Versão Inglês

Ano:  1935  Vol. 3   Ed. 5  - Setembro - Outubro - ()

Seção: Revista das Revistas

Páginas: 475 a 495

 

REVISTA DAS REVISTAS - PARTE 1

Autor(es): -

ARCHIVES OF OTOLARINGOLOGY.
Vol. 21 - Fevereiro de 1935 - N.º 2 (Chicago. U. S. A.)

D. C. JARCIS.(Barre, Vt.) - Alterações na Côr da Mucosa Nasal. (Como um guia para se julgar doestado do sistema simpatico e para - simpatico.) - Pag. 131.

Estuda o A. as caracteristicas do sistema simpatico e para - simpatico, bem como o antagonismo existente entre as suas divisões.

Chama a atenção para o fáto da sensibilidade existente por parte da mucosa nasal, no reflectir as perturbações que se possam encontrar em relação aos dois sistemas citados.

Descreve o A. dois sisdromas:

l.º Sindroma da mucosa vermelha. Estes doentes mostram uma notavel coloração vermelha na mucosa nasal, principalmente na parte anterior do septo. Queixam-se de que estão eternamente cansados, qualquer esforço provocando fatiga. O trabalho é sempre penoso e irritam-se sob qualquer pretesto; são temperamentos que se sentem ofendidos por qualquer motivo. Durante as horas destinadas á atividade têm sonolencia e quando chega a noite, são atacados de insônia, de modo que o repouso noturno, não traz uma renovação de energias para o dia seguinte. Apresentam uma serie indefinida de sintomas em varias partes do corpo. São muito sujeitos a constipações; o seu cabelo cae mais cedo do que é comum; têm a pele seca. São forçados a frequentes periodos de ferias, para poder recomeçar ao trabalho.

2.º Sindroma da mucosa palida. A historia deste tipo é diferente. Queixam-se tais doentes de prurido na pele, incomodo que póde, ás vezes, tornar-se violento. Sentem prurido tambem no nariz. Sofrem de uma cepaléa na parte posterior do craneo; é frequente tambem dôr na região das sobrancelhas.

3.º Sindroma da mucosa mixta. Tais doentes têm a mucosa do septo muito palida de um lado e muito vermelha de outro, de modo que a sua sintomatologia se alterna entre um e outro tipo dos precedentes.

O exame somatico de doentes do primeiro tipo revela:

1 - A taquicardia é presente invariavelmente, tanto em estado repouso como em atividade.
2 - O tracto gastro-intestinal é atónico.
3 - Ha isquemía periferica.
4 - Ha excessiva transpiração fria.
5 - Ha constante sensação de fadiga
6 - A reatividade é dificil
7 - Não ha tendencia para reserva de energias.
8 - A balança da energia tende sempre para o catabolismo.

Quando o doente apresente uma mucosa por demais palida, vamos verificar o seguinte:

1 - Ha excessiva reatividade.
2 - Ha tendencia para grande reserva de energia.
3 - A tendencia da balança de energia é sempre para o anabolismo
4 - O colou descente é espastico.
5 - Têm sempre um pulso lento.
6 - A pele é usualmente vermelha.

No tipo mixto, isto quando ha variação da mucosa nasal de um para outro lado, naturalmente que ha uma certa conjugação da sintomatología.

O primeiro tipo, de mucosa nasal muito vermelha, é frequentemente associado com dixersas condições morbidas: 1) condições clinicas caracterisada por infecção. 2) Hipertiroidismo. 3) Artrite atrofica. 4) Diabetis melitus. 5) Cancer. 6) Hipertensão do sistema vascular.

O segundo grupo, de mucosa nasal palida, é associada, em geral, a: 1) Asma. 2) Febre do feno. 3) Urticaria. 4) Eczema. 5) Outras condições alérgicas. 6) Hipertiroidismo. 7) Hipotensão do sistema vascular.

Depois deste estudo esquematico, o A. passa a largas considerações, de ordem dietetica e terapeutica, cuja extensão não permite resumo. Diremos apenas que coincidem, em suas linhas gerais com a classificação ção dos alimentos já anteriormente delineada, que os divide em alimentos que dão residuos atidos e alimentos que dão residuos alcalinos, assim como na administração de acido cloridrico e de vitaminas.

ABRAHAN FINE. (Brooklin.) - Espasmo do nervo oculo-motor no sindrome de Gradenigo. - Pag, 142.

Estuda o A. o modo segundo o qual se comportam os nervos crâneanos, no classico sindrome de Gradenigo. E' muito conhecida a triade constituiria pela otite media, dôres na cabeça e paralisia do abducens. Os outros nervos interessados topograficamente, quer dizer, o II, o III, o IV, e o VII, via de regra não são afectados, a menos que entrem em cena, complicações dependentes do ouvido, tais como tromboses sinusais, abcessos do cerebro e meningite difusa supurada. Entretanto, ocasionalmente, é possível algum disturbio nos citados nervos, mesmo sem a intercurrencia de complicação endocrâneana alguma.

É importante considerar isto, para conhecer a relativa significação do fáto. Por exemplo, o aparecimento da papila de estáse em um doente com o sindrome de Gradenigo, não deve constituir "per se" uma indicação operatoria, a menos que haja outros elementos de evidencia de comprometimento intradural. Este ponto foi bem focalisado ultimamente por Lillie e Willians. Semelhantemente, tambem o facial póde ser envolvido no sindrome e a situação resolver-se-á satisfactoriamente sem abrir-se o rochedo. O IV, ou troclear, que supre o obliquo interno e origina a diplopia vertical, quando afectado, é o menos frequentemente envolvido. Tambem o III, o motor ocular comum, não é afectado senão excecionalmente, devido ao fáto de ser o seu curso, comparativamente abrigado na base do craneo; como se sabe, parte da superfície mediana do pedunculo cerebral, perfura a dura na fossa media e entra logo na parede lateral do seio cavernoso; aí estabelece a intimas relações com o IV, par e o ramo oftalmico do V, depois penetrando na orbita, pela fissura orbitaria superior, dividindo-se em um ramo superior e outro inferior.

Na opinião do A., embora o IIIº par seja relativamente poupado á pressão, na patología da base do craneo, é entretanto frequentemente envolvido no sindrome de Gradenigo, daí resultando um espasmo do músculo recto interno homolateral, que por ele é inervado. Os seis musculos do olho estão fisiologicamente sob uma delicada balança de tonicidade, que é prontamente rompida, quando um deles se torna paralítico. O recto interno, antagonista que é do não funcionante recto externo, assume uma tonicidade exagerada e estabelece o espasmo. Este espasmo não é encontrado nos casos de simples paresía do nervo abducena, mas só quando ha completa paralisia do ultimo como acontece no fim da primeira semana.

