Versão Inglês

Ano:  1946  Vol. 14   Ed. 2  - Março - Junho - ()

Seção: Trabalhos Originais

Páginas: 88 a 116

 

AUDIOMETRIA CLINICA (*) - PRINCÍPIOS BÁSICOS DA AUDIOMETRIA

Autor(es): J. E. DE REZENDE BARBOSA (**)

PRINCÍPIOS BÁSICOS DA AUDIOMETRIA

Medida a intensidade do estímulo sonoro. Bel. Decibel. Sensibilidade do ouvido.Limiar de
sensação. Campo auditivo.

Na acumetria clínica visamos dois fins principais: a) estudar a capacidade auditiva de determinado indivíduo em relação a escala tonal e audível e, b) verificar a capacidade de percepção para cada frequência separadamente, em função da intensidade do estímulo sonoro. A audiometria clínica preenche êsses dois fins principais e fornece limites mais amplos e accessíveis para a consecução dos mesmos. De outro lado, e aqui reside o seu maior valor, na audiometria podemos exprimir em números, em unidades de medida, a relação entre a intensidade do estímulo sonoro e a sensação de volume de som experimentada pelo indivíduo. Podemos exprimir em números, por conseguinte, a relação entre dois elementos materialmente diferentes: a energia da intensidade sonora (elemento físico) e o volume do som percebido (elemento psíquico). Para que se consiga estabelecer, numericamente, a relação entre êsses dois elementos, um físico e outro subjetivo, torna-se necessário a determinação tanto da intensidade do estímulo sonoro que alcança o órgão auditivo, quanto da sensação de volume experimentada pelo paciente. E' imprescindível, portanto, o estabelecimento de uma unidade de medida para exprimir essa relação psico-física.

E nesse ponto surgiu a primeira dificuldade a ser resolvida pelos físicos, isto é, o estabelecimento de uma unidade de medida da quantidade subjetiva do estímulo sonoro.

A medida da intensidade do estímulo sonoro não apresentou grandes dificuldades, pois a mesma depende da pressão sonora exercida contra a membrana timpânica.

As vibrações acústicas do meio ambiente, qualquer que seja sua origem, produzem condensação e rarefação da atmosfera, originam, em suma, uma onda sonora no ar que atuará diretamente contra a membrana timpânica. Essas alterações periódicas, condensações e rarefações da pressão atmosférica ou onda sonora, atuando contra a membrana timpânica, podem ser medidas. O registro dessa pressão sonora é feito em unidades da pressão barométrica conhecidas por "bars" (um "bar" é igual à pressão de um "dyne" contra um centímetro quadrado. Um "dyne" é, aproximadamente, a fôrça exercida pelo peso de um miligrama sob a influência da gravidade. A pressão atmosférica mede, aproximadamente, 1.000.000 de "bars").

E como as modificações de pressão que se processam no espaço compreendido entre o diafragma do receptor telefônico e a membrana timpânica, representam nada mais que a própria pressão sonora, a medida desta última, que é calculada pela frequência da membrana ressonante, resulta na própria medida da intensidade do estímulo sonoro, no caso gerado no telefone. Por conseguinte, a intensidade do estímulo sonoro, produzido pelo receptor do audiometro, pode ser perfeitamente determinada e medida em unidades físicas de fôrça e energia sôbre a membrana timpânica.

Mas, essa energia física, sonora, que atua diretamente sôbre a membrana timpânica, e que pode ser representada por unidades físicas absolutas de intensidade - "dynes" por cm² - dará origem, na cortex cerebral de um indivíduo, a sensações de audibilidade que não se encontram em correlação idêntica ao aumento ou diminuição da intensidade do estímulo sonoro sôbre a membrana timpânica. Não podemos dizer que o volume de um som, isto é, aquela noção subjetiva de sua intensidade, varie exatamente de acôrdo com as variações da pressão sonora sôbre a membrana timpânica. Podemos afirmar que uma pressão sonora sôbre a timpânica igual a X nos proporciona a sensação de audibilidade igual a Y. Mas não podemos asseverar, porém, que si aumentarmos a intensidade do estímulo sonoro de X para X¹, X² ou X³, iremos ter uma sensação de audibilidade igual a Y¹,Y² e Y³. Conquanto o aumento da energia do estímulo e a consequente impressão subjetiva do volume guardem entre si uma certa relação, como veremos, a medida dêsse elemento psíquico, isto é a medida da quantidade subjetiva da audição foi sempre um dos maiores problemas da acústica moderna. Êsse estudo implica, forçosamente, em noções de física e matemática, noções essas que nãocabem, em absoluto, nessas páginas. De todos os trabalhos por nós compulsados salientamos o de HULKA (9), as obras de FLETCHER (12)e de STEVENS e DAVIS (17) como as que com mais clareza abordam a questão.

Para nós otologistas, a explicação dada por HULKA (9), é de compreensão fácil e bem objetivada. "A audição e seu volume constituem uma sensação, e, em sensações subjetivas podemos muito bem distinguir suas quantidades (pequenas dôr, dôr mais intensa, etc.); no entanto a medida dessas quantidades psicológicas carece de exatidão, com a qual são medidas as quantidades físicas".

"O método de medida de quantidades subjetivas baseou-se originariamente, na determinação de uma série de modificações mínimas da percepção na quantidade de uma percepção da mesma espécie; e a quantidade de percepção medida foi então representada pelo número de unidades na progressão determinada" .

A exemplificação, feita por HULKA (9), é muito interessante.

"Suponhamos que tenhamos de determinar a quantidade de sensação de pressão produzida por um peso de um quilo de areia na palma de nossa mão. Como afirmamos atrás, medila-emos pelo número de elementos na progressão de modificação mínimas da percepção da sensação de pressão."

"Tal progressão é assim determinada:

"Tomemos na palma de nossa mão um pequeno barco de papel de peso matemático desprezível. Fechemos nossos olhos e que alguem deixe cair areia dentro do barco. Será necessário colocar dentro dêste uma certa quantidade de areia, pesando (a) gramas para produzir a primeira sensação mínima de pressão contra a palma de nossa mão. Deixando cair areia no barco, nós produzimos o limiar de sensação de pressão."

"Segurando, ainda, o barco em nossa mão, com aquela quantidade de areia (a) gramas, e ordenando que se adicione mais areia ao mesmo, produzimos, após ter-se juntado certa quantidade de areia, a primeira sensação mínima de mudança de pressão. Não despejando fóra a areia do barco, continuamos a enchê-lo até produzirmos a 2.ª, 3.ª, 4.ª, etc., sensação mínima de mudança de pressão contra a palma de nossa mão, isto é, até obtermos 2, 3, 4, etc. "unidades" de sensação de pressão."

"E' evidente, diz HULKA (9), pelo exemplo anterior, que existe uma certa relação matemática entre o número de "unidades" de sensação subjetiva e a quantidade de estímulo. Em nossa experiência pudemos achar que cada peso produzindo a unidade de sensação seguinte é um certo múltiplo do peso que produzira a unidade de sensação anterior."

