Versão Inglês

Ano:  1977  Vol. 43   Ed. 2  - Maio - Agosto - (10º)

Seção: Artigos Originais

Páginas: 165 a 167

 

TÉCNICA PARA RECONSTITUIÇÃO DA FOSSA NARINSÍRIA COM ENXERTO COMPOSTO DE PELE E CARTILAGEM DA ORELHA

Autor(es): * Dr. Jorge Ishida
** Prof. Aroldo Miriti
*** Prof. Lamartine Junqueira

Resumo:
Utilizamos enxerto composto de pele e cartilagem de concha do pavilhão auricular para correção de bridas ou sinéquias de fossa narinária, em dois casos, com resultados estéticos e funcionais satisfatórios.

A grande dificuldade para a reconstrução de fossa narinária deve-se à, anatomia especial da asa do nariz, que é de estrutura delicada, recoberta por pele em ambas as faces, tendo como esqueleto a cartilagem alar disposta em uma posição-adequada para manter a forma e dar a resistência necessária.

O enxerto de pele, como preconizam Converse, Kazanjian Er Converse, não consegue reproduzir a forma côncava da fossa e a retração, a que o mesmo está sujeito, torna esta cavidade insuficiente. O retalho, outro meio comumente utilizado, não sofre retração, mas, além de ser espesso, diminuindo o espaço da cavidade, apresenta o problema da área doadora. É difícil conseguir-se retalho de vizinhança suficiente que, ao ser rodado para a região, não deixe cicatriz como seqüela.

O enxerto composto de pele e cartilagem tem dado bons resultados na reparação de várias deformidades nasais (Koenin, Brown, McLaughlin, Mead, Symonds Ia Crikelair). A aplicação do enxerto composto em reparações de deformidades nasais reproduz a cavidade narinária, evita a retração e mantém a forma.

TÉCNICA

Liberta-se, completamente, a asa do nariz com uma incisão que acompanha a base de implantação (fig.1). Por esta via, desfaz-se as aderências e resseca-se todo o tecidofibroso. A mucosa normal á aproveitada para recobrir parte do vestíbulo. A área cruenta resultante é recoberta com um enxerto composto de pele e cartilagem obtido da concha do pavilhão auricular. Este enxerto, que no seu conjunto apresenta uma forma côncava, adapta-se e reproduz fielmente a forma do vestíbulo nasal.



O enxerto é suturado no leito receptor com fio monofilamentar 6-0, pela técnica de Masson, e mantido por um pequeno tampão por dois dias.



CASUISTICA

Foram operados dois casos, segundo a técnica acima descrita: Caso 1)

Paciente de 43 anos que apresentava, desde a infância, seqüela de Leishmaniose, com obstrução (foto) parcial da fossa narinária E. Foi utilizado um enxerto de forma elíptica de 1,2 x 1,4 cm. Houve boa integração, a forma côncava manteve-se inalterada reproduzindo, perfeitamente, a parte lesada do vestíbulo.

Caso 21

Paciente de 13 anos, com sinéquia no vestíbulo nasal É, como seqüela de infecção a este nível. Apresentava, além de alteração estética, obstrução ventilatória acentuada. Após liberação e ressecção do tecido fibroso, obtivemos uma área cruenta de 1,4 x 1 cm. 0 enxerto utilizado apresentou integração total e a forma manteve-se inalterada. A melhora estética e funcional foi considerável.

COMENTÁRIOS

Conseguimos reparação adequada da estenose do vestíbulo nasal com a utilização do enxerto composto de pele e cartilagem da concha auricular. Apesar de a dimensão do enxerto ter sido relativamente grande, não houve problema de integração. A cartilagem conseguiu manter a forma côncava da região, o que não teria ocorrido se houvéssemos usado enxerto simples de pele.

BIBLIOGRAFIA

1. Brown, J.S.; Cannon, B.; Lischer, G.E.; Davis, W.B.; Moore, A. & Munay, J. - Further reports on the composite free grafts of skin and cartilage from ear. Plast. reconstr. Surg. 1: 134134, 1946.
2. Kazanjian, V.H. & Converse, J.M. - The surgical treatment of facial injuries. 2 ed. Baltimore, Williams 8 Wilkins, 1959.
3. Koenig, F. - Zur Deckung von Defecten der Nasenflugel. Beriin Kíín. Wochsehr. 39: 137-138, 1902.
4. Masson, J.K. - A simple island flap for reconstruction of conchahelix defects. Brit. J. Plast. Surg. 25: 399-403, 1972.
5. McLaughlin, C.R. - Composite ear graft and their blood supply. Brith. J. Plast. Surg. 7: 274278, 1954.
6. Mead, R.J. - Composite ear graft for reconstruction of the columels. Plast. reconstr. Surg. 23: 134-147, 1959
7. Symonds, F.C. & Crikelair, G.E. - Auricular composite graft in nasal reconstruction. A report of 36 cases. Plast. reconstr. Surg. 37: 433-437, 1966.




Endereço dos Autores:
Dep. de Oftalmo - O.R.L. do
Hospital das Clinicas -
Univ. de S. Pauto -
São Paulo/SP.

* Assistente Doutor do Depto. de Oftalmologia e Otorrinolaringologia do Hospital das Clinicas da Fac. de Medicina de Univ. de São Paulo.
** Professor Adjunto
*** Professor Titular.

Imprimir:

BJORL

 

 

 

 

Voltar Voltar      Topo Topo

 

GN1
All rights reserved - 1933 / 2021 © - Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico Facial