Pouca atenção tem-se dado a estes espasmo através da literatura; entretanto ele constitue um quadro clínico digno de descrição, porque provam a complexidade do sindrome e tambem porque póde simular um comprometimento bilateral do abducens. Talvez esta comissão da literatura, dependa do fáto do otologista encontrar-se completamente absorvido pelo aspecto otologico do caso em toda a sua gravidade, relegando para um plano, secundario, a parte oftalmologica.

Qual é o aspecto clinico do espasmo? Primeiramente, quando o paciente olha diretamente para a frente, o olho paralítico se dirige em direcção ao nariz, isto é, ha sempre um estrabismo interno; em segundo lugar, nos movimentos de adução ocular, o olho paralítico move-se mais depressa aue aquele do lado oposto.

Mais significação tem porém o estudo das diplopías.

O paciente vê o dobro, quando ele olha em direcção do recto externo paralisado; ele vê tambem o dobro, quando olha para a frente, mas semelhantemente quando olha em direcção oposta, para a extrema perifería. Nessa ultima posição, está completamente afastada a ação do recto externo paralisado, mas tem ainda diplopia devido ao espasmo do homolateral recto-interno.

CHEVALIER JACKSON E CHEVALIER L. JACKSON. (Filadelfia.) -Disfonía plicae ventriculares. - Pag. 157.

Esse tipo de rouquidão é devido á fonação realisada pelas pregas ventriculares, ou á dificuldade de fonação, devida a uma ação vicariante levada a efeito pelas falsas cordas.

A frequencia de rouquidão, devido á fonação pelas pregas ventriculares, é dificil de determinar pelas estatisticas gerais, porque o fáto não é geralmente reconhecido pelos laringologistas. Na experiencia de Chevalier Jackson, tal irregularidade corresponde a 4 % da disfonías.

Assim eles descrevem a sintomatologia.

Em um caso bem verificado de fonação pelas plicas ventriculares, a voz é grave e mais ou menos rouca em qualidade; porém, nos paciente; que tem se sujeitado a trenos, a voz pôde ser mais ou menos igual, tanto em qualidade como em altura.

Diplofonia. (Diphthongia). A voz dupla é quasi sempre presente nos estados precoces desta disfunção. O paciente queixa-se de que a sua voz "se quebra"; quando ele começa, a voz parece bôa; outras vezes, de só é capaz de emitir uma voz profunda ou baixa, não sendo possivel uma conversa acima da voz cochichada. Em outras ocasiões, quando começa a falar, passa de um tom alto para outra baixo e vice-versa; tambem pódem aparecer simultaneamente os dois tons. Em alguns casos as verdadeiras cordas e as falsas, produzem som alternativamente. O curso da diplofonía póde depender de um contróle imperfeito, especialmente de ação dos tensores; ás vezes, a imperfeição depende de outros musculos.

O paciente queixa-se de sensação de fadiga depois do uso da voz . Algumas vezes o fáto ocórre de manhã e é acompanhada de certa sensação dolorosa nos ouvidos.

Examinando-se com o espelho, nos casos tipicos, durante a fonação, segundo o que relatam muitos laringologistas, as cordas vocais não são visiveis, ao mesmo que se notam movimentos de vibração nas falsas cordas. E' tal a roquidão, que o observador não espera vêr normais as cordas vocais e aceita a imagem como sendo delas intensamente inflamadas e espessadas. Entretanto as verdadeiras cordas vocais estão embaixo do quadro que se apresenta á vista; elas aproximam-se, á fonação, ás vezes perfeitamente, mas sempre tardiamente. Esta demora permite uma superatividades das plicas ventriculares, de modo que estas se aproximam e mascaram o campo laringologico.

Em geral o diagnostico póde ser feito com o espelho, mas ha casos que requerem a laringoscopia directa.

Os AA. dão uma noticia sobre tratamento, que póde ser cirurgico e profilatico.

A operação consiste em retirar-se um pequenino pedaço da falsa corda, bem em sua parte mediana, de uma delas ou de ambas. Antes porém de assim proceder, á necessario que nos certifiquemos qu as verdadeiras cordas têm um movimento de aducção completo.

São apresentadas 5 observações deste genero.

HERMAN J. MOERSCH E ALBERT C. BRODERS. (Rochester.) - Adenoma do esofago. Pag. 168.

Os tumores benignos do esofago apresentam um especial interesse, porque são de relativa raridade e tambem porque são passiveis de tratamento. Por isso é essencial reconhecê-los e distinguí-los dos tumores malignos, que são numerosos e resistentes a todas as fórmas de terapeutica.

Infelizmente, o seu aspecto clinico e roentgenologico é o mesmo. Só é possivel um diagnostico diferencial pelo esofagoscopo e biopsia.

A raridade destes tumores é evidenciada pelos estudos da Sra. Patterson, que encontrou na literatura de 1717 até 1932 somente 61 casos, aos quais se deve acrescentar um, que estava sob as suas vistas.

Os tipos destes neoplasmas benignos que envolvem o esofago são: adenoma, hemangioma, leiomioma, lipoma, lipomioma, mioma, mixofibroma e papiloma. Entre os mais raros, estão os adenomas, grupo ao qual pertence o caso do autor do artigo. Segue-se a observação, sem intercsse de ser resumida.

GABRIEL TUCKER. (Filadelfia.) - Diafragma congenito do laringe. Pag. 172.

Os diafragmas congenitos do laringe são extremamente raros. Hodge, de Montreal, em um artigo publicado em 1930, afirma que a literatura só contém 23 casos autenticos. Depois do artigo de Hodge, apareceu um outro publicado por Wilkinson, sob o titulo "Estenoses Congenitas" onde ele relata um novo caso. Kriegman, sob o titulo "Tratamento Cirurgico dos Diafragmas Congenitos do Laringe", cita um caso de urna mulher de 26 anos, para a qual falhou a intervenção cirurgica. O caso de Hodge diz respeito a uma creança de 5 anos, em quem foi feita a incisão segundo a tecnica preconisada por Jackson, seguida de dilatação através do laringoscopio.

Quanto ao caso do A. refere-se a uma moça de 20 anos, que desce creança nunca fóra capaz de emitir um som claro, falando sempre com voz cochichada, e, só depois de anos de repetidos exames, ficou constatada, presença de uma membrana que fechava a luz do laringe. A membrana envolvia os terços medios das cordas; tinha um aspecto fino, cinzenta, semitransparente e de fórma quasi triangular. Os terços anteriores das cordas pareciam ser aderentes entre si, desde o bordo da membrana até a comissura anterior; além disso, estes terços anteriores das cordas pareciam ser adelgaçados, quasi transparentes. O tratamento consistiu em incisão da membrana bi-semanalmente e aplicação de tintura de benjoim. Diz o A. que esta solução deu os melhores resultados, porquanto favorecem a formação de um deposito sobre as cordas e que impediu a formação de epitelio, sem portanto a formação de novas aderencias. Este tratamento foi repetido até que as cordas ficaram completamente separadas.