WEBER (cit. 9), de Leipzig, e, posteriormente, FECHNER (cit. 9), foram os primeiros a estudar a relação quantitativa entre o estímulo e a sensação subjetiva no que diz respeito ao sentido do tato, e, mais tarde, ao ouvido. FECHNER (cit. 9), exprimiu suas conclusões em uma lei psico-física que diz: "a sensação aumenta em proporção aritmética como o estímulo aumenta em proporção geométrica". "Contudo, como diz HULKA (9), o método de FECHNER não satisfaz na aplicação prática para medir a sensação de volume na transmissão telefônica da voz humana. A voz contém muitos componentes sonoros e diferenças mínimas perceptíveis do volume de sensação da voz não podem ser determinadas com precisão."

A resolução dêsse grande problema -um dos maiores problemas da engenharia telefônica - isto é, a determinação de, uma unidade de medida do volume da intensidade, foi conseguida por uma convenção internacional, exprimindo a intensidade como uma relação e não como um valor absoluto. STEVENS e DAVIS (17) assim estabelecem: "quando um impulso elétrico é transmitido através de um fio, sua intensidade diminue à medida que o mesmo progride, e, na sua extremidade de recepção êle é menor do que era na extremidade inicial. Tornou-se necessária a existência de um método conveniente para exprimir a magnitude do impulso no terminus em têrmos de sua magnitude no início, e o logaritmo da relação da energia no terminus para a energia no início foi tomado como a medida. O logaritmo (para a base 10) dessa relação passou a ser conhecido como um "bel" (em homenagem ao inventor do telefone - Alexander Graham Bell - 1847-1922)".

Na audiometria, como são necessárias graduações mais sensíveis, pois a intensidade sonora máxima que um ouvido pode suportar encontra-se nas proximidades de 13 bels, adotou-se um décimo do bel como unidade de sensação da intensidade (S.U. - "sensation unit"), conhecida por "decibel".

STEVENS e DAVIS (17) definem o decibel como sendo 10 vezes o logaritmo da relação de duas energias, mas podendo ser aplicado, também, para exprimir a relação de duas pressões, velocidades, voltagens, correntes, etc.

Considerando-se como verdadeira a lei psico-física de FECHNER, si um estímulo sonoro crescer em uma progressão geométrica (10, 100, 1.000 vezes), originará uma sensação subjetiva de audição cujo volume aumentará em uma progressão aritmética (1, 2, 3 vezes).

Um decibel corresponderia, por conseguinte, à mudança mínima na intensidade de um estímulo sonoro necessária para aumentar a sensação de volume do som examinado de uma unidade de sensação. De uma maneira mais simples, um decibel seria, mais ou menos, a menor diferença em intensidade sonora que um ouvido é capaz de distinguir. Quando um som qualquer apresenta somente uma percepção mínima, em seu limiar portanto, afirmamos que o mesmo possui uma intensidade de zero decibels. Si a intensidade sonora que atua diretamente sôbre a membrana timpânica aumentar na proporção de 10, 100, 1.000, 10.000 vezes, então diremos que a intensidade dêsses sons progrediu na razão 1, 2, 3, 4 bels. O decibel é, portanto, uma unidade logarítmica e, como tal, apresenta inúmeras vantagens. Entre tôdas, a principal é aquela de que a unidade decibel oferece a possibilidade de poder representar, dentro do limite relativamente estreito de zero s 130 decibels, tôda a enorme série de intensidade que é capaz de suportar o ouvido humano. Quando os sons são muito intensos, já originam a sensação tactil, a membrana timpânica vibra com amplitude de um milésimo de polegada, isto é, cêrca de um milhão de vezes a amplitude de um som no limiar de audibilidade. Ora, sòmente uma unidade logarítmica, como o decibel, consegue exprimir em números pequenos a magnitude dessas intensidades.

Salientam STEVENS e DAVIS (17) "... que a medida da intensidade sonora em decibels pressupõe uma intensidade standard ou intensidade-referência, sendo que para a escala decibel é necessário sempre representar a relação de uma intensidade a outra. Um ponto comum de referência é o limiar de audição - a energia mínima necessária para produzir uma sensação auditiva.

A fisiologia da percepção sonora, no homem, pesquizada desde a segunda década do século passado, evoluiu de uma maneira notável nos tempos modernos. E o progresso mais notável, sem dúvida alguma, foi o observado em relação à elétro-fisiologia da cóclea, em suma, foi a descoberta do efeito microfônico coclear conhecido sob a denominação de "fenômeno de Wever e Bray", elemento êste que lançou luzes sôbre a mecânica da recepção das frequências na membrana basilar, como procurou explicar, de maneira mais ou menos satisfatória a intimidade do processo de transformação da energia sonora em influxo nervoso, em energia elétrica, fenômeno êsse que se processa, provavelmente, ao nível das células de cabelo do órgão de Corti. Mas, ao lado dêsse progresso indiscutível no conhecimento sôbre a elétro-fisiologia coclear,. progressos êsses ultra-modernos, devemos assinalar, também, que um dos maiores passos dados para o conhecimento dessa intrincada e ainda não resolvida fisiologia da percepção sonora, foi a determinação dos limites da audição, tanto em função da frequência do estímulo sonoro quanto da intensidade dêsse mesmo estímulo. Por conseguinte, estudaremos, a partir de agora, a determinação dos limites de nosso campo de audição tanto em suas extremidades, baixa e alta, quanto em seus limiares de audibilidade e de sensação tactil.

Si, por exemplo, tomarmos um diapasão qualquer, e o percutirmos de uma maneira fraquíssima, de tal modo que o som emitido pelo mesmo seja ouvido, pela média dos ouvidos normais, com uma intensidade mínima, isto é, uma tal intensidade abaixo da qual o ouvido normal nada mais ouve, asseguramos então que a intensidade dêsse diapasão encontra-se no "limiar de audibilidade". Êsse limite, ou limiar de audibilidade, constitue o nível da intensidade sonora. Determinou-se êsse valor limiar de audibilidade para tôda a série das diferentes frequências audíveis e construiu-se, assim, uma curva, unindo-se os diferentes valores limiares para cada frequência, curva essa denominada "curva limiar de audibilidade". Pela figura (fig.16) poderemos observar que a curva inferior representa a intensidade do estímulo sonoro que é ouvida, de uma maneira mínima possível,somente perceptível, pela média dos indivíduos com audição normal, para os sons puros e a diferente frequências.

Si, por um lado, tomarmos uma fonte sonora, de frequência determinada, e aumentarmos progressiva e continuadamente a intensidade da mesma, verificaremos que, em determinado ponto, a média dos ouvidos normais começa a experimentar não mais uma sensação tactil. Alcançamos, então, outro valor limiar da audição, isto é, o "limiar de sensação tactil", limite êsse no qual ao contrário do limiar de audibilidade, os sons são tão intensos que deixaram de proporcionar uma sensação de audibilidade e começaram a ser sentidos. Si aumentarmos ainda mais a intensidade do estímulo sonoro, o mesmo deixará de proporcionar uma sensação tactil, originando então uma sensação dolorosa. Nessa mesma figura (fig. 16) de FLETCHER (12) podemos verificar a existência de uma curva superior, resultado da união de todos aqueles pontos nos quais a intensidade das diferentes frequências audíveis foi tão enérgica que as mesmas deixaram de ser ouvidas para serem sentidas - é a "curva limiar de sensação tactil".

