde pela perfuração timpanica ha pouca penetração, mas principalmente nas feridas mastoideanas, após trepanação, nos casos de septicemia e a titulo preventivo nas mastoidites agudas a estreptocócos.

AUBRY - Os sinais cocleares dos tumores do angulo. Seu valor diagnostico - Pag. 879.

O estudo dos sinais cocleares dos tumores do angulo tem sido menos aprofundado que os das perturbações vestibulares. O A. fez um estudo sôbre as observações dos 20 ultimos tumores do acustico durante os quatro ultimos anos internados na Salpetrière. A data da aparição dos diversos sinais tem uma enorme importancia, notadamente nos sindromes da fossa cerebral posterior.

Nos tumores do angulo existe um periodo em que só os sinais cocleo-vestibulares é que existem, e nesse periodo o doente consulta o aurista e o bom diagnostico raramente é feito. Nos tumores do angulo, os sinais cocleares surgem quasi sempre antes dos vestibulares.

Os dois sinais cocleares são: as zoadas e a surdez. Segundo Cushing, as zoadas faltariam em um terço dos casos. Nos casos do A. elas eram muitas vezes ausentes, ou só apareciam tardiamente. Sua intensidade não se aproxima das da nevrite e elas se localisam não no lado tumoral, mas na cabeça sem que o doente possa precisar sua localisação exáta.

O segundo sinal coclear, mais importante porque nunca falta, e não sendo sinal subjetivo, pode ser apreciado pelo exame acumetrico: é a surdez. Esta, praticamente é completa. O seu modo de aparição é variavel, ás vezes brusca, outras não. O exame acumetrico é indespensavel e o A. o faz sôbre a audição por via aérea e por via ossea.

Dá os resultados dos exames acumetricos dos seus casos, dividindo-os em três grandes gruops: 1.º) a surdez total é para a voz e para os instrumentos em sete casos (um pouco mais que um terço dos casos). 2.º) a surdez quasi total, onde só os sons agudos são percebidos, foi observada em sete casos. 3.º) enfim, o ultimo grupo, em que a surdez é menos acentuada com campo auditivo entre 435 mais ou menos (6 casos).

Estuda tambem os resultados acumetricos do ouvido oposto, que em 15 casos foi normal.

Em um ultimo capitulo, estuda o valor diagnostico dos sinais cocleares.

DR. PAULO SAES.


ARQUIVOS DE CLINICA OFTALMOLOGICA E OTO-RINO-LARINGOLOGICA
An. II - Jan.-Abril 1935. (Porto Alegre).

PROF. CESARIO DE ANDRADE (Baía) - Esporotricóse e ocular - Pag. 7.

Neste artigo, apresenta o A. a interessante observação de um caso de esporotricóse oto-mastoidéa com propagação ocular.

Tratava-se de um homem com 31 anos, que apresentara dias antes leve escoriação superficial localizada na parte anterior do pavilhão auricular esquerdo, para deante da fossa navicular e do helix,. Cerca de 20 dias depois, volta o doente com essa lesão cicatrizada, mas acusando fortes dores na cartilagem do pavilhão (pericondrite), com reação para o lado da mastoide, adenite pre-auricular e parotideana. O exame otoscopico feito nessa ocasião mostrou tumefação do cond. aud. ext., com hipermia timpanica. Ao longo desse conduto notava-se pequenos nodulos acuminados, alguns abertos na sua porção central, deixando escapar uma serosidade amarela. Na parte externa, a cartilagem do pavilhão estava inflamada e dolorosa, quase apagando o sulco retro-auricular, com empastamento da região mastoidea. Diminuição da acuidade auditiva (tic-tac do relogio ouvido apenas a 8 cent. de distancia). Na véspera fora acometido de forte otalgia, estado febril e mau estar geral. As dores estenderam-se ao globo ocular esq., que ficou fortemente injectado, com inflamação da íris, com edema pronunciado no quadrante inferior.

Medicação ocular. Paracentése do timpano. Cinco dias depois, na infiltração difusa do conduto, viam-se nodulos gomosos em inicio de ulceração. O exame do material (cultura em meio de Sabouraud), firmou o diagnostico de esporotricóse (Sporotrychum Beurmanni). O ex. hematologico mostrou acentuada eosinofilía. Administração "per os" de dóses elevadas de iodêto de potassio (primeiramente 3 grs., depois 5 grs. diarias); lavagens locais com sol. iodurada fraca. Agravando-se o estado do doente, com forte reação dolorosa da mastoide, febre e sensação de vertigem, foi praticada a antrotomía larga; o material retirado tambem acusou a presença do "sporotrichum". Alta curado, um mês depois.

Finaliza o A., fazendo ver que pode ser a esporotricóse confundida com a sifilis, tuberculose e certas formas de leishmanióse.

E. PAGLIOLI e F. H. RITTER (Porto Alegre) - Tumor do acustico. Ablação e cura - Pag. 31.

Os AA. apresentam um caso de neurinoma do acustico, do lado direito, que devido a precocidade do diagnostico e da intervenção operatoria, conseguiram uma cura clinica completa.

