Versão Inglês

Ano:  1978  Vol. 44   Ed. 1  - Janeiro - Abril - ()

Seção: Artigos Originais

Páginas: 06 a 12

 

TRATAMENTO MÉDICO OU CIRÚRGICO NAS PARALISIAS FACIAIS PERIFÉRICAS. Estudo Comparativo dos Resultados finais por um método pessoal de avaliação

Autor(es): Dr. Jan Pietruski *

O problema da avaliação do grau da paralisia facial e da comparação dos resultados finais do tratamento médico ou cirúrgico ainda não está solucionado. A descompressão do nervo facial é um método, um procedimento, geralmente aceito em todo o mundo para os casos indicados porque proporciona a simetria da face em repouso, mas sobretudo o que assinala o sucesso operatório é a recuperação da mímica emocional.

Há a impressão de que nos casos pós-traumáticos a descompressão do nervo facial e eventualmente um enxerto é o procedimento de escolha. Porém, no que concerne à Paralisia de Bell e também nos casos pós-traumáticos ditos secundários, o problema está longe de ser resolvido. Com efeito, a avaliação da mobilidade voluntária e os resultados do tratamento podem ser feitos por diversos testes clínicos. Infelizmente esses testes variam de um cirurgião para outro.

Há muitos métodos de avaliação propostos por: Botman e Jongkees (1955), Kettel (1961), Korkis (1962), Giancarloe Matucci (1970), May (1970) e mais recentemente Yanaglhara (1976). Esses são métodos de comparação difícil, talvez impossível. Além do mais comportam grande componente subjetivo. Portanto, uma estandartizaçáo das provas clínicas e elétricas é desejável. Só isso poderá permitir interpretação devidamente válida das estatísticas operatórias. E aqui fica uma sugestão pessoal:

O fundamento desse exame consiste em observar:

1. A mímica voluntária e emocional;

2. O tono muscular;

3. As sincinesias (movimentos associados).

1. No que respeita à mímica emocional, para interpretar o mais objetivamente possível os movimentos faciais, observamos separadamente e sucessivamente cada um dos 8 movimentos mímicos, que são aliás bem conhecidos, atribuindo a cada um uma nota relativa à sua motricidade, da maneira como se faz em cinesiterapia. Os movimentos são os seguintes; (Fig.s de 1 a 8)

- o franzir da testa, fig. 1;
- a contração das sobrancelhas, fig. 2;
- o fechar dos olhos, fig. 3;
- a careta de repulsa, flg. 4 - o sorrir, fig. 5;
- o assoviar, fig. 6;
- o mostrar os dentes, fig. 7;
- a contração do pescoço, fig. 8.

A cada movimento atribui-se as seguintes notas:

3 pontos - se a contratura voluntária é completa e tem força normal;
2 pontos - se a contratura é ampla, mas com dificuldade e sem força;
1 ponto - se a contratura é mínima;
0 ponto - se não há contratura.

2. Uma vez examinada a mímica emocional, verifica-se o tono, que apreciaremos nas três referências seguintes:
- o sinal de Bell
- o sulco naso-geniano.
- o canto da boca.



Figura 1



Figura 2



Figura 3



Figura 4



Figura 5




Figura 6



Figura 7



Figura 8



Ao sinal de Bell atribuímos as notas seguintes:

2 pontos - nenhum sinal de Bell;
1 ponto - sinal de Bell discreto;
0 ponto - sinal de Bell total.

Fig. 9 - Quadro da evolução da paralisia facial

Mo. doente, natureza da paralisia, lado, Inicio exames sucessivos, datas.


O sulco naso-geniano:
1 ponto - normal;
0 ponto - liso


O canto da boca:
1 ponto - normal, horizontal
0 ponto - abaixado.

3. As sincinesias (movimentos associados) entre os olhos e a boca e entre a boca e os olhos, quanto ao fechamento máximo dos olhos e o sorriso, apreciamos da forma abaixo:

2 pontos - se não há sincinesias;
1 ponto - se há sincinesias discretas;
0 ponto - se há intensas sincinesias.