Pelo estudo dêsse diagrama de FLETCHER (12),verificamos que os valores da intensidade do estímulo sonoro são anotados em têrmos de variações de pressão no conduto auditivo externo de variações de pressão no conduto auditivo externo, medidas em pressão sôbre a membrana timpânica, isto é, em dynes por centímetro quadrado. A um som de intensidade fraquíssima, já quasi no limiar de audibilidade, a membrana timpânica vibra, também, com uma amplitude minima. Assim explicam KNUDSEN e JONES (14): "... para sons que são sòmente ouvidos com intensidade mínima, nas frequências de 1.000 a 4.000 d.v./s., as pulsações das ondas sonoras dentro do conduto auditivo externo são tão pequenas, que a amplitude de vibração da membrana timpânica é cêrca de um milionésimo da polegada,ou seja 1.000 vezes maior do que a de um som no limiar de audibilidade. Em respostas a sons muito intensos , já dolorosos, a membrana timpânica vibra com a amplitude de um milésimo de polegada , isto é, com cêrca de 1.000.000 de vezes a amplitude de um som sòmente no limiar de audibilidade a um som audível no limiar da sensação tactil, a amplitude de vibração da membrana timpânica aumenta cêrca de um milhão de vezes. Desde que a energia de vibração seja proporcional ao quadrado de amplitude, a energia ou intensidade de um som doloroso equivale a um milhão de vezes a intensidade de um som limiar de audibilidade. Isso nos fornece alguma concepção da grande capacidade de resposta do ouvido humano às vibrações sonoras".



FIG 16 - (Fletcher, 12)



Analisando, com certo detalhe, o diagrama de FLETCHER (fig. 16), observamos que em duas zonas, ao nível das frequências garces ao nível das frequências agudas, ambas as curvas limiares - de audibilidade, ou inferior, de sensação tactil, ou superior - se aproximam progressivamente e acabam por se tocarem em limites mais ou menos imprecisos. Verificamos, também, que essas frequências, nos limites graves e agudo, logo ao serem ouvidas são também sentidas. Encontramo-nos, por conseguinte, nos limites alto e baixo da capacidade de audição da média dos ouvidos humanos normais. O que se encontra para dentro dessas curvas limiares constitue o "campo auditivo", isto é, um espaço onde estão representadas as frequências e intensidades, quando medidas em têrmos de pressão sonora sôbre a membrana timpânica, audíveis pela média dos ouvidos normais. A altura de 20 ciclos ou de 20.000 ciclos necessitamos intensificar de tal modo o estímulo sonoro que a suasensação audível se confunde com a sensação tactil. Atingimos, portanto, os verdadeiros limites superior e inferior do campo auditivo.

A seguir procuraremos resumir os diferentes estudos básicos que culminaram com a determinação dos valores limiares de audibilidade e sensação tactil, bem como no estudo e interpretação do campo auditivo, área auditiva, estudos êsses de grande aplicação na audiometria.

A determinação da sensibilidade do ouvido é obra de grande número de pesquizadores que, modernamente, têm procurado estabelecer curvas e gráficos mais ou menos padronisados. Entretanto, como são experências extremamente delicadas, que necessitam de um rigor técnico sòmente possível em laboratórios ricamente aparelhados, nem sempre os resultados dos diferentes pesquizadores coincidiram religiosamente. O limiar de sensibilidade auditiva para as frequências colocadas nos extremos do espectro sonoro audível, isto é, para as frequências muito graves e muito agudas, ainda é discutível. Seus limites não são precisos. De acôrdo com a obra básica de FLETCHER (12) resumiremos, no possível, o histórico das pesquizas sôbre a determinação do limiar de intensidade em função das frequências.

TOEPLER e BOLTZMANN, em 1870, LORD RAYLEIGIH, em 1877, WEAD, em 1883, por meio de processos mais engenhosos do que cientificamente precisos, determinaram o valor absoluto do limiar da intensidade do estímulo sonoro. LORD RAYLEIGH, em uma segunda série de experiências, já lançou mão de um receptor telefônico como fonte sonora.

De 1903 para cá, com os trabalhos de WIEN, datam as pesquizas cujos resultados são até hoje considerados satisfatórios. Êsse autor conseguiu determinar o limiar de intensidade das frequências de 50 a 16.000 ciclos. O receptor telefônico foi a fonte sonora empregada, medindo diretamente a amplitude das vibrações dos sons altos. Desde que a amplitude aumente proporcionalmente com a corrente, consegue-se calcular a amplitude de vibração do diafragma no limiar de audibilidade.

WEBSTER, em 1904 e ABRAHAM, em 1905, abordaram a mesma questão, empregando em suas pesquizas aparelhos especiais.

Entretanto, sòmente a partir de 1920 é que se intensificaram as pesquizas, afim de se determinar uma curva limiar de audibilidade para a média das pessoas portadoras de uma audição normal.

Em 1920, os pesquizadores do Laboratório Bell, com FLETCHER e WEGEL (12) à frente, iniciaram estudos visando determinar a sensibilidade absoluta do ouvido, cujos resultados foram publicados em 1922. Contemporaneamente, KRANZ (cit. 12) trabalhou no mesmo assunto, mas seus resultados só foram publicados em 1923.

Todos êsses autores empregaram, em suas pesquizas, instrumentos capazes de determinar o limiar de intensidade de um estímulo sonoro de uma maneira exata. Os cientistas do Laboratório Bell utilizaram-se de um pequeno termofone e suas experiências foram conduzidas em cabine silenciosa. Em ambiente idêntico trabalhou KRANZ .

Contariamente a êsses autores, mas determinados os limiares de audibilidade sòmente para as frequências de 2.000 a 18.000 ciclo, LANE ( cit. 12), em 1922, executou experiências fora de ambientes fechados. Trabalhando à noite, afim de evitar a interferência do ruido, o mesmo colocava seus pacientes sôbre uma pequena plataforma, cinco metros acima do chão e a fonte sonora a um metro e meio de distância do ouvido.

Depois de tôdas essas inúmeras pesquizas, foram os estudiosos do Laboratório Bell, FLETCHER e WEGEL (12) que coordenaram os diferentes resultados obtidos pelos diversos autores, e construiram, finalmente, uma curva padrão que indicasse, de fato, o limiar de audibilidade da média das pessoas com audição normal . Agora, como diz FLETCHER (12), nem todos os autores conseguiram determinar os valores limiares para tôdas as frequências; portanto, na construção da curva limiar-padrão considerou-se uma média dos valores determinados pelos diferentes pesquizadores. Para FLETCHER (12), entre todos os resultados obtidos, sòmente aqueles conseguidos por quatro dentre êles devem ser computados, sendo: os de WIEN, KRANZ, FLETCHER e WEGEL e LANE . Os resultados conseguidos por WIEN, KRANZ, FLETCHER e WEGEL serviram de padrão para os valores das frequências que medeiam de 64 a 4096 d.v., ao passo que, para as frequências mais agudas, os números obtidos por LANE foram adotados,acrescidos de uma correção de 6 decibels, pois suas pesquizas foram executadas, como vimos, em campo aberto, à noite, onde poderia associar, ainda, algum ruído.