Tratava-se de uma doente de 35 anos, que em 1928 adoeceu repentinamente; com zumbidos no ouvido direito, vertigens, dificuldade na marcha e no equilibrio. Queixava-se naquela epoca de uma diminuição progressiva da audição, á direita, até a surdez quasi completa. O seu clinico pensou tratar-se de insolação, tendo melhorado com o tratamento instituido. Durante dois anos passou relativamente bem,mas depois de uma gravidez e parto, piorou consideravelmente. Sobrevieram fortes dores de cabeça, principalmente quando deitada, acompanhadas com obnubilação passageira da visão.

Examinada pelos AA., verificaram que a cefaléa localisava-se nas regiões ocipital e frontal, á direita, com irradiação para a nuca e regiões inter-escapular e lombar. Dores intensas quando fazia mudanças bruscas na posição da cabeça. O ex. oftalmologico mostrava pronunciada extáse papilar bilateral. Diminuição consideravel do reflexo corneano no O. D. Surdez completa do ouvido direito. Nistagmo pronunciado ao olhar para a direita ou para a esquerda. Abalos lentos , e grosseiros; componente vertical bem nitida. Os exames do n. vestibular mostraram inexcitabilidade do labirinto direito. Prova de Romberg: pronunciada latero-pulsão á direita. Hipo-estasía nitida da hemi-face direita, hipoqueusía nos 2|3 anteriores da lingua, á direita. Radiografias do craneo: erosão nitida do dorso da sela turcica. Na posição de Stenvers, nota-se dilatação evidente do "poros acusticus internus".

Diagnostico: Tumor do acustico á direita. Intervenção, sob lócoanestesía. A neoplasía englobava o VIII.º par e não se elevava muito em direcção ao V.° par, nem para a linha mediana, mas emitia um prolongamento descendente que alcançava e penetrava no buraco oval do ocipital, extendendo-se até o canal raquideano. A extirpação foi relativamente facial, havendo leves hemorragias ao se retirar o prolongamento raquideano e na ressecção do que se derigia ao buraco auditivo (nessa ocasião a doente sentiu dor no ouvido, confirmando assim a séde de origem do tumor), que cederam com tamponamento leve com gaze embebida de "Coaguleno". A ferida operatoria foi fechada sem drenagem, pois os AA. consideram a sua permanencia perigosa, por favorecer a infecção do encefalo e das meningens. O exame histopatologico informou tratar-se de "schwanoma" (neuriloma).

Após a intervenção, desapareceram por completa a cefaléa e as perturbações oculares, restando apenas os sintomas da serie cerebelar, como a latero-pulsão, mas consideravelmente atenuados, não perturbando a marcha.

Os AA. fazem considerações sôbre o caso, insistindo mais uma vez na necessidade do diagnostico precóce, e salientam o papel desempenhado pela radiografia no diagnostico desses tumores. A dilatação caracteristica e unilateral do "porus acusticus internus" (posição de Stenvers) é um argumento decisivo para o diagnostico de tumor do acustico.

H. C.


ANAIS DE OTO-RINO-LARINGOLOGIA
Vol. 1 - Junho 1935 - Fasc. 2 (Recife).

SYLVIO CALDAS (Recife) - Do contraste artificial na radiografia do antro de Highmore - Pag. 67.

O A. aponta as vantagens do emprego de contrastes artificiais no diagnostico das formas latentes de sinusite maxilar e estuda sucessivamente os liquidos radiopacos (oleos iodados) e a pasta radiopaca (pasta de bario). Considéra como o melhor processo, a introdução de oleos iodados (Iodipina) por meio do metodo de deslocamento ou de Proetz, e insiste na necessidade de se fazer a radiografia numa incidencia horizontal, como recomenda Proetz, afim de evitar erros de interpretações. Não aconselha a introdução de oleos iodados através do trocater, pela via diameatica, porque o liquido reflue pela propria canula ou pelo orificio da puncção, apesar de bom arrolhamento deste ou pelas fissuras da parede sino-nasal, que muitas vezes tem lugar, quando o trocater penetra no seio. Quando não seja possivel o emprego do metodo de deslocamento, deve-se então lançar mão dos meios radiopacos pastosos. Para isso chama o A. a atenção para uma tecnica inedita e interessante por ele empregada ha quasi dois anos: não se trata propriamente de enchimento, mas de impregnação ou simples revestimento da mucosa por meio de uma suspensão viscosa e aderente de sulfato de bario ou mesmo de carbonato de bismuto, á semelhança da relevografia do aparelho digestivo. O processo é simples: faz-se uma puncção diameatica, adaptando-se depois, á canula do trocater, uma seringa comum de 20 cc. contendo a pasta opaca. O doente deverá estar em decubito-dorsal, com extensão da cabeça; instila-se a substancia radiopaca, depois do que o doente muda de posição, ficando sucessivamente em decubito lateral direito e esquerdo, sentando-se finalmente. Esses movimentos, condicionando diferentes posições do antro, têm por fim permitir o deslisamento da pasta nas diversas regiões daquela cavidade. A pasta adére á toda a mucosa, formando uma delgada camada, graças á sua viscosidade, depositando o excesso no soalho do seio. Retira-se então a canula, podendo o doente assoar-se livremente. Será bastante para o exame, a camada que adére á mucosa, que mostra o contorno variado da mucosa doente. O resultado da radiografia é sempre o mesmo, quer na incidencia vertical, quer na horizontal, ao contrario do que sucede nos oleos iodados, e isto devido aos fenomenos de viscosidade e de tensão superficial.

