Versão Inglês

Ano:  1986  Vol. 52   Ed. 4  - Outubro - Novembro - ()

Seção: Artigos Originais

Páginas: 10 a 18

 

FICHA PADRÃO PARA ESTUDO DA PARALISIA FACIAL COM EMPREGO DIRETO EM MICROCOMPUTADOR

Autor(es): AROLDO MINITI 1
RICARDO FERREIRA BENTO 2

Resumo:
Os autores apresentam uma ficha padrão para o atendimento de pacientes em serviço universitário, com aplicação direta em microcomputador sistema Apple ou similar, utilizando um sistema de processamento de arquivo simples e que pode ser manipulado por uma datilógrafa comum para alimentar dados. Os dados foram compilados a partir do estudo de 987 pacientes atendidos de 1980 a 1985 no Grupo de Paralisia Facial do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, e os critérios de avaliação clínica foram utilizados a partir de uma convenção internacional do V Simpósio de Nervo Facial, realizado em Bordeaux, França, em 1984. A facilidade encontrada em seu preenchimento por qualquer médico ou residente estagiando no Grupo e a necessidade de se ter uma mesma linguagem nos dados de história, exame físico, diagnóstico e tratamento, tornam de extrema utilidade científica este método de processamento de dados.

Introdução

Com o avanço em progressão geométrica da Informática na atualidade, a Medicina tem em suas mãos a resolução de um grande problema que no passado atrasava sobremaneira a realização de investigações científicas, que é o armazenamento e a compilação de dados clínicos para futuros estudos e levantamentos.

Muitas são as aplicações da Informática em nossa área, desde programas de resoluções clínicas e laboratoriais para diagnósticos prováveis tipo "diagrama" até monitorização automática de pacientes em exames ou internações, passando obviamente pela mais simples e eficaz aplicação, que são os bancos de dados.

Desde o dia em que o espaço físico para armazenamento de prontuários tornou-se problema e o levantamento rápido destes dados tornou-se impossível, o computador trouxe a grande saída que possibilita o ganho de várias horas em cruzamento de dados para investigações científicas, diminuindo o custo operacional e o desgaste da procura manual destes dados.

Com o intuito de apresentar uma experiência em banco de dados e uma padronização de compilação destes em paralisia facial, apresentamos uma ficha padrão para estudo em microcomputador da paralisia facial periférica.

O grande desafio para se fazer uma ficha padrão para Informática - especialmente em serviço hospitalar, onde vários especialistas têm acesso a estes dados, para preenchimento e atualização - é sem dúvida a criação de uma linguagem comum a todos. Se esta linguagem comum já é difícil entre colegas da mesma especialidade, o que dizer então em patologias multidisciplinares - como é o caso das paralisias
faciais, com as quais o otorrinolaringologista, o neurologista, o neurocirurgião, o cirurgião plástico, o clínico geral, o fisiatra, entre outros, têm contato e usam cada um a sua própria linguagem.

Portanto, é necessário a criação de uma linguagem comum, pois o computador tem que "ler" os mesmos termos para organizá-los juntos.

O Grupo Multidisciplinar de Paralisia Facial do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP funciona desde 1980. Neste período três fichas evoluíram, cada uma sofrendo modificações que permitissem um preenchimento rápido por qualquer colega - especialmente pelo residente novo, que está rodando no grupo.

Da compilação destas três fichas e dos dados delas obtidos - que foram os mais comuns encontrados na história, exame físico, exames subsidiários, diagnóstico, tratamento e evolução - chegamos a uma ficha padrão, que obviamente não é perfeita, mas que preencheu até agora as necessidades científicas de organização em paralisia facial. Nada melhor para ver seus defeitos do que trabalhar algum tempo com ela e eventualmente aperfeiçoá-la ainda mais.



Figura - Microcomputador instalado junto ao consuttórío facilitando a alimentação e a pesquisa de dados.



Materiais e métodos

Um microcomputador Unitron compatível com Apple 11 com 64 kbites de memória, com dois disk drives de 5 1/4", e uma impressora Grafix foram utilizados.

Com base nos dados recolhidos de 987 pacientes consecutivos atendidos de 1980 a 1985 no Grupo de Paralisia Facial do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, no que diz respeito a identificação, história, exame físico, exames subsidiários, diagnóstico, conduta e evolução, foram selecionados os dados que mais comumente apareceram na descrição do médico examinador.

Esta amostragem é de grande valor estatístico dentro do universo provável de paralisias faciais periféricas, que abrange praticamente todas as etiologias conhecidas de paralisia facial periférica.