O resultado final dessas pesquizas encontra-se resumido no quadro abaixo e a representação gráfica do mesmo demonstrada na curva inferior, que representa o limiar de audibilidade, da figura (fig. 16), ambos elementos tomados da obra básica de FLETCHER (12) .

Tabela 01 pág 98
No quadro acima temos três valores distintos: a frequência da onda sonora, representada por vibrações duplas por segundo, a pressão da onda sonora, medida em "bars", e, finalmente, a fôrça em micro-microwatts atuando sôbre um centímetro quadrado quando uma onda sonora atravessa o ar e produz a pressão indicada.

Segundo o próprio FLETCHER (12), a curva inferior da figura (fig. 16), que indica o limiar de audibilidade, "... é uma curva lisa, porque cada ponto representa a média de um grande número de pessoas. A curva que representa o limiar de audibilidade de uma única pessoa nunca é lisa como a anterior". Para demonstrar tal fato, isto é, a variação individual de sensibilidade dos ouvidos, incluimos, aqui, duas curvas individuais, de ouvidos normais, uma conseguida por WEGEL e outra por KRANZ, ambas citadas por FLETCHER. (12).

Para uma mesma frequência, como podemos observar na figura (fig. 17), a sensibilidade individual de um ouvido normal pode variar, para mais ou para menos, em relação a outro ouvido normal, até cêrca de 20 decibels (cit. 12). "Isso nos indica, diz FLETCHER (12), que cada pessoa possue uma acuidade, auditiva que lhe é peculiar. Consequentemente, ela interpreta os diferentes sons que alcançam seu órgão auditivo de acôrdo com seu mecanismo de audição próprio. A sensação produzida pela mesma peça musical deve ser diferente para cada pessoa, devido a essas variações individuais".

Da mesma maneira que se conseguiu determinar uma curva limiar de audibilidade - tipo padrão - com técnica idêntica e com aparelhos semelhantes procurou-se- determinar, também, uma curva que representasse a média do limiar de sensação tactil de pessoas com audição normal.

Indiscutivelmente, foi WEGEL (cit. 12) quem mais contribuiu para a obtenção do "limiar de sensação tactil", para cada frequência audível. Medindo êsse valor limiar em 48 ouvidos normais, êsse autor conseguiu construir a curva superior que se observa na figura (fig. 16).

A determinação dos valores limiares, tanto de "audibilidade" quanto de "sensação tactil" não apresenta grandes dificuldades quando se pesquiza em relação a certas frequências, ou melhor, quando êsses valores são determinados, por exemplo, para as frequências de 300 ciclos a 5.000 ciclos, pois nessa zona hipersensível de nosso campo auditivo ambos êsses limiares se distanciam bastante. Podemos, nessa zona, intensificar um som, a partir de seu limiar de audibilidade, de muitas mil vezes para atingirmos o limiar da sensação tactil. Entretanto, de outro lado, nas frequências abaixo de 20 ciclos ou acima de 16.000 ciclos, não gozamos da mesma maliabilidade de manejo, isto é, não possuímos, entre os limiares de audibilidade e de sensação um grande espaço na sensibilidade auditiva. Nessas frequências extremas, muito graves e muito agudas, si aumentarmos um pouco mais a intensidade sonora acima do limiar de audibilidade, atingiremos, imediatamente, o limiar de sensação tactil. Quando, empregando como estímulo sonoro uma frequência nas vizinhanças de 20 ciclos ou nas proximidades de 20.000 ciclos, a intensidade fôr tal que, ao iniciar uma sensação de audição acarreta, também, sensação tactil, poderemos afirmar que os limites, inferior ou superior, do campo auditivo, foram alcançados.



FIG. 17 - (Fletcher, 12)



Não se conseguiu ainda determinar, com exatidão, êsses limites, razão por que, na figura (fig. 16), os mesmos são representados por linhas em traços, denunciando a imprecisão na sua determinação a partir de certas frequências. Nessa mesma figura, as linhas em traço, superior e inferior, acompanhando as linhas limiares, indicam as possíveis variações quando a pesquiza é feita em relação sòmente a uma pessoa.

Segundo FLETCHER (12), existem instrumentos musicais (órgão) capazes de originarem frequências inferiores a 20 ciclos, mas a sensação produzida pelos mesmos é devida, provàvelmente, à interferência de outros sons do que ao som fundamental emitido.

A determinação dos limiares de audibilidade e de sensação tactil, para as frequências abaixo de 50 ciclos, é quasi tôda devida a VON BÉKÉSY (cit. 17), o qual obteve sensações audíveis a frequências fantasticamente baixas.

Com a frequência de 10 ciclos, aumentando-se a intensidade nos dois ouvidos em cêrca de 40 decibels acima do limiar de audibilidade, experimenta-se uma sensação tactil localizada nos ouvidos. Com frequências abaixo de 10 ciclos, à forte intensidade, obtem-se uma sensação definida de picada e que parece estar localizada profundamente no conduto auditivo ,externo. Com frequências acima de 20 ciclos, a sensação de picada passa a ser uma sensação de cocega e mascara completamente a sensação tactil. Com estímulo contínuo e demorado, a intensidade acima do limiar de cocegas produz uma sensação dolorosa de queimadura.

Contudo, o limite inferior do campo auditivo é algo impreciso, pois essas frequências extremamente vagarosas condicionam sensações mais tactis do que auditivas.

De acôrdo com VON BÉKÉS (cit.17), a 18 ciclos a sensação de audibilidade é rapidamente registrada. Partindo uma frequência mais baixa, ao se aproximar de 18 ciclos o observador experimenta um rápido aumento em volume e altura. De fato, diz VON BÉKÉS (cit. 17), é em 18 ciclos que passamos sùbitamente da percepção de sensação de um impulso discreto a uma simples sensação fundida que possue um verdadeiro caráter tonal.

Antes de terminar esse capítulo de considerações gerais, queremos deixar claro que a audiometria clínica visa estudar, na medida das possibilidades atuais essa área de sensação auditiva, ou melhor, o campo auditivo. A cada ponto da superfície dêsse campo, como vimos, corresponde uma sensação auditiva definida quando o ouvido é estimulado por um som portador de frequência e intensidade indicadas pelas coordenadas. Todos os sons de frequência fora dessa área, isto é, aquém ou além dos limites inferior ou superior, não geram qualquer sensação auditiva para a média dos ouvidos de indivíduos normais. Portanto, a audiometria clínica procura estudar, com exatidão, a capacidade auditiva de determinado indivíduo dentro dêsse campo auditivo, desde o limite baixo, grave, até o limite alto, agudo, e estuda cada frequência, separadamente, em função da intensidade sonora, isto é, explora êsse campo desde o limiar de audibilidade até as proximidades do limiar de sensação tactil.