HENRY P. SCHUGT. (New York.) - Diagnostico e tratamento cirurgião da tuberculose do laringe. - Pag. 175.

Depois de um apanhado geral sobre o diagnostico e tratamento da tuberculose do laringe, estudo este acompanhado de bôas gravuras elucidativas, assim resume as suas conclusões:

A tuberculose do laringe é curavel em pessôas com bôa resistencia geral. Antes de qualquer deliberação, é necessaria uma bôa colaboração entre o tisiologo e o cirurgião. A laringoscopía diréta para um diagnostico corréto, é preferivel a indiréta. E' de maior importancia um apurado exame do ventriculo laringeo, nos casos incipientes de tuberculose do laringe. Uma puncção preliminar, com a ponta de um galvanocauterio é muito util para se conhecer a capacidade de cura do paciente. A paralisia curativa de um lado, é um metodo de valôr, embora pouco seja conhecido a respeito. Em casos de obstrucção, do laringe pelas lesões tuberculosas, deve-se evitar a traqueotomia, que é substituida pelas operações dirétas intralaringeas. No tratamento da disfagía, dôr á deglutição, o metodo de escolha, é o bloqueio do nervo laringeo superior, ordinariamente feito pelo lado de fóra. O nervo póde tambem ser bloqueado pelo lado interno, através do seio piriforme. A resecção do nervo deve ser limitada a pacientes em bôas condições gerais. Em casos de tuberculose da faringe, com dôr forte, póde ser feito bloqueio do plexo nervoso faringeo. Pequenas lesões da boca pódem ser excisadas e tratadas com sucesso. Nos casos avançados de tuberculose da lingua, com dôr muito forte, pôde-se realisar o bloqueio do nervo lingual, com alcool ou resecando o nervo pelo lado de fóra.

ALFRED SCHWARTZ (New York.) - Rinoescleroma - Pag. 199.

O artigo contem duas observações de tais casos, interessando parte nasal, laringeana e traqueal. Em ambos houve melhora pela roentgentetapía. Na opinião do A., os raios X parecem mais efficazes de que o radium. Excéto em casos de grande necessidade, ou de necessidade para biopsia, a intervenção cirurgica é contra-indicada.

FEAD STENN (Chicago) - Carcinoma da traquéa - Pag. 190.

A aparencia de um tal tumor através do broncoscopio, depende da idade e do grão da malignidade. Precocemente, tem o aspecto de um papiloma sessil, tendendo para a formação de uma massa fungosa, que quasi sempre oblitera o lumen do orgão. Outras vezes, tem uma superficie lisa, penetrante nos tecidos adjacentes, e ás vezes ulcerando-se, para produzir uma fistula traquéo-esôfagiana.

Em geral o primeiro sintoma é constituido por sensação de cocegas na traquéa, seguida de tósse e persistente rouqidão. Perda de peso, calafrios e vomitos tornam proeminentes. Expectoração de sangue, fresco ou em coalhos, é um sintoma tardio; dispnéa e cianóse, indicam fechamento do lumen. Figi chama a atenção para a importancia do diagnostico diferencial com asma, molestias da tiroide, empiema, bronquiectasía e abcessos pulmonares.

O prognostico, naturalmente é máu, por causa da localisação, a-pesar-de que, quando são situados no terço superior da traquéa, são passiveis de resecção. Radium e diatermia administrados através de broncoscopía, têm dado resultados promissores. Em alguns casos é benefica a roentgenterapía.

DR. FRANCISCO HARTUNG


THE JOURNAL OF LARYNGOLOGY AND OTOLOGY
Vol. L - Nos. 6 e 7 - Junho e Julho de 1935 (Londres)

J. F. O'MALLEY (Londres) - Ventilação do nariz e dos seios acessorios. Investigação pelo metodo oscilografico - Pag. 389.

O A. começa pela descrição do metodo que empregou nas pesquizas, cujos resultados se propõe a descrever.
Diz que a grandeza das oscilações varía relativamente com a força respiratoria exercida, menor na respiração quieta, e maior no esforço aumentado. As curvas aumentam quando da obturação de uma ou outra narina alternadamente. Este facto é de interesse, pois indica, quando da oclusão total de uma narina ou pela oclusão parcial de seu segmento anterior, que a ventilação se processa atraz desta oclusão. Assim é que, na pratica, quando da obstrução da parte anterior de uma narina, pelo desvio anterior do septo com corneto inferior pequeno, tendo do lado oposto, isto é, na narina em que o septo fôr concavo, mas com corneto inferior grande, a transiluminação mostrará do lado do desvio do septo, um antro claro, ao passo que o antro do lado oposto póde ser menos transparente ou mesmo escuro. Isto quer dizer que nas obstruções nasais anteriores, com ostio-sinusal permeavel, a ventilação e drenagem dos seios se fazem melhor. Do estudo de seus oscilogramas, o A. observando as variações das oscilações que indicam uma pressão negativa ou positiva, tirou as seguintes deduções:

1 - Pressões negativas alternando com pressões positivas, em cada ciclo respiratorio e síncronas no nariz e nos seios, é o normal.

2 - Pressão negativa curta, sem faze positiva correspondente, póde existir durante a respiração tranquila e devido a uma bola de muco obturando o ostium sinusal. Este estado desaparecerá com o aumento do esforço respiratorio.
Tem lugar nas infecções catarrais leves e representa um sinal precoce de perturbação respiratoria.

3 - Pressão negativa seguida de positiva tardia, após varios ciclos de respiração. Sinal, tambem, de estado catarral mais avançado.

4 - Pressão negativa durando por varios ciclos respiratorios e não se tornando positivos, mesmo pelo esforço respiratorio, mas que após tempo mais ou menos longo, adquire o nivel atmosferico normal. Sinal da presença de uma infecção agúda ou cronica e supuração.

5 - Pressão negativa sustada por muitos minutos e muito mais, sem voltar ao nivel da pressão atmosferica, indica uma infecção cronica associada com perturbações edematosas e formações políposas. O antro póde não conter pús, mas seu revestimento é edematoso.

6 - Só existe o nivel da pressão atmosferica.

Nestes casos exitirá uma grande obstrução temporaria ou permanente do ostio sinusal.