Resultados

Os resultados foram divididos em grupos principais, numerados de 1 a 40, apresentados a seguir:


HOSPITAL DAS CLÍNICAS DA FACULDADE DE MEDICINA DA UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO - GRUPO DE PARALISIA FACIAL - FICHA PADRÃO PARA COMPUTADOR (Favor preencher com letra de forma)

EXAMINADOR:_________________________________ DATA: ano / mês / dia

1. Nome: Primeiro / Iniciais / último

2. Idade.
anos______________
meses____________(M)

3. Nacionalidade
Brasileira____________________(Br)
Outras (_________________________)

4. Raça
Branca______________(Br)
Negra______________(Ne)
Amarela______________(Am)
Mulato ou pardo______________(Pd)

5. Sexo
Masculino______________(M)
Feminino______________(F)

6. Profissão
Advogado______________(Adv)
Aposentado______________(Ap)
Comerciante______________(Com)
Estudante______________(Est)
Faxineiro______________(Fax)
Lavrador______________(Lav)
Menor______________(M)
Militar______________(Mil)
Motorista______________(Mot)
Prendas domésticas______________(PD)
Não trabalha______________(NT)
Outras (______________)

7. Registro hospital (____________________________)

8. Queixa principal
(P. facial____________________________)
(Espasmo____________________________)
(Paresia____________________________)

9. Lado
Direito ____________________________(D)
Esquerdo____________________________(E)

10. Tempo
Até um ano - em dias (______________)
Mais de um ano (______________a)
Desde o nascimento (______________ ao nascer)

li. Início
Súbito______________(S)
Tardio______________(T)
Progressivo______________(P)

12. Zumbido
Refere______________(S)
Nega______________(N)

13. Vertigem
Refere______________(S)
Nega______________(N)

14. Fator etiológico
Não há ou nega____________________________(N)
(Crise hipertensiva______________)
(Cirurgia neurológica______________)
(Desde o nascimento______________)
(Acidente - auto______________)
(Acidente - moto______________)
(Agressão por arma branca______________)
("Friagem"______________)
(Após cirurgia otológica______________)
(Após cirurgia neurológica______________)
(Ferimento por arma de fogo______________)
(Após galvanoterapia______________)(OMA)
Otite média aguda Otite média crônica______________)(OMC)
(P. facial______________)
(Queda acidental______________)
Outros (______________)

15. Sintomas Nega
(Dor hemiface____________________________(N)
(Dor retroauricular________________________)
(Lacrimejamento____________________________)
(Algiacusia____________________________)
(Nucalgia____________________________)
(Hipoacusia____________________________)
(Otalgia____________________________)
(Dor de dente____________________________)
(Vômitos____________________________)
(Cefaléia____________________________)
Sensação de (ouvido cheio -______________)
(Otorréia____________________________)
(Sialorréia____________________________)
(Adormecimento na hemiface______________)
(Febre____________________________)
(Otorragia_________________________)(IVAS)
Gripado____________________________)
Outros (____________________________)

16. Dados - (História)
Nega______________(N)
(Feridas______________local)
(Galvanoterapia______________n.º de aplicações)
(Coma______________tempo)
(Cirurgia______________tipo)
(P facial______________lado/tempo)
(Fratura______________local)
(Etilista_______________
(Rosto inchado (Gravidez_______________tempo)
(Hipertensão______________)
(Agenesia do CAE______________)
(Pavilhão malformado______________)
(Diabetes______________)
Após (Parto______________tempo)
Outros____________________________)

17. Antecedentes familiares
(Diabetes____________________________)
(Hipertensão____________________________)
(Lúpus____________________________)
(P. facial____________________________)
Outros (____________________________)

18. P/A____________________________mmHg)

19. Vesículas
Ausentes______________(A)
Presentes______________(P)

20. Língua plicata
Ausentes______________(A)
Presentes______________(P)

21. Otoscopia esquerda
Normal____________________________(N)
(Hemotímpano______________________)
(Perfuração de MT_________________)
(Cavidade radical_________________)
(Abaulamento do CAE ______________)
(Agenesia do CAE__________________)
(Feridas no CAE___________________)
(Secreção_________________________)
(Híperemía MT_____________________)
(Colesteatoma_____________________)
(Retração MT______________________)
Outras____________________________)

22. Otoscopia direita
Normal____________________________(N)
(Hemotímpano______________________)
(Perfuração de MT_________________)
(Cavidade radical_________________)
(Abaulamento do CAE ______________)
(Agenesia do CAE__________________)
(Feridas no CAE___________________)
(Secreção_________________________)
(Híperemía MT_____________________)
(Colesteatoma_____________________)
(Retração MT______________________)
Outras____________________________)

23. Rinoscopia e orofaringe
Normal________________________________
Desvio Septal________________
Outras (________________)

24. Avaliação clínica (0-4)
Testa________________( )
Olho________________( )
Bucal________________( )
Lábio inferior_________( )
Tônus________________( )
Total________________( )