Si, agora, examinarmos detalhadamente o gráfico de WEGEL, isto é, a representação gráfica do campo auditivo, verificaremos que cada quadrado vertical representa, como lá está explícito, unidades de intensidade física, ou melhor, a pressão exercida sôbre a membrana timpânica medida em dynes por centímetro quadrado. De outro lado, e de acôrdo com o que já explicamos, cada divisão vertical do gráfico(fig. 16) representa ou indica, também, um aumento de intensidade de dez vezes maior que a inferior, o que proporciona a sensação subjetiva de volume da intensidade correspondente à diferença de um bel ou 10 decibels. Si continuarmos, ainda, a estudar a representação gráfica do campo auditivo, verificaremos, também, que as diferenças em bels ou decibels, entre as curvas limiares de audibilidade e sensação tactil variam para a cadeia tonal audível. Por exemplo: enquanto que para a frequência de 128 ciclos contamos 9,1 divisões entre os limiares de audibilidade e sensação, o que indica que para a frequência de 128 ciclos o limiar de sensação tactil encontra-se 9,1 bels ou,91 decibels acima do limiar de audibilidade, para a frequência de 2048 ciclos nós contamos 12,8 divisões, o que indica que o limiar de sensação tactil encontra-se 12,8 bels ou 128 decibels acima do limiar de audibilidade.

KNUDSEN e JONES (14) exprimem em números, em um quadro, o que se encontra visualizado no gráfico de Wegel, mas sòmente em relação às frequências usadas nos testes áudio métricos comuns.



Frequência em ciclos por Segundo / Número de decibels entre os limiares de audibilidade e sensação
64 - 63
128 - 91
256 - 113
512 - 128
1024 - 132
2048 - 128
4096 - 116
8192 - 91


Referindo-nos, ainda, a êsses autores, podemos rematar com um simples exemplo citado em uma de suas muito esplêndidas conferências. Com respeito à frequência de 512 ciclos, uma pessoa, com audição normal, percebe êsse som no seu limiar de audibilidade quando o mesmo produz, dentro do conduto auditivo externo, uma variação de pressão igual a um milésimo de um dyne por centímetro quadrado. Um indivíduo, portador de uma alteração qualquer na percepção dessa frequência, necessitará, sem dúvida alguma, uma pressão maior que a anterior para que êsse estímulo sonoro seja percebido em seu limiar de audibilidade. Si fôr necessária uma pressão de um centésimo de dyne para a frequência de 512 ciclos, o mesmo apresentará uma queda de audição igual a 20 decibels. Igualmente, si fôr necessária, para se atingir o limiar de audibilidade, uma intensidade sonora com pressão de um décimo de dyne, a hipoacusía igualará a 40 decibels; si, finalmente, fôr necessária a pressão de um dyne, o paciente apresentará uma queda da audição de 60 decibels. E assim por diante, para qualquer frequência, de acôrdo com a representação gráfica do campo auditivo.

Quanto à audiografia em si, isto é, a representação gráfica dos resultados dos testes audiométricos, será tratada, com certo detalhe, após a descrição dos aparelhos audiométricos. Entretanto, desejamos frizar bem, pràticamente um audiograma não difere da representação gráfica do campo auditivo, pois os elementos pesquizados e determinados, ou sejam as frequências, medidas em duplas vibrações por segundo ou ciclos, e as intensidades, medidas em decibels, são os mesmos em ambos, mas existem sòmente modificações na sua notação gráfica, podendo variar entre paises, e, mesmo, entre autores.

OS AUDIOMETROS

Princípios técnicos de sua construção. Técnica de audiometria.

Audiogramas. Causas de erro.

De um modo geral podemos classificar os aparelhos audiométricos em dois grandes grupos:

os audiometros fonográficos;

os audiometros rádio-técnicos ou audiometros a sons puros.

O estudo de audiometria fonográfica, que analisa a capacidade auditiva de um indivíduo ou de uma coletiva pela voz gravada em discos, não nos interessa no presente trabalho. Êsses audiometros (Western Electric 4A ou 4B), que representam um progresso para os testes simultâneos da acuidade auditiva de um grande número de pessoas, comumente quarenta, facilitando assim, sem grande desperdício de tempo, a descoberta dos duros de ouvidos. A intensidade do estímulo sonoro, no caso a palavra em número, é graduada em etapas de 3 decibels durante a gravação do disco. O estudo dêsse interessantíssimo aparelho, hoje adotado na higiene escolar de alguns paises civilizados, merece um capítulo à parte e que foge ao espírito de nosso estudo.

Quanto aos audiometros rádio-técnicos, aparelhos de precisão geradores de sons puros, e que fornecem o mais completo e perfeito processo de acumetria que até hoje possuimos podem ser de construção técnica diversa. Demonstraremos, a seguir, e de uma maneira esquemática, os princípios técnicos de construção dêsses interessantes e uteis aparelhos.

Esquematicamente, um audiometros consta de quatro partes capitais:

gerador de som;

amplificador;

atenuador;

receptor telefônico, alto falante ou transmissor ósseo.

Ao redor dêsses quatro segmentos principais de um audiometros, e principalmente no que diz respeito ao gerador de som, é que se produziram e introduziram modificações e inovações desde os primeiros aparelhos construidos até os contemporâneos.

Antes de entrarmos na descrição dos atuais audiometros elétricos, verdadeiros audiometros rádio-técnicos que se utilisam de dispositivo de oscilação, devemos lembrar que os audiometros elétro-mecânicos primitivos foram os precursores dos aparelhos atuais. O audiometros de DEAN e BUNCH (fig. 10), isto é, o aparelho originário da Universidade de Iowa, em 1921 (Iowa Pitch range audiometer), foi o prototipo dos audiometros eletro-mecânicos e constituiu o gerador elétro-sonoro mais simples. Não seria mais que um alternador de frequência musical. Resumidamente, o aparelho original de DEAN e BUNCH era composto de: uma roda denteada, dotada de certo número de dentes recobertos por um fio metálico, roda essa girando entre duas hastes firmes. Obtem-se, assim, uma corrente alternada cuja frequência é regulada de acôrdo com o maior ou menor número de dentes da roda ou pela graduação da velocidade de rotação. Êsse sistema gerador encontra-se ligado diretamente com um escutador, um simples receptor telefônico, onde as frequências eletro-magnéticas da corrente alternada serão transformadas em frequências elásticas, em ondas sonoras. Entretanto, antes de alcançar o receptor telefônico, a corrente alternada de frequência conhecida é amplificada, e, posteriormente, sua intensidade graduada num atenuador.

Entre os audiometros de tipo eletro-mecânico, devemos enumerar, também, o aparelho ideado por DOHLMAN, citado na obra de HOLMGREN (6), baseado no princípio da célula fotoelétrica. A produção da energia elétrica, nessa célula, é consequente à emissão de eletrons por uma superfície metálica sôbre a qual incide um raio luminoso. Intercalando-se, entre a fonte luminosa e a célula fotoelétrica, uma roda suja periferia e denteada, os movimentos de rotação dessa última interceptam, periodicamente, a passagem do raio de luz na direção da célula fotoelétrica e como consequência, obtem-se uma corrente variável no receptor. A frequência dessa corrente oscila, também, de acôrdo com
a velocidade de rotação e com os diferentes números de dentes ou de orifícios distribuidos em círculos concêntricos.

Obtida a corrente alternada de frequência conhecida a mesma, antes de chegar ao receptor telefônico ou ao alto falante, tanto em um tipo quanto no outro dos audiometros elétro-mecânicos, passa por uma série de modificações, isto é, é amplificada e, logo após, atenuada sua intensidade.