7 - Não será obtida pressão positiva alguma, etc.

Estes resultados são obtidos pela tecnica descrita pelo A. e se referem á pressões que se passam nos antros maxiliares.

Tambem são causas productores destas perturbações, as condições anatomicas do nariz, as irregularidades de desenvolvimento do mesmo, ás irregularidades adquiridas, traumas, etc., as molestias:

a) - modificações alergicas;
b) - inflamações agúdas e cronicas, edemas inflamatorias;
c) - formações poliposas.

O A. procura explicar, em seguida, partindo dos estudos, oscilagraficos feitos, o mecanismo das infecções dos sinus; o modo de invasão causadora das pansinusites; a infecção primaria do seio maxilar; a formação do pio-sinus; o sinus velado, não septico, com ostio aberto, que é observado, frequentemente, do lado concavo do septo, fortemente desviado, com grandes cornetos médio e inferior; o seio velado, de ostio fechado e não septico; as causas das supurações post-operatorias do antro maxilar; a relativa frequencia das sinusites maxilares e frontais; as dôres frontais periodicas; a genese dos polipos e sua formação.

Estuda em seguida a patología do nariz e de suas cavidades anexas.

Fala sobre as bases cirurgicas do nariz e das supurações de suas cavidades.

Este artigo é bastante interessante e não deixa de trazer alguma cousa de novo aos conhecimentos da patologia nasal.

J. A. MUNRO CAMERON (Glasgow) - Investigações sobre a parte atinnente á elergía e a anafilaxía, como fatores predisponentes das infecções da mucosa nasal e sinusal e sua ação sobre o tratamento das molestias destas cavidades - Pag. 493.

Os exames histologicos da mucosa nasal e sinusal, revelam caracteres especiais entre os quais, infiltração de eosinofilos, e celulas plasmaticas, e edemas, são os principais. Os eosinofilos são de 2 tipos: bilobados
e mononuculares, com granulos finos. Os primeiros são abundantes nas fórmas agúdas e os ultimos nas cronicas. Pensa-se que estas celulas neutralizam alguma substancia conversivel em alergía, ou que elas possuam uma ação quimiotoxica que a estimula.

Não ha nada que demonstre que estas perturbações sejam devidas a micro-organismo. O fáto de que alergia prepara a mucosa para infecções pelos micro-organismos, é dificil de ser aceito. Quando a infecção tem lugar, a mucosa mostra diminuição ou desaparecimento de eosinofilos.

No tratamento deve-se ter em consideração a ambos os fatores: o alergico e o aspecto local da mucosa nasal. O A. põe em fóco os metodos de desensibilização. Finalmente, sugere que as manifestações alergicas devem ter uma genese comum as de algumas fórmas de envenamento metabolico, que tende usualmente a diminuir pela desintoxicação.

J. N. ROY (Montreal) - Ponta do nariz completamente seccionada e suturada 3 horas após o acidente - Pag. 518.

O A. cita a observação de um caso em que, após secção completa da ponta do nariz, o pedaço separado pelo acidente fôra suturado, 3 horas após, com magnifico resultado. Discute o porque da recuperação de vitalidade do retalho e qual seu meio de nutrição. Apresenta fotografias do paciente antes e depois de curado.

M. O. R.

ANNALS OF OTOLOGY, RHINOLOGY AND LARYNGOLOGY
Vol. 44 - N.º 2 - Junho 1935 (St. Louis, U. S. A.)

EDWARD CECIL SEWALL (San Francisco) - Tratamento operatorio das molestias dos seios nasais - Pág. 307.

O A. descreve uma sua tecnica de operação, por via externa, sobre todos os seios da face, principiando pelo frontal, seguindo-se o etmoide e finalmente o esfenoidal. Opéra o frontal pelo soalho como Ritter, o etmoide de como se o costuma fazer por via externa e por qualquer processo. O esfenoide pela via anterior, ressecando, sempre, a parede inferior, afim de facilitar a drenagem.

O A. costuma ligar a arteria etmoidalis, ramo da carotida interna, pela via orbitaria e a esfeno-palatina na parede naso-faringeana do seio esfenoidal por uma tecnica propria.

Para manter o ductus artificial entre o frontal e ó nariz, utilisa-se de um retalho, longo, de 3 centimetros, retirado do dorso do nariz, alcançando o ager nasi. Este retalho é rebatido para dentro do seio frontal, revestindo, tambem, a parede medial do canal naso-frontal. Outro retalho é feito a custa da mucosa dos cornetos médio e superior e é rebatido sobre a parte operada do etmoide esvaziado.

ARTUR W. PROETZ (St. Louis) - Um sindrome doloroso e paralitico em consequencia de inflamação no espaço paravertebral - Pag. 371.

O sindrome é constituido pelos seguintes sintomas:

1) - Dor profunda, como um espasmo muscular, uma polegada para um dos lados da apofise espinhosa, entre a VII vertebra cervical e a III vertébra toracica.

2) - lnutil procura minorar a tensão cervico toracica profunda com a colocação da cabeça em determinada posição; melhora parcial deitado supino.

3) - Irradiação da dor ao braço, envolvendo alguns ou todos os ramos do plexo braquial.

4) - Fraqueza e paralisia de varios musculos atribuidas á nevrite braquial.

5) - Dor ocipital e sensibildade.

6) - Sensação de infiltração dolorosa na proximidade do esofago, como se fora um bolo alimentar, e que aumenta ao tentar-se passar um tubo.

7) - Inflamação dos tecidos linfaticos da faringe (ou historia de uma infecção agúda recente destes tecidos).

8) - Ausencia de febre.

SIDNEY N. PARKINSON (Oakland) - Complexo sintomatico de Menière. Descompressão da endolinfa com melhora dos sintomas. Menção de um caso - Pag. 382.

Dandy, conclue, de suas experiencias sobre esta molestia, que:

1 ) - A molestia de Menière nada tem que ver com o ouvido interno. Seria causada por uma lesão do nervo auditivo, produzindo disturbios nas funções do ouvido interno.

2) - Uma lesão do ouvido interno não poderia afetar, ao mesmo tempo, o nervo vestibular e o coclear?

3) - Muito embora inumeras fórmas de tratamento tenham sido imaginadas, nenhuma produziu o menor beneficio até que tivesse sido tentada a intervenção cirurgica sobre o nervo oitavo (secção). Estes fátos são, em absoluto, contestados pelos otologistas e a dissociação entre os dois nervos por uma afecção do ouvido interno, assim como uma afecção conjunta dos mesmos, já tem sido observadas por inumeras vezes.