25. Lacrimejamento (medida em mm)
Direita________________( )
Esquerda________________( )

26. Gustometria
Normal________________(N)
Alterada________________(A)

27. Teste de Hilger (em Mamp)
Esquerda (________________)
Direita (________________)

28. Reflexo do estapédio
Ausente________________(A)
Presente________________(P)

29. Pares cranianas
(________________________________________________)

30. Audiometria
Normal________________________________(N)
(Anacusia________________lado D ou E)
(Neurossensorial______limiar_dB_D ou E_______)
(GAP__________limiar_dB_____D ou E___________)
(Mista_O______óssea_A_______aérea______D ou E)

31. Otoneurológico
Normal____________________________(N)
Síndrome vest. perif.______________(SPV)
(Lesão central_________________________)

32. Radiografias
(Plani de ouvido____________________________)
(CT____________________________)
Outras (____________________________)

33. Lues
Reagente______________(R)
Não reagente______________(N)

34. Glicemia
(____________________________)

35. Mantoux
Nódulo de (____________________________)
(Normal____________________________)

36. Outros exames
(Eletromio____________________________)
Outros (____________________________)

37. H. díagnóstica
(P.f. idiopática______________)
(P.f. iatrogênica______________)
(P.f. congênita______________)
(P.f. tumoral______________)
(P.f. infecciosa______________)
(P.f. traumática______________)
(P.f. metabólica______________)
(Hemispasmo idiopático______________)
(Hemispasmo pós-Bell______________)
(Hemispasmo pós-galvanoterapia______________)
(Hemispasmo por tumor______________)
Suprageniculada______________(SG)
Infrageniculada - supra-estapediana ____________(IGSE)
Infra-estapediana - supracordalInfracordal________(IC)

38. Conduta
(Sem medicação____________________________)
(Padrão____________________________)
(Encaminhamento para____________________________)
Outras (____________________________)

39. Cirurgia
Data (ano / mês / dia)
(__________________________________________)
(__________________________________________)
(__________________________________________)
(__________________________________________)

40. Evoluções
(__________________________________________)
(__________________________________________)
(__________________________________________)
(__________________________________________)

Discussão

Esta criação possibilita que uma secretária datilógrafa leiga possa facilmente alimentar nosso banco de dados, pois poderá seguir a indicação entre parênteses ao lado do assinalado ou copiar o completado.

Ë usado então qualquer programa padrão para banco de dados. Usamos o PFS (personal file system), que é um dos sistemas de arquivo de mais simples operação e com mais recursos de obtenção de dados, desde relatórios até gráficos, no que diz respeito a cruzamento.

Justamente o grande poder desta ficha e deste programa é podermos, qualquer um de nós, preenchê-la e passar ao digitador. Em poucos minutos será enviada ao computador.

Cada disquete tem a possibilidade de armazenamento de 1.000 fichas, tornando o programa poderoso no que diz respeito a sua memória - praticamente infinita, pois usamos quantos disquetes forem necessários, catalogando-os por ordem alfabética.

Instruções de preenchimento

Os itens estão em ordem de colocação no arquivo.

O digitador deverá colocar no item do computador o que estiver entre parênteses na ficha. Deixar em branco no computador itens não preenchidos.

Os itens foram escolhidos de acordo com critério de maior freqüência entre 932 casos de paralisia facial do Grupo.

A avaliação clínica deverá ser feita por meio de notas de zero a quatro para a movimentação máxima da testa, fechamento dos olhos, bucinador dos lábios, lábio inferior e tônus da face em repouso.

Na audiometria, consideram-se, valores médios para os limiares.

Na evolução, coloca-se sempre o total da avaliação clínica.

Conclusão

Não há ficha perfeita! O ideal seria conseguirmos um padrão mundial. Se no último simpósio internacional de paralisia facial, na França, somente uma tentativa de padronização da avaliação clínica foi intensamente discutida - e não se chegou a um consenso -, que se dirá de todos os outros itens possíveis? Esta padronização tem como objetivo iniciar um trabalho, para que um dia possamos falar a mesma língua e trocar dados entre nós mais facilmente.

Summary

The authors presents a index-card to facial nerve palsies patients, in universytary service with direct aplication in micro-computer Apple system making a simple data bank to be manipulated by a symple typist.

The card was compilated from the data of 987 facial nerve patients of the facial nerve group of the ENT department of Medicine School, Universidade de São Paulo and the criteria of clinica! evaluation from the V International Symposium of Facial Nerve, Bordeaux, France, 1984.

The easy way to its understanding and the same language" created by the data, rend a extremelly cientific utillity in this data management.




1 Professor adjunto do Departamento de Otorrinolaringologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.
2 Médico assistente da Clínica de Otorrinolaringologia e coordenador do Grupo de. Paralisia Facial do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.

Trabalho realizado no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.

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