Como afirma HOLMGREN (6), ambos êsses tipos de audiometros possuem certas vantagens especialmente quanto à pureza da corrente alternada sinusoidal obtida, bem como quanto à facilidade com que se consegue tanto as frequências graves quanto agudas. A grande desvantagem, diz aquele autor escandinavo, é que nesses aparelhos se combinam dois dispositivos diferentes, acarretando muitas possibilidades de êrros, isto é, um conjunto mecânico em simbiose com um aparelho elétrico. Além disso, existe a dificuldade em amortecermos ruídos das partes rotativas, as quais devem, portanto, ser colocadas a certa distância do amplificador, introduzindo, sem dúvida, alguns elementos que dificultam o seu emprego habitual.

Finalmente, quanto aos verdadeiros audiometros elétricos, os que disputam, atualmente, o mercado mundial, e que produzem, diretamente, correntes de frequência conhecida, proporcionando a sensação auditiva de sons puros, distinguem-se dois tipos principais:

1)) os que geram uma série de frequências fixas;

2) aqueles que produzem uma cadeia contínua e variável de frequências.

De passagem, devemos assinalar que êsses últimos constituem a base de construção dos aparelhos ultra-modernos. Quanto aos outros elementos essenciais de um audiometro, isto é, o amplificador, o atenuador regulador das intensidade, o receptor, alto falante ou condutor ósseo, não apresentam diferenças nesses dois tipos de audiometros elétricos, os quais se diferenciam, somente, pelo gerador de som, pelo sistema de produzir a frequência primária. Enquanto que no primeiro tipo, de frequências fixas, precisamos ter diferentes conjuntos geradores para cada frequência audível, no segundo, de frequências continuamente variáveis, devido ao princípio de interferência, com apenas um conjunto gerador, conseguimos tôda a cadeia de frequências audíveis. Em ambos os tipos de audiometros, entretanto, obtemos sons de frequência conhecida, de qualquer intensidade, podendo ser sustentados indefinidamente, constituindo esta uma das vantagens de real valor dêsses aparelhos sôbre qualquer outro processo acúmetrico, o que nos proporciona a possibilidade de medir a audição com uma frequência constante em seu limiar, assim como intensificar essa frequência à nossa vontade e de uma maneira constante, pesquisando quasi todo o campo auditivo com certo rigor cientifico. A seguir, e de uma maneira Esquemática, descreveremos os princípios fundamentais dêsses dois tipos de audiometros elétricos: a) os audiometros de frequências fixas; b) os audiometros de frequências continuamente variáveis.

a) Audiometros de frequências fixas ou constantes.

Os osciladores à lâmpada constituem os geradores de som em ambos os tipos de audiometros elétricos. A lâmpada a três eletrodos, isto é, a "trioda", constitue o sistema capaz de proporcionar as oscilações eletrônicas. Entretanto, em vez de se fazer oscilar a lâmpada trioda a uma frequência inaudível, isto é, além dos limites de nosso campo auditivo, podemos, por meio de dispositivos especiais, obter oscilações à baixa frequência, a frequências audíveis. Dessa maneira, o conjunto gerador de som deve ser constituido pela lâmpada trioda em conjugação com um circuito oscilante, cuja capacidade do condensador e o valor do self, previamente calculados, proporcionam a vibração dos elétrons a uma frequência determinada. Conjugando-se, em um mesmo sistema, a trioda com um circuito oscilante de condensador e self de valores conhecidos, consegue-se obter, no receptor telefônico do audiometros, frequências audíveis que passaram, também, por uma amplificação e que foram, em seguida, reguladas em suas intensidades. Portanto, a altura do som puro obtido depende da construção do sistema oscilante, ou melhor, das dimensões do condensador e self. Em razão dêsse fato surge uma certa limitação na construção dêsses aparelhos, pois as frequências graves requerem condensadores e selfs de grandes dimensões, enquanto que para as frequências agudas os mesmos são menores. De outro lado, também, não sendo variável a capacidade dêsses condensadores, êsses aparelhos funcionam com frequência fixa. Devido a essas limitações impostas pela construção dos condensadores e selfs, êsses segmentos capitais do instrumento devem variar para cada frequência sonora desejada, afim de que o som do audiometro, como afirma HOLMGREN (6), compreende tôda a área de audibilidade sem interferir com a pureza do mesmo. O esquema da construção dêsse audiometro elétrico de frequências fixas é o que se vê na figura 18.



FIG. 18 - Esquema do gerador de som de um audiometro de frequências fixas. B1 e B2:
baterias; C, condensador; S, Self; T, trioda. A representa o amplificador ( Esquema e
desenho do Dr. C. Campos Pagliuchi)



Até há poucos anos os audiometros mais em uso, tanto em laboratório como em clínica, inclusive o Western Electric 2A, operavam com construções idênticas à descrita.

Ultimamente, observa-se acentuada tendência ao emprêgo, na construção dos geradores de som dos audiometros, do fenômeno heterodino decorrente do princípio da interferência. E desta forma surgiram os audiometros elétricos de frequência continuamente variáveis e que passamos, agora, a descrever esquemàticamente.

b) Audiometros de frequências continuamente variáveis.

Si desejarmos, de outro lado, uma fonte de estímulo sonoro que nos proporcione a possibilidade de examinarmos qualquer frequência de nosso campo auditivo, isto é, um exame das frequências audíveis de uma maneira contínua e variável, teremos que lançar mão, então, dos audiometros cuja construção é baseada no fenômeno heterodino, isto é, aparelhos geradores de sons de acôrdo com o princípio da interferência.

Em linhas gerais, o gerador de som dêsses aparelhos em nada difere do descrito anteriormente, isto é, do sistema oscilante do audiometros de frequências fixas. Si, agora, tomarmos de dois circuitos oscilantes, de tal modo que um deles seja construido para gerar uma frequência determinada e fixa (100.000 ciclos, por exemplo), e o outro circuito oscilante com um condensador de capacidade variável, capaz, por exemplo, de gerar frequências de 80 a 100.000 ciclos, e si, finalmente, lançarmos êsses dois circuitos oscilantes, um fixo e outro variável, em um terceiro tubo eletrônico (misturador), obteremos, como resultado, um som de interferência cuja frequência será igual à diferença das duas frequências primárias, no caso de 20.000 ciclos (100.000 - 80.000). De outro lado, sendo variável um condensador de 80.000 a 100.000 ciclos, conseguiremos, pelo seu bombardeamento contra a frequência do condensador fixo (100.000 ciclos), sons de interferência desde 0 ciclos até 20.000 ciclos.

Em resumo, si tivermos dois osciladores de alta frequência construidos com uma frequência de 100.000 ciclos, sendo um deles de frequência fixa (100.000 ciclos), e o outro variável, conduzindo-se essas duas energias para um terceiro tubo eletrônico (tubo misturador), conseguiremos uma frequência de interferência, de baixa frequência, audível, igual à diferença das frequências dos dois osciladores (fig. 19).

Entram no tubo misturador:

Frequência do oscilador com condensador fixo ...... ..........100.000 ciclos

Frequência do oscilador com condensador variável .............98.975 ciclos
________
1.024 "

Sai do misturador:

Frequência de 1.024 ciclos, musical (UT4).