Portmann, que considera a molestia de Menière como devida a uma perturbação fisico-quimica da endolinfa, ideiou uma operação descompressiva para cura-la. O A. relata um caso de Menière que melhorou com a intervenção descompressiva.

PIERRE VIOLE E ANDREW A. LOVE (Los Angeles) - Tinnitus aurium, objetivos e subjetivos, de origem vascular: Relação de um caso presumivelmente devido a um aneurisma cerebral - Pag 418.

Os tinitus aurium podem ser classificados:

1 - Ruidos ou sons causados pela oclusão ou mobilidade diminuida de qualquer parte do aparelho conductor dos sons.

2 - Sons labirinticos ou ruidos devido, seja a mudança na estrutura da cóclea ou á alterações nela, seja pelo aumento ou diminuição da pressão intra-labirintica.

3 - Sons nervosos, ou ruidos, causados pela irritabilidade anormal do nervo auditivo.

4 - Sons cerebrais ou ruidos produzidos por condições anormais, atuando sobre os centros auditivos da cortex cerebral (alucinações auditivas).

5 - Sons sanguineos, ou ruidos produzidos pela corrente sanguinea nos vasos dos ou da vizinhança dos ouvidos, e devidos, seja á perturbações locais ou gerais da circulação ou á anomalias de tamanho, fôrma e posição dos vasos sanguineos.

Os 4 primeiros tipos causam ruidos subjectivos e o ultimo tanto subjectivos quanto objectivos.

CHARLES L. MARTIN (Dallas) - Terapeutica pela irradiação dos tumores malignos da cavidade oral, dos olhos, ouvidos, nariz e garganta - Pag. 427.

O A. diz que inumeros carcinomas epidermoides primarios dos labios, boca, faringe, laringe, olhos e ouvidos, podem ser completamente erradicados sómente pela radiação. Muito embora as reações produzidas, durante o tempo do tratamento, sejam temporariamente severas, os resultados cosmeticos finais justificam seu emprego. As metastases cervicais serão melhor tratadas por um metodo cirurgico judiciosamente escolhido ou por meio de uma tecnica de radiação indicada para cada caso.

HOWARD L. STITT (Cincinati) - Larocaína como anestesico local para o nariz, garganta e cirurgia endobronquial - Pag. 474.

A aplicação clinica, como anestesico de superficie, em varias centenas de casos, provou que a larocaína atúa tão bem quanto a cocaína, sendo que a duração da anestesía é maior. A toxidez e outros efeitos anexos, nunca foram observados. O A. acha que a larocaína é capaz de susbstituir a cocaína, como anestesico de routina, usado no nariz, garganta, traquéa e bronquios. Sua experiencia com a droga, confirma as observações de outros clinicos, especialmente Vock, que recomenda a larocaína como o melhor anestesico na broncoscopía.

JOHN H. FOSTER (Houston) - Enxerto autoplastico de nervo na paralisia facial - Pag. 521.

O A. pratíca o metodo de Ballance e Duel aos quais tece os maiores encômios com a modificação de que ao envez de usar um pedaço de nervo preparado, anteriormente, para o enxerto, utiliza-se da aplicação imediata de um segmento de nervo femuro-cutaneo. Esta modificação, porem o proprio A. o diz, já tivera sido feita, sem seu conhecimento, anteriormente por Duel, que se refere a suas vantagens, no sentido de diminuir, de metade para um terço, o tempo necessario para a regeneração dos movimentos produzidos pela paralisia.

HAROLD LESLIE KEARNEY (New Orleans) - Casas pouco comuns de estenoses cicatriciais do esôfago - Pag. 527.

O A. apresenta, em sua comunicação, os seguintes casos de estenoses do esofago:

1 ) - O de um menino que engulira acido sulfurico e que deu causa a uma traqueotomia por dispnéa, produzida por obstrução do laringe, uma gastrostomia para alimentação e a uma sondagem retrograda do esôfago por estenose do mesmo.

2) - O de uma estenose do esôfago resultante de escarlatina.

3) -O de um caso de carcinoma desenvolvido no lugar da estenose cicatricial do esôfago, 41 anos depois de o paciente ter engulido soda.

4) - O de um caso de estenose do esôfago, de 5 anos de duração, apresentando sintomas inusuais.

J. H. HULKA (Long Island - City) - O estado atual da audimetria - Pag. 544.

O A. depois de amplo "mise au point" da questão, estudando os metodos de exames e os resultados deles decorrentes, conclue dizendo que: não póde afirmar que o uso do audiometro aumente o numero dos diagnosticos em geral, mas que, no entanto, ele aumenta o numero dos diagnostico corretos, baseados em fátos definitivos, nos aproximando da descoberta da verdade cientifica".

M. O. R.

ACTA OTO-LARYNGOLOGICA
Vol. 22 - Fasc. 3 - 1935 (Stockolmo)

H. M. DE BURLET (Groningen) - Anatomia comparada das terminações nervosas endolinfaticas e perilinfaticas do labirinto - Pág. 287.

O A. procurou dar um golpe de vista sobre o conjunto das terminações labirinticas, cujas funções estariam ligadas ás das partes visinhas do territorio peri-linfatico. A existencia destas terminações, no que concerne a suas relações de vizinhança, é facilmente demonstravel pelos anatomistas. Com isto não fica estipulado o papel das terminações perilinfaticas na vida de seus portadores. Parcialmente esta questão é de resposta facil; nos mamiferos e passaros, não existem duvidas sobre a função do orgão de Corti. Baseados em fatos anatomicos, parece não haver duvidas de que o crocodilo deve contar com bôa audição. Nas tartarugas e cobras, a anatomia fica em cheque, pois que nestes animais existem, entre o espaço perilinfatico e o ouvido médio, relações particulares que desconhecemos e cuja significação fisiologica, não póde ser interpretada pelos preparados. Nos anfibios, as relações entre os espaços peri-linfaticos e a capsula cerebral, aparecem mais em destaque; o morfologo poderá sómente supór que estas relações não devem deixar de serem tomadas em consideração, quando do exame de suas funções. Além disto deduz o A., de seus estudos, que a natureza, por caminhos completamente diversos, póde prover a condução das excitações ás terminações nervosas do labirinto, por meio dos espaços peri-linfaticos; ainda mais, que uma terminação nervosa possa ser influenciada sómente pela via endolinfatica, em uma classe de animais, ao passo que em outra o possa ser pela via peri-linfatica.

Diz o A. que as relações descritas da macula sacculi nos Ostarifitos, da macula utriculi nos Clupeidos, permitem estas afirmativas. Nas classes dos vertebrados restantes, anfibios, mamiferos, acontece o mesmo, só terminações peri-linfaticos são observadas. Ao contrario, o A. pensa poder dizer, nestas circunstancias que as três maculas, as três cristas, a eventual papila neglecta nunca funccionam, nesta especie de animaes, por intermedio dos espaços peri-linfaticos.