O A. ilustra o seu trabalho com varias radiografias e esquemas, mostrando como a impregnação elucida o diagnostico nos casos latentes de sinusite maxilar.

GERALDO DE ANDRADE e AGUINALDO LINS (Recife) - Alterações da voz nos aneurismaticos - Pag. 83.

Neste trabalho os AA. fazem um estudo de conjunto sobre as alterações que sofre a voz nos aneurismaticos, a começar pela simples rouquidão, depois a voz bi-tonal e a de falsête, até a afonía. E' cousa perfeitamente conhecido, na quasi totalidade dos casos, o recurrente esquerdo ser atingido pela compressão aneurismatica, pela razão do recurrente direito se limitar a contornar em baixo a sub-clavia, enquanto que o recurrente esquerdo desce mais e vem passar sob a aorta.

A voz rouca aparece, geralmente, após um esforço fisico; a voz bi-tonal e a de falsête instalam-se gradativamente. Ás vezes a bi-tonal pouco perdura, vindo o doente a ficar logo afonico. Outras vezes a afonía pode se transformar, em tempo variavel, em voz bi-tonal ou mesmo em voz normal ou quasi normal. A afonía brusca é conhecida pelo nome de ictus laringoglegico de Garel.

Na paralisia recurrencial, verifica-se pela laringoscopía: 1.º) que a corda acometida está fixada em posição intermediaria, em aducção-abducção forçadas, muito vizinha da posição dita cadavérica, porem mais aproximada da linha mediana, porque a paralisia recurrencial respeita o crico-tiroidêo, que é o musculo tensor e ligeiramente aductor, e inervado pelo laringêo superior. 2.º) que a corda fica imovel, tanto no sentido da aducção como na da abducção. 3.º) que ela não tarda a se atrofiar, porque o musculo tiro-aritnoidêo, que forma seu arcabouço (musculo cordal), é um dos musculos paralizados: a corda vocal diminue de largura, e seu bordo livre se adelgaça e incurva. A corda vocal sã tendo a se aproximar e mesmo ultrapassar a linha media.

Os AA. apresentam radiografias de dois doentes que tiveram ocasião de examinar, ambos com aneurisma da aorta, um com voz de falsête e o outro, havia variação na fonação quando fazia um esforço quando começava a subir uma escada apresentava voz bi-tonal, e chegava ao fim, com voz rouca, que perdurava por muitos minutos.

ARTHUR MOURA (Recife) - Mucocéle frontal - Pag. 90.

O A. apresenta um caso de mucocéle frontal por ele diagnosticado e operado. Tratava-se de um moço de 23 anos, que ha muito tempo sentia obstrução nasal, mais acentuada do lado esquerdo. Resfriava-se com facilidade. Ha dois anos vinha notando um aumento de volume da testa, acima dos olhos, mas essa anormalidade não o incomodava. Porem, ultimamente começou a sentir "sensação de peso" acima dos olhos, é depois, após um resfriado, dôr forte que o impossibilitava de dormir e trabalhar, notando tambem que a saliencia da testa aumentava com rapidez. Pelo exame externo, notava-se que as paredes anteriores dos seios estavam projetadas para deante, possivelmente por-pressão de um tumor existente nas caivdedes. A bossa frontal media estava saliente, dolorosa, mas não depressivel a pressão. Rinoscopia ant.: desvio alto do septo nasal para a esquerda. Cartuxo medio direito volumoso estreitando a fenda etmoidal.

As radiografias simples, tiradas de frente e de perfil, mostravam radiotransparência dos seios frontais com dilatação da cavidade sinusal. Nova radiografia feita pelo metodo de Proetz, com meio de contraste opaco, mostrou a existencia de um tumor cistico, porque o liquido não encheu os seios, ficando na porção inferior, recalcando a capsula cística e se insinuando entre esta e as paredes osseas sinusais.

Loco-anestesia. Incisão em "andorinha", ressecção de parte das paredes anteriores dos seios frontais. Encontra-se um tumor cistico vascularisado, cuja capsula era pouco aderente ao osso e era constituída pela mucosa dos seios. Havia comunicação entre os dois seios frontais.

Julga o A. seu caso interessante pelo facto de não ser comum uma deformação tão grande dos seios frontais, e tambem, pela ausencia de reabsorção da parede anterior dos seios, devido a pressão do cisto, não havendo, portanto, o classico sinal de "ruído de pergaminho" apontado pelos autores.

Três, fotografias e três radiografias.

H. C.

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