Si o condensador G2 é de carga fixa, e o condensador G1 de carga variável, obteremos tôdas as frequências desejadas desde de zero até um determinado limite dependendo, é claro, do condensador empregado.

Por conseguinte, com um processo de graduação do condensador variável, por um simples dial, por exemplo, poderemos sintonizar, diretamente, a frequência audível desejada.

Apesar de não serem, ainda, tecnicamente perfeitos, os modernos audiometros que empregam o princípio da interferência apresentam uma grande estabilidade quanto à qualidade e pureza dos sons emitidos. Nos próprios limites extremos do campo auditivo, isto é, no exame das frequências muito baixas e muito agudas, êsses aparelhos mais modernos possuem grande segurança sôbre seus antecessores.

Bom número de audiometros apresentam atualmente êsse princípio de construção, e, entre eles, podemos citar o Otoaudion, alemão, o Western Electric 6A e 6B, o Sonotone, modêlo 2, norte-americanos, e auidometro argentino de Zambrini, Hardoy e Passaron.



FIG. 19 - Esquema das prinicpais partes de um audiometro de frequências continuamente variáveis. G1, gerador de som com condensador variável; G2, gerador de som com condensador fixo; M, tubo misturador; Am, amplificador; At, atenuador; R, receptor telefônico, vibrador ósseo ou alto-falante. ( Esquema e desenho do Dr. C. Campos Pagliuchi)



O conhecimeto do mecanismo de produção sonora de audiometro, Isto é, o sistema oscilador, seu órgão vital por conseguinte, nos proporciona o que de mais útil e necessário comporta e engenhosa construção de um aparelho audiométrico. Os outros elementos capitais de construção de um audiomero, tais como o amplificador, atenuador e o transformador final elétro-acústico (receptor telefônico ou alto-falante) não nos interessam quanto aos seus princípios e detalhes técnicos de construção. Devemos saber que êsses elementos do conjunto audiométrico devem ser cuidadosamente manufaturados e regulados com uma precisão única. O sistema de amplificação, bem como o atenuador para contrôle das diferentes intensidades sonoras devem constituir um conjunto de tal precisão que a leitura do dial das intensidades corresponda, sempre, em diferentes ocasiões, para um determinado número do dial, à mesma intensidade de energia que alcança o receptor telefônico ou o alto-falante. Infelizmente, entretanto, nessa parte, devido a fatores de ordem técnica, encontramo-nos, ainda, bem longe de um audiometro perfeito. A graduação do dial das intensidades, além de variar entre alguns aparelhos, nem sempre apresenta os mesmos valores entre os diferentes aparelhos. Apesar de indicar, no dial, que um tal ponto corresponde a uma intensidade de 60 decibels no receptor telefônico, nem sempre, ou melhor, nem todos os aparelhos existentes apresentam, de acôrdo com o exemplo citado, essa intensidade de 60 decibels no receptor telefônico. Abordaremos, novamente, no capítulo dos fatores de erro, essa importante questão.

A parte final de um audiometro é constituida pelo transformador elétro-sonoro (receptor telefônico ou, mais raramente, por um alto-falante). Nessas dispositivos as oscilações elétricas de determinada frequência são transformadas em ondas elásticas, em suma, em ondas sonoras de frequência idêntica à energia elétrica que a gerou. Para o exame da condução óssea êsse dispositivo final é diferente, empregando um condutor ósseo de tipo vibrador de Lieber.

Em resumo, os segmentos principais de um audiometro, segundo PRINCE FOWLER (7), são:

1) Oscilador: controlado por chaves ou por um dial, fornecendo-nos a altura ou frequência sonora.

2) Atenuador (potenciometro): que regula a intensidade.

3) Receptor: gera sons no ouvido, verdadeiro transformador eletroacústico. Raros são os aparelhos, existentes no comércio, equipados com alto-falante, tal como acontece no Otoaudion .

4) Sinal luminoso silencioso: afim de indicar si o som está sendo ouvido ou não.

5) Interruptor: para verificar a exatidão da respost.

6) Controlador de corrente.

Com algumas variantes, quasi todos os audiometros existentes no comércio apresentam essas partes principais acima resumidas. Raros tipos, como afirmamos, incluem no conjunto o alto-falante (Otoaudion), alguns com receptores duplos, outros com o olho catódico, outros ainda, quanto ao aparelho mascarador, gerador de ruído de intensidade controlável, o possuem incluído no próprio móvel do aparelho (Sonotone, modêlo 2).

De relance, o audiometro assemelha-se intimamente, quanto à sua construção, aos aparelhos rádio-receptores. Os engenheiros elétro-técnicos, idealisadores e construtores dos aparelhos rádio-receptores, são, também, os construtores do audiometros elétrico. Entretanto, devemos frizar, êsses últimos são aparelhos de medida portanto aparelhos de precisão que necessitam de uma estandartização perfeita e rigorosa calibração.

E foi com o fim de evitar a introdução no mercado de aparelhos que não correspondessem ao desejado, tal como interrogar o campo auditivo em função das frequências audíveis e em tôdas as intensidades de uma maneira fixa ( de oitava em oitava), ou de uma maneira continuamente variável, de acôrdo com cada marca de aparelho, que o Conselho de Fisioterapia da Associação Médica Americana estabeleceu um conjunto de exigências mínimas para que os audiometros fossem aceitos, ou tivessem o visto daquela Sociedade. Êsse mínimo de exigências para aceitação de audiometro para fins clínicos, como medida de precisão da acuidade auditiva, constituido portreze itens principais, podemos encontrá-lo, com detalhes, no apêndice do capítulo sôbre testes de audição da coletânea de PRINCE-FOWLER (7).

Em nossos exames clínicos, muitos dos quais são citados no presente trabalho, empregamos dois dos mais modernos aparelhos existentes no comércio, ambos de frequências continuamente variáveis, ambos capazes de interrogar tanto a condução aérea quanto a óssea, bem como possuidores de dispositivos mascaradores: o Western Electric 6A e o Sonotone modêlo 2. São aparelhos aceitos pelo Conselho de Fisioterapia da Associação Médica Americana, possuindo, portanto, aqueles requisitos técnicos mínimos necessários para a boa execução de uma audiometria clínica. Devemos assinalar, também, que, enquanto o Western Electric 6A é produto do Laboratório Bell, à frente do qual encontra-se a figura de FLETCHER, o Sonotone representa um produto do laboratório do mesmo nome e que conta, entre os seus assistentes técnicos, com o físico KNUDSEN e o otologista JONES.

As figuras que damos abaixo, de ambos os aparelhos, com tôdas as suas partes, dispensam uma descrição cansativa. Além do mais, todo o aparelho é acompanhado de um folheto de instruções, completo, fornecendo detalhes técnicos, bem como o modo de operar com o aparelho.



FIG. 20 - Audiometro Western Electric 6A com receptor telefônico e interruptor



FIG. 21 - Audiometro Western Electric 6A: transmissor ósseo com dispositivo para fixação ao redor do crâneo e índice metálico que será adatado ao quadro controlador do aparelho quando do exame da condução óssea.