C. E. BENJAMINS (Groningen) - Função do saculo - Pag. 338.

Não existe nenhuma função estatica no saculo, com uma só exceção: a da rotação circular. Para os peixes, foi observada uma função auditiva do saculo. Para os animais de serie elevada, pode-se atribuir a este orgão, Tambem uma função auditiva que deve estar ligada á audição dos sons grosseiros. Para os homens não pôde acontecer de outro modo: a capacidade de diferenciação fina dos sons deve ser atribuida a cóclea; ao contrario, a recepção das combinações sonoras confusas, tais como os ruídos, deve ser atribuida ao saculo. Neste ponto, voltamos a 80 anos atraz, mas desta vez apoiados em argumentos baseados em fátos. Devemos, então, aceitar uma linha divisoria entre a Pars superior e a Pars inferior do labirinto. A' primeira é atinente á função do equilibrio, na ultima estará situado o orgão do ouvido. Ultimamente, o fisiologista Tait, chegou a conclusão, baseado em outros fundamentos, de que o saculo possue uma função acustica. Ele supõe que a cóclea serve para a percepção das ondas sonoras vindas do exterior, ao passo que o saculo perceberia os sons produzidos no interior do craneo, tais como os de nossa propria voz. As pessoas que, por qualquer causa, tivessem os saculos destruidos, não ouviriam suas proprias vózes. Aschroft e Hallpike, ainda ha pouco tempo, utilisando de uma tecnica propria, conseguiram registrar as ondas sonoras, até 500 Hertz, no nervo sacular. Tambem dirétamente disseram estes autores que o saculo na rã é sensivel ás oscilações acusticas.

EELCO HUIZINGA (Groningen) - Sobre as reações sonoras de Tullio. Pag. 359.

As experimentações sobre o pombo, descritas por Tullio, podem ser completamente confirmadas. Tullio praticou abertura, no labirinto osseo, depois do que, por uma excitação acustica, apareceram movimentos caracteristicos da cabeça. Quanto aos canais semi-circulares, só se póde com certeza, afirmar que o estimulo acustico excita sómente a crista em experiencia. Para os canais horizontais, apresenta-se uma semelhança notavel com a reação de rotação. Nestas experiencias pode-se fazer entrar os movimentos da cabeça, ou melhor, se póde fazê-los reagir uns nobre os outros. De acordo com Tullio, poude-se constatar que, após a extirpação da cóclea, as reações continuam presentes, deixando de assim ser quando se obturar o conduto auditivo externo. Contra a teoria de Tullio, que diz que a abertura de um canal aumenta a reflectividade da cabeça, póde-se fazer objeções. A presença só de uma abertura que, como a segunda janela da cóclea, oferece aqui ocasião ao movimento do liquido labiríntico, de encontrar uma saída, seria a causa destes fenomenos. Quando se fecha o orifício, a reação não se produz mais. Não se póde observar nenhuma influencia da direção dos nona sobre o fenomeno em questão, e, então, provavelmente o nome reflexo de orientação do som não esteja bem escolhido.

M. O. R.

ACHIV FÜR OHREN-NASEN UND KEHLKOPFHEILKUNDE
Vol. 139 - Fasciculo 3 - 1935 (Berlim)

RUDOLF PANSE (Dresden) - Tratamento das molestias do ouvido interno - Pag. 244.

O A. depois de dizer que os diagnosticos dos otologistas, não passam, hoje, da determinação de uma surdez de condução ou de percepção, não sabendo onde estará situada a séde da molestia, desde que ela qe asséste para dentro das janelas do vestibulo, até o cerebro.

Depois de varias considerações, aconselha o emprego das massagens dos ouvidos que, em suas mãos, por 12 vezes sucessivas, não deixou de dar bons resultados.

M. ELIASSON (Leningrad) - Sobre as funções do centro auditivo cortical. Resultados dos exames feitos pelo metodo de Pawlow - Pag. 246.

Numerosos autores, nos laboratorios de Pawlow, contestaram as conclusões de Munk, sobre a existencia de circunvoluções especiais no territorio da audição, para as percepções de determinados sons altos. Quando mesmo pequenos restos da cortical, do centro auditivo, sejam conservados, permanece imperturbada a capacidade de analise dos sons de diferentes alturas. Uma diferenciação de determinada zona do centro auditivo, para analise de um complexo sonóro, considera Pawlow como possivel (experiencia pela qual na extirpação parcial do centro auditivo, o som perderá sua ação como parte componente do acórde, muito embora persista, isoladamente, como elemento excitador).

Baseado em numerosos experimentos, Pawlow chegou a conclusão de que "na cortex, talvez nos hemiferios, existam dispersos elementos analisadores dos sons, que possuam unicamente a capacidade de fazerem uma sintese elementar e analise" das excitações sonóras. Para Pawlow o centro de analise do sons, está colocado entre os centros restantes de analise "muito além do territorio até agora atribuido a esta localisação".

DR. C. R. GRIEBEL (Frankfurt a. M.) - Sobre a determinação da cortes centração dos ions de hidrogenio nos tecidos, particularmente nas amigdalas. (Considerações fisio-químicas sobre a autolilise) - Pag. 275.

O A. resume os resultados obtidos pela medida dos ions nas amígdalas e conclue do seguinte modo: "as reações atuais das amigdalas, tanto intravitais quanto ás que se seguem logo após ás intervenções cirurgicas, dão, nas amigdalites cronicas e nas hiperplasias simples, pequeno quociente de alcalinidade, entre ph 7,20 - 7,45. Nas amigdalites complicadas, em seguida a uma angina, foram encontrados valôres de acidez, 6,90-7,05 e estes valôres em acido eram tanto maiores, quanto mais novo o processo inflamatorio. Abcessos amigdalianos dão, pelo seu caráter, quocientes acidos até 6,35. Ao contrario apresenta-se a medida nas anginas PlautVincent: muito embora existia, aqui, tambem, um processo inflamatorio, encontra-se sempre um valôr alcalino além, 7,85., resultados que se enquadram nos quocientes produzidos pelas inflamações e que são esclarerecidos pela presença de uma mistura de bicarbonato de sodio.

A especie da intervenção cirurgica praticada sobre as amigdalas, nada influe na reação ionica, no entanto existe determinada relação entre o ph e o tempo em que fôr tomada a medida, sendo a acidez maior quanto mais tarde a medida fôr feita. Tambem terá grande influencia a medida tomada, logo após a operação, ou na superficie ou no interior dos tecidos, pois que quando profunda, será encontrada medida normal do ions, ao passo que na superficie uma acidez já poderá ter lugar.