Assim, o indivíduo normal teria 30 pontos ou 100% e o paralisado, menos, segundo o grau da mobilidade da face.

Os resultados de cada exame, feitos a intervalos de dias, são registrados como um esquema onde se deixa espaços livres para os diversos exames. A direita há uma explicação que facilita os exames e excluem os erros. Sob o esquema há um quadro de conversão em percentual, visando a simplificação e para evitar frações (Fig. 9).

Durante os últimos 20 anos tratamos no nosso Serviço de ORL da Academia de Medicina de Bialystok, na Polônia, mais de 400 casos de paralisias faciais periféricas. Desta cifra selecionamos 114 pessoas que se apresentaram para controle no mínimo até 8 meses após o final do tratamento. A nosso ver a demora de 8 meses é suficientemente longa para se estar seguro de que a evolução esta definitivamente terminada.

Nos nossos doentes as paralisias a frigore ocupam o primeiro lugar com 85 casos e as paralisias pós-traumáticas o segundo com 29 casos (Fig. 10).



Fig. 10



No primeiro grupo, da paralisia de Bell, 21 foram descomprimidos; 64 tratados sem cirurgia segundo os métodos convencionais. No segundo grupo, pós-traumáticos, operamos 8, enquanto 21 receberam tratamento clinico.



Fig. 11



As indicações para o tratamento, médico ou cirúrgico, eram baseadas em métodos modernos quantitativos, tais como: EMG, eletrogustornetria, teste de excitabilidade nervosa (nerve excitability test), test salivar do Blatt - Magielski - (submandibulary salivary flow), reflexo naso-lacrimal e a mobilidade da face segundo o método descrito acima.

Na figura 12 v9-se os resultados finais da mobilidade da face expressa em percentual e cálculos estatísticos segundo a fórmula de "U" Whitney - Mann.



Fig. 12



Vê-se nos casos pós-traumáticos a descompressão do nervo facial assegura estatisticamente melhor mobilidade da face: 64 + 12% em relação aos casos tratados clinicamente 51 +_ 18% (p = 0.05).

Nos indivíduos com paralisia de Beü a diferença entre os grupos, em favor do tratamento cirúrgico, é ainda maior e os dados correspondentes foram: 76 ± 11%e60 t 12%(P<0.05).

Tais resultados pouco surpreendentes no que concerne à paralisia a frigore, confirmam que, nos casos selecionados, deve-se descomprimir o facial no seu trajeto infra-temporal.

Os resultados obtidos por ocasião desta pesquisa oferecem ao clínico uma informação valiosa. O método de avaliação dos movimentos voluntários da face proporciona a possibilidade de se saber qual é a dinâmica da doença e qual é a mobilidade da em face de cada dia, como também a cada fase da doença. Esses dados são sempre importantes, sobretudo têm valor a título de indenização.

BIBLIOGRAFIA

1.BOTMANN, I.W.M.; JONGKEES, J.B.W.: Results of intratemporal treatment of facial palsy, Pract. Otolaryngol., 1955, 17, 80.
2. GIANCARLO, R.H.; MATTUCCI, K.F.: Facial Palsy - facial nerve decompression. Arch. Otolaryng., 1970, 91, 30.
3. KETELL, K.: Management of peripheral facial palsies due to traumas. Pract. Otolarygol., 1961, 23,318.
4. KORSKIS, F.B.: Bell's palsy and early stellate block. J. Laryng. Otolog. 1962, 76, 665.
5. MAY, M.: Facial paralysis peripheral type: a proposed method of reporting. Laryngoscope., 1970, 80,331.
6. YANAGIHARA - III International Symposium of facial nerve, Zürich, 1976.




Endereço do autor:
15.888-Bialystok
UI. Mistrzów Plonów 4 m 17
Pologne.

* Clínica de ORL, Academia de Medicina; Bialystok, Polônia. Tradução feita pelo Dr. Roberto Martinho da Rocha, Rio de Janeiro

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