FIG. 22 - Audiometro Western Electric 6A : conjunto para manobra de ensurdecimento do ouvido oposto, quando necessária. Além do receptor telefônico e condutor ósseo, inclue um novo índice metálico que será adatado ao quadro controlador do aparelho durante a manobra do mascaramento do ouvido oposto.



FIG. 23 - Audiometro Sonotone, modêlo 2, com tôdas as suas peças adicionais



De tôdas essas chaves, interruptores, sinais, fios condutores, etc., destacam-se dois elementos principais, quando executamos um exame audiométrico. São os dois diais principais, um à esquerda e outro à direita reguladores, respectivamente, das frequências e das intensidades. O dial das frequências, ligado diretamente ao condensador variável, é o responsável pela sintonização da frequência que desejamos examinar. No audiometro W. E. 6A êsse dial encontra-se colocado verticalmente, o que dificulta um pouco a sintonização exata, sendo as frequências graduadas em intervalos da, oitava musical, na escala do Ut (do), a partir de 128 ciclos até 9.747 ciclos, com graduação para meia oitavas. Por conseguinte, temos pontos exatos para sintonizar as seguintes frequências: 128 - 256 - 512 - 1.024 - 2.048 - 4.096 - 8.192 - 9747. No audiometro Sonotone, modêlo 2, o dial das frequências, colocado com uma disposição mais cômoda e elegante na parte inclinada do aparelho, é graduado para sintonizar frequências, desde 125 ciclos até 8.192 ciclos, apresentando, porém, marcas intermediárias que variam com a altura do som. Temos aí marcas para as seguintes frequências: 125 - 128 - 150 - 175 - 200 - 250 - 256 - 300 - 400 - 500 - 512 - 600 - 800 - 1.000 - 1.024 - 1.200 - 1.400 - 1.600 - 2.000 - 2.048 - 2.500 - 3.000 - 4.000 - 4.096 - 5.000 - 6.000 - 8.000 - 8.192 ciclos, além de outras marcas intermediárias não especificadas em números.

O dial da direita, que regula a intensidade, é graduado em unidades de sensação, isto é, em decibels, desde 15 até 120 db., variando êsses limites da acôrdo com o tipo de aparelho. Aqui as diferenças entre o W. E. 6A e o Sonotone, modêlo 2, são evidentes. No W. E. 6A podemos ler, divididos em intervalos de 5 db., desde 15 db. até 120 db., enquanto que no Sonotone temos marcações, também com intervalos de 5 db., desde 20 db. até 100 db. Nesse último aparelho, o Sonotone, o número indicado na janela do dial que regula a intensidade representa, diretamente, o limiar de audibilidade da frequência sintonizada no dial da esquerda, isto é, o dial das frequências. Portanto, não há motivos para engano: após terminar o teste com uma determinada frequência, previamente sintonizada no dial da esquerda, o valor limiar de audibilidade determinado para essa frequência nada mais é que o número de db indicado no dial da direita. De outro lado, no W. E. 6A, ao redor do dial das intensidades que apresenta graduação de 15 db. até 120 db., existe uma série de índices, de traços horizontais, representando, cada traço, uma ou mais frequências. Afim de se saber, para uma determinada frequência em exame e que se encontra sintonizada pelo dial da esquerda, qual o seu limiar de audibilidade, temos que procurar no dial circular das intensidades o número de db. que se encontra exatamente em frente ao traço horizontal que indica a frequência em exame. Essa sintonização vertical, e, de certa maneira, indireta, pode introduzir alguma dificuldade na leitura exata dos resultados ou na própria sintonização perfeita.

Quando do exame da condução óssea, também, a sintonização do dial das intensidades não se processa da mesma maneira que para o interrogatório da condução aérea, pois bem sabemos que em indivíduos normais
a condução óssea é cêrca de duas vezes menor que a aérea. Portanto, teremos que duplicar a intensidade do estímulo sonoro para que o mesmo forneça uma sensação de volume idêntica àquela da transmissão aérea. Ainda mais, entre os diferentes aparelhos, a leitura do dial das intensidades para a condução óssea é diferente. Nos dois aparelhos em jogo, por nós usados, o W. E. 6A e o Sonotone modêlo 2, essas diferenças são patentes. Como vimos, pela descrição fotográfica do aparelho, no W. E. 6A, quando examinamos a condução óssea, para lermos no dial das intensidades os valores limiares para cada frequência em cada exame, e afim de evitar cálculo aritmético, coloca-se um índice metálico especial que se ajusta exatamente ao redor do dial e recobre os traços horizontais empregados no exame de condução aérea. Do mesmo modo, sôbre êsse índice metálico existem traços radiais, em seu pólo superior, traços êsses que correspondem às diferentes frequências audíveis. Para sabermos qual a perda de audição por condução óssea para uma determinada frequência, basta lermos o número de db. do dial das intensidades que corresponde, na linha radical do disco metálico extra, para o exame da condução óssea, adata-se ao painel do aparelho por meio de dois orifícios onde o mesmo é enganchado. Esquecendo-se de colocar êsse índice extra, quando o exame da condução óssea, os resultados obtidos encontram-se inteiramente desvirtuados. O W.E. 6A não possue uma chave ou qualquer outro dispositivo que evite a possibilidade dêsse engano.

De outro lado, Sonotone modêlo 2, quando examinamos a condução óssea, desde que a chave seletora se encontre no ponto indicado para exame da condução óssea, não podemos ter qualquer possibilidade de engano quanto à leitura no dial das intensidades, pois com essa chave nesse determinado ponto, si por acaso colocarmos o transmissor aéreo no lugar do transmissor ósseo o aparelho não funciona. Quanto á leitura no dial das intensidades, nada de diferente existe em relação àquela do exame da condução aérea, sendo a subtração necessária executada automaticamente com a sintonização do aparelho, pela chave seletora, usando do exame da condução óssea. Ao movimentarmos essa chave para o exame da condução óssea, cai automaticamente, na janela do dial das intensidades, um diafragma excluindo a escala de db. para o exame da condução aérea e fazendo surgir uma nova escala para exame da condução óssea.

Prosseguindo, procuraremos esquematizar, na medida do possível, a conduta a seguir na acumetria audiométrica, isto é, os tempos e detalhes principais na medida audição pelo audiometro, bem como a representação gráfica dos resultados, melhor dito, a audiografia. Devemos salientar inicialmente que essa parte se encontra claramente explicada nas instruções que os fabricantes dos diferentes aparelhos juntam ao mesmo. E, ainda mais, entre os diferentes aparelhos existem variações de ordem técnica. Entretanto, para uma orientação geral, os dados que enunciaremos a seguir, deduzidos de PRINCE-FOWLER se adatam, mais ou menos, a qualquer tipo de aparelho, representando, portanto a conduta geral para obter-se um exame audiométrio. Caberia ainda, nesse capítulo, a enumeração das possíveis causas de erro, na técnica da audiometria, decorrentes do próprio aparelho, do local de exame, do indivíduo ou do examinador, e, finalmente da existência da audição cruzada. Mas, devido à importância dos mesmos, resolvemos reuni-los em estudo à parte e que constitue o capítulo seguinte .

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