DR. P. J. MINK (Utrecht) - O ganglio ótico - Pag. 283.

Mink estuda minuciosamente a anatomia e a fisiologia do ganglio ótico (ganglio de Arnold) e suas relações com o aparelho auditivo, através da motilidade da musculatura da trompa e dos musculos da caixa do tímpano, sobretudo do musculo tensor timpanico. Estuda, tambem, a cooparticipação deste ganglio na inervação do aparelho mastigador, através do musculo pterigoideo interno, que o A. pensa servir para a manutenção do tonus de fechamento da boca. A excitação deste tonus se produz pela ação da corrente aérea fria, através do nariz, sobre as terminações nervosas do trigemeo e seria transportada, posteriormente, ao ganglio de Arnold produzindo, por sua vez, uma ação tonica sobre o musculo em questão, e mantendo, desta fôrma, a boca fechada, quando da bôa respiração nasal. Existiria, assim, um verdadeiro centro autonomo motor para o orgão auditivo.

Este artigo convem ser lido e meditado.

M. O. R.

ZEITSCHRIFT FÜR HALS-NASEN UND OHRENHEILKUNDE
Vol. 37 - Fascículos 1 e 2 - 1935 (Berlim)

PROF. DR. OTTO MAYER (Viena) - Sobre o conhecimento das perturbações patologicas na lues congenita tardia - Pag. 2.

A lues congenita tardia do aparelho auditivo, assésta-se, de principio, no sistema osseo. Ela aí aparece como osteomielite gomosa, periostite gomosa e como periostite produtiva. Estas perturbações são, pelo menos, tão características no estadio florido que se pófrde, só por elas, conhecer o processo luetico, pois que nenhuma outra molestia produz semelhante perturbações. Em consequencia das intimas relações entre os ossos e as cavidades por eles formados, os orgãos nestas contidos cooparticipam do sofrimento.

A molestia tem um decurso lento e em surtos. Póde curar-se num lugar e reacender nele com lesões frescas. Póde ocasionar lesões em não importa que lugar, deixando outros livres delas. Daí a "disharmonia" dos sintomas clinicos, especialmente no que se refere ás provas funcionais do labirinto.

No ponto de vista patologico, e de importancia para a clinica são de notar-se as perturbações seguintes:

1) - No ouvido interno encontram-se gomas miliares na cóclea e no vestibulo e uma inflamação serosa proveniente delas. Isto conduz á formação de pequena quantidade de tecido conjuntivo nas rampas, a ectasía do ductus coclearis e termina em grave atrofia e retração das membranas e epitelios.

2) - Para os canais semi-circulares, ao contrario, é caracteristica a inflamação produtiva, que se desenvolve nas camadas osseas, ocasionando a neoformação de tecido conjuntivo e osseo, que poduzirá o estreitamento consecutivo de seus lumes, deixando, porém, livre por muito tempo, o espaço endolinfatico e não perturbando a circulação da endolinfa.

3) - O aparelho nervoso póde, do entanto, ser lesado por gomas miliares, que são encontradas no ganglio espiral e nas cristas ampulares, pela infiltração gomosa dos canais nervosos do VIIIº par, particularmente ao nivel da fovea superior.

4) - Na capsula labirintica produz-se, em consequencia de uma osteomielite e osteite, grande destruição ossea, deiscencia das paredes do labirinto e fraturas.

5) - No cavum timpanico a osteomielite e a periostite conduz a anquilóse dos ossiculos e a formação de osteofitos no nicho das janelas. Na faixa anular do estribo, produz-se um amolecimento, devido a infiltração gomosa.

DR. O. MUCK (Essen) - Sobre um nistagmo de origem vasomotora e sua diferenciação do nistagmo labirintico - Pag. 49.

Em 20 a 30% das pessôas examinadas, póde-se produzir um nistagmo, pela excitação dos feixes nervosos da arteria radial (nervo simpatico), que tem sua explicação na distribuição comum dos feixes simpaticos do ganglio estrelado, não sómente á arteria cerebelar posterior e seus ramos (territorio do nucleo de Deiters), como tambem ás arterias do braço. Nas pessôas portadoras de um nistagmo duradouro, foram praticadas experiencias repetidas, que revelaram a diminuição ou desaparecimento momentaneo deste nistagmo, após excitações mecanicas, electricas ou termicas, da arteria radial. Este fáto conduz a suposição da existencia de um nistagmo central, retrolabirintico, causado por uma perturbação angioneurotica. 0 meio de se conhecer uma peturbação angioneurotica no territorio do nucleo de Deiters, é fornecido por este metodo de exame. O cloretila é o meio que, melhor utilidade pratica fornece a este processo de exame.

DR. EELCO HUIZINGA (Groningen) - Sobre a bronquiografía - Pag. 87.

A grande significação clinica da bronquiografia, foi demonstrada, claramente, pelo enuciado de 10 casos em que os exames pelos meios de contraste, determinaram algumas particularidades. Trata-se frequentemente de determinação de um estenose; foram descritos dois casos de estenoses, um causado por um carcinoma dos bronquios e outro produzido por granulações tuberculosas. Na maioria dos casos, o contraste foi empregado para o diagnostico de uma dilatação de parte das vias aéreas ou de uma cavidade nos pulmões. As bronquiectasias foram estudadas e a broncografía é, nelas, de suma importancia.

O metodo é, tambem, de valôr no conhecimento da anatomia de toda a arvore bronquica, que poderá apresentar-se diversa da normal em certas regiões, assim como poderá mostrar uma outra divisão dos lobos pulmonares, no torax. Sobre estes fatos, o A. apresenta alguns exemplos, assim como faz resaltar o valôr da broncografía, na melhor visão que poderá fornecer do processo patologico. Tambem um caso de cisto equinococus, foi facilmente diagnosticado.

M. O. R.

MONATSSCHRIFT FOR OHRENHEILKUNDE UND LARYNGORHINOLOGIE.
Vol. 69 - Janeiro de 1935 (Viena)

JAMPOLSKY. - Sobre as relações morfologicas entre o espaço sub-aracnoidal e o labirinto. - Pag. 23.


1 ) O espaço subaracnoidal acha-se em comunicação com o labirinto através dois caminhos: aqueduto e via peri-neural. 2) Das cavidades labirinticas, apenas a perilinfatica acha-se ligada ao espaço subaracnoidal, através do aqueduto da cóclea. 3) A circulação da perilinfa é extraordinariamente lenta. 4) A origem da perilinfa póde achar-se ligada á introdução do liquido de fóra no labirinto. 5) O espaço perilinfatico não está ligado á cavidade craneana apenas pelo aqueduto, mas também por um sistema de fendas linfaticas aos órgãos visinhos. 6) O espaço perilinfatico do labirinto deve ser considerado como um sistema de cavidades acessorias do espaço sub-aracnoidal, o qual preenche também a função de drenagem. 7) A introdução sub-aracnoidal de tinta, que sempre penetra no labirinto, produz neste apenas insignificante reação inflamatoria. 8) E possivel comprovar a existencia de formas de labirintite circunscrita, com a introdução repetida de tinta no espaço subaracnoidal, que provoca uma forma localizada de labirintite fibrinosa supurada. 9) A tinta dializada é um ótimo material de injeção, embora possúa qualidades irritativas.

KARL BERNFELD. - Sobre alguns fenomenos sudorais na oto-rinologia. - Pag. 35.

O A. apresenta 2 casos, em um, havia hiperhidróse homolateral, em seguida a otomastoidite e que deve ser considerada como fenomeno reflexo central; no segundo, tratava-se de hiperhidróse alérgica, na rinite vasomotora.

A extraordinaria raridade dos casos descritos, bem como a indubitavel relação dos fenomenos sudorais com as doenças no territorio oto-rinologico, justifica a publicação dessas observações.

A. PUTSCHAWSKY. - Sobre o tratamento do escleroma das vias aéreas superiores. - Pag. 49.

No escleroma atrófico, a vacino-terapia deve ser considerado como o tratamento apropriado e localmente o emprego de qualquer remedio, que promova a vitalidade da mucosa nasal, bem como faculte a resistencia contra os agentes externos, entre outros contra os bacilos de Frisch.

A vacinoterapia póde ser usada, isolada ou combinada com a quimoterapia e roentgenterapia nos casos hipertroficos e com tecido de granulação; ao contrario, nada se póde esperar, com esse tratamento, no estadio de bolas hialinas, no qual parece mais acertado o uso do processo cirurgico.

Nos casos com extraordinaria formação de tecido fibroso, não se observa, senão raramente, resultado terapeutico; por isso, recorre-se ao tratamento cirurgico e ás irradiações. Não se deve retardar o tratamento cirurgico, principalmente nos escleromas subgloticos, nos quais se observem sinais de estenose e perturbações da respiração.

Além do tratamento do escleroma, é necessario atender ao estado geral do doente. Seguida estas indicações, é possivel obter algum resultado com o tratamento do, escleroma.

J. ALFOELDY - Doenças da pele entretidas por focos de infecção rinolaringologicos. - Pag. 55.

Os resultados rino-laringologicos sobre 300 casos de doenças da tes se mque os incômodos e a rinoscopia chamassem a atenção para lesões tes sem que os incômodos e a rinoscopia chamassem a atenção para lesões dos antros. Quando é encontrado o fóco, a doença da pele sára, via de regra, após tratamento. E necessario também examinar os ouvidos, quando não é encontrado um fóco nasal. Sendo os fócos quasi sempre multiplos, com a remoção de um só não se dará a cura.

ABRAMOWICZ E WASOWSKI. - Permeabilidade das vias lacrimais e modificações no nariz. - Pag. 60.

Dadas as intimas relações entre o nariz e as vias lacrimais, é facil compreender que muitas vezes a obliteração dessas vias, é ocasionada por alterações nas fossas nasais. Para indagar da permeabilidade das vias lacrimais, usa o A. a seringa de Anel, que é dotada de um registador de pressão.

Em 93 casos em que o A. encontrou impermeabilidade das vias lacrimais, 80 apresentavam modificações patologicas para o lado do nariz.

A. RE'THI. - Tonsilectomia a laço. - Pag. 65.

Desde 3 anos usa o A., com ótimos resultados, um aparelho que nada mais é que a combinação do Sluder com o laço de Bruennings.

Após apreensão da amigdala pelo Sluder, entra em ação o laço, que completa a operação, sem traumatizar os tecidos visinhos e com enorme rapidez.

Consegue assim o A. rapidez, segurança, sem traumatizar a camada muscular adjacente.

E. KNAPP. - Cisto epitelial da corda vocal. - Pag. 87.

Uma pequena formação da corda vocal foi diagnosticada como polipo mucoso, tendo dado o exame histo-patologico o seguinte resultado: Cavidade preenchida por tecido córneo esquirroso, com septos plano-epiteliais. Etiologicamente houve dúvida sobre a natureza traumatica ou congênita do tumor.

LIEBERMANN - Um caso de perturbação da respiração e da voz tratado pela cirurgia e pela foniatría. - Pag. 93.

Mulher com 53 anos queixa-se de que desde cêrca de 20 anos, sofre de catarro da laringe, rebelde ao tratamento pelo nitrato de prata. Ha 7 anos começou a sentir dispnéa, que, aumentando de intensidade, obrigou a paciente a consultar o A. O exame denunciou formação poliposa da laringe. Sob anestesia local, foram retiradas as massas poliposas, que se apresentavam em 3 andares simetricamente: falsas cordas, cordas verdadeiras e sub-glote. A respiração tornou-se livre e facil. Não obstante era impossivel a emissão, embora fosse observada uma cura de silencio de 3 semanas. As cordas vocais não se tocavam durante a fonação. A doente achava-se completamente afônica.

Pensa o A. que durante anos se fez por intermedio dos constrictores, isto é, das falsas cordas. O tratamento foniatrico devia exercitar a musculatura inativa da laringe. Após exercicios pacientes, a voz voltou, tendo durado o tratamento cêrca de 6 meses.

J. FREER E L. FOLTA - Sobre as possibilidades de cura das queimaduras graves do esôfago. - Pag. 96.

A destruição do esôfago por queimaduras, provoca estenoses tão graves, que exigem o emprego de meios radicais.

Insurge-se contra a idéa corrente, de que a cicatriz é acompanhada de retração dos tecidos visinhos. Pensa que seu destino é a reabsorção, até completo desaparecimento, ou então prolifera-se, hipertrofia-se, chegando ao queloide. Este estado é alcançado com as irritações do esôfago, como decomposição de restos alimentares, e dilatações.

A norma seguida pelos autores é a seguinte: após queimadura começar o tratamento precocemente; se o esôfago não voltar á sua permeabilidade normal, 2 meses após a queimadura, é necessario: a) cessar a dilatação, b) praticar a gastrostomia o mais cedo possivel. c) alimentar o doente esclusivamente por meio de tubo de borracha.

DR. ROBERTO OLIVA

Imprimir:

BJORL

 

 

 

 

Voltar Voltar      Topo Topo

 

GN1
All rights reserved - 1933 / 2018 © - Